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5 de agosto de 2014

Pecados da Língua

Caríssimos,


         Non respicias a quo, sed quod sane dicatur memoriae recommenda
- não atentes a quem disse, mas ao que é dito com razão e isto, confia-o à memória [1].

Considerando a importância do tema, repasso a vocês o texto abaixo, um sermão [2] sobre um problema muito comum e pouco considerado: os pecados da língua.
Sem cair nos escrúpulos, podemos afirmar sem medo que tais pecados são muito frequentes - falo do meio "tradicionalista".
          Falar da vida alheia e mesmo cuidar da vida alheia é a tônica de muitos conservadores, que o fazem em nome de uma pretensa caridade fraterna, alegando sua "preocupação" com a alma (!) do próximo.
         A melhor forma de cuidar da alma do próximo é dar o exemplo, rezar, fazer penitência. A não ser que se tenha alguma responsabilidade sobre o próximo, deve-se lembrar que cada um cuida de sua própria vida. Um amigo pode muito bem, com discrição (em privado) e benevolência (com calma, sem precipitação, sem pretensão de autoridade), expor sua preocupação - isto é caridade fraterna.
       Outra coisa comum é falar mal de outrem a padres sob pretexto do bem alheio - por exemplo, afirmar que tal ou tal pessoa fez isto ou aquilo, falou isto ou aquilo (fazer as vezes da pessoa junto ao padre ou diretor, fazer-se porta-voz da consciência alheia) ou fazê-lo pedindo segredo, como se falar dos pretensos defeitos do próximo fosse lícito se for sob segredo. Devemos calar o mais possível, a não ser que tenhamos alguma responsabilidade. Mesmo aí, deve-se guardar uma justa medida. Uma atitude desta espécie pode causar inconvenientes e até mesmo danos à vítima (sic) de tamanha caridade...
        Este "zelo" que faz cuidar da vida alheia é, na verdade, orgulho mal disfarçado, que muitas vezes faz de si mesmo a medida de moralidade, ignorando o abismo que pode haver entre a percepção pessoal e a realidade. Pior ainda, pois julga o próximo segundo este critério, esquecendo-se que cada caso é um caso. Isto pode se dar no silêncio do coração, mas não raro passa para a língua... ou os dedos... outrora a língua se exercitava sobre a mureta, de frente para a rua ou com as vizinhas. Hoje talvez se dê noutras circunstâncias, mas pecado é o mesmo.
Quase todos temos que fazer um exame de consciência a este respeito.
Espero que o texto seja útil.
In Iesu et Maria,
Grupo S. Domingos de Gusmão.
[1] S. Tomás, De modo studendi: http://www.hottopos.com/mp3/de_modo_studendi.htm
[2] de um padre do IBP, daí a citação inicial.
***
Os pecados da língua: a detração ou maledicência e a calúnia

Sermão para o Décimo Primeiro Domingo depois de Pentecostes
28 de julho de 2013 – Padre Daniel Pinheiro
“E levantando os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: Ehphpheta, que quer dizer, abre-te. E imediatamente se lhe abriram os ouvidos e se lhe soltou a prisão da língua, e falava claramente.”

26 de dezembro de 2013

Por que tanta gente se esforça para negar a existência do inferno?

                 Em primeiro lugar, por interesse. A maior parte dentre esse esforçados deseja que o inferno não exista. São como os ladrões que, se pudessem, destruiriam a polícia, porque todas as pessoas que <<sentem os encargos>> estarão sempre a fazer o possível e o impossível para se persuadirem de que o inferno não existe, pois bem sabem que, havendo um, sua utilidade é exatamente para pessoas como eles.  Não são diferentes dos covardes que, cantando toda voz numa noite escura, tentam se convencer de que não sentem o medo que os ataca. Para se encher mais ainda de coragem querem persuadir aos outros de que o inferno não existe. Por isso escrevem esses livros se pretendem científicos e filosóficos, e neles repetindo a todo momento, para com a grita, pretendem convencer uns aos outros - e graças a esse espetáculo barulhento, concluem que ninguém mais acredita e, por consequência, que têm o direito de não acreditar.

31 de julho de 2013

Onde não há Ódio à Heresia, não há Santidade.

Se odiássemos o pecado como deveríamos odiá-lo; puramente, profundamente, valentemente, deveríamos fazer mais penitência, infligir em nós próprios maiores castigos, deveríamos chorar os nossos pecados mais abundantemente. Pois, então, a suprema deslealdade para com Deus é a heresia. É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus desdenha neste mundo enfermo. No entanto, quão pouco entendemos da sua enorme odiosidade! É a poluição da verdade de Deus, o que é a pior de todas as impurezas.

Porém, quão pouca importância damos à heresia! Fitamo-la e permanecemos calmos. Tocâmo-la e não trememos. Misturamo-nos com ela e não temos medo. Vêmo-la tocar nas coisas sagradas e não temos nenhum sentido do sacrilégio. Inalamos o seu odor e não mostramos qualquer sinal de abominação ou de nojo. De entre nós, alguns simpatizam com ela e alguns até atenuam a sua culpa. Não amamos a Deus o suficiente para nos enraivecermos por causa da Sua glória. Não amamos os homens o suficiente para sermos caridosamente verdadeiros por causa das suas almas.

Tendo perdido o tacto, o paladar, a visão e todos os sentidos das coisas celestiais, somos capazes de morar no meio desta praga odiosa, impertubavelmente tranquilos, reconciliados com a sua repulsividade, e não sem proferirmos declarações em que nos gabamos de uma admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatia tolerante [para com os seus promotores].

Porque estamos tão abaixo dos antigos santos, e até dos modernos apóstolos destes últimos tempos, na abundância das nossas conversões? Porque não temos a antiga firmeza! Falta-nos o velho espírito da Igreja, o velho génio eclesiástico. A nossa caridade não é sincera porque não é severa, e não é persuasiva porque não é sincera.

Falta-nos a devoção à verdade enquanto verdade, enquanto verdade de Deus. O nosso zelo pelas almas é fraco porque não temos zelo pela honra de Deus. Agimos como se Deus ficasse lisonjeado pelas conversões, e não pelas almas trémulas, salvas por uma abundância de misericórdia.

Dizemos aos homens a metade da verdade, a metade que melhor convém à nossa própria pusilanimidade e aos seus próprios preconceitos. E, então, admiramo-nos que tão poucos se convertam e que, desses tão poucos, tantos apostatem.

Somos tão fracos a ponto de nos surpreendermos que a nossa meia-verdade não tenha tanto sucesso como a verdade completa de Deus.

Onde não há ódio à heresia, não há santidade.

Um homem, que poderia ser um apóstolo, torna-se uma úlcera na Igreja por falta de recta indignação.

Fonte: Pe. Frederick William FABER [1814-1863], The Precious Blood, or: The Price of Our Salvation [O Preciosíssimo Sangue, ou: o Preço da Nossa Salvação], 1860, pp. 314-316.

Texto retirado do antigo blog odioaheresia

25 de julho de 2013

O Porquê das Heresias


Do livro "As Grandes Heresias" 
de Monsenhor Cristiani

O Porquê das Heresias

Na oração sublime que os exegetas chamam "oração sacerdotal", Cristo pede ao Pai, com certa angústia, que os seus discípulos guardem para sempre a unidade: "Pai Santo, guarda em teu nome aqueles que me confiou, de modo que sejam um, como Nós... Não rogo somente por eles, mas também para aqueles que, movidos por sua pregação, creiam em mim, para que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles também sejam um em Nós, a fim de que o mundo saiba que Tu me enviaste "(Jo XVII, 11, 20-24).

Cristo sabia o preço e a dificuldade da unidade, o que seria o principal sinal da verdadeira Igreja. Porém haveria divisões, rupturas da unidade, divergências de opinião, em uma palavra, heresias. Este é, de fato, o significado desta palavra de origem grega, que adotado pelo latim, foi quase desconhecido pela linguagem clássica, e, em vez disso, usado com freqüência pelos Padres da Igreja. De onde provém as heresias? Da diversidade de idéias, de características, temperamentos, e por fim, o próprio fato da liberdade humana. A Fé na Palavra de Deus é livre. Deus não força ninguém. Porém é inevitável que a fé exija por parte do homem um esforço de submissão e obediência. Esta obediência é uma opção. O papel das heresias é destacar essa opção. Por isso São Paulo disse: “É necessário que entre vós haja heresias para que possam manifestar-se os que são realmente virtuosos” (I Coríntios, XI, 19).

22 de julho de 2013

Commonitorium: Regra para distinguir a Verdade Católica do erro

São Vicente de Lérins -
COMMONITORIUM
Notas para conhecer a verdadeira Fé.
 

INTRODUÇÃO
 
1. Dado que a Escritura nos aconselha: "Interroga teu pai e ele te contará; os teus avós, e eles te dirão". (Dt 32,7); "Ouve as palavras dos sábios" (Pr22,17); e também: "Meu filho, não te esqueças da minha lei, e guarda no teu coração os meus preceitos" (Pr 3,1), a mim, Peregrino, último entre todos os servos de Deus, me parece que é coisa de não pouca utilidade escrever os ensinamentos que recebi fielmente dos Santos Padres. Para mim isto é absolutamente imprescindível, a causa de minha debilidade, para ter assim ao alcance das mãos um auxílio que, com uma leitura assídua, supra as deficiências de minha memória. Induzem-me a empreender este trabalho, ademais, não só a utilidade desta obra, mas também a consideração do tempo e a oportunidade do lugar. Em relação ao tempo, já que ele nos tira tudo o que há de humano, também nós devemos, em compensação, roubar-lhe algo que nos seja gozoso para a vida eterna, tanto mais quanto que ver aproximar-se o terrível juízo divino nos convida a pôr maior empenho no estudo de nossa Fé; por outro lado, a astúcia dos novos hereges reclama de nós uma vigilância e uma atenção cada vez maiores. Em relação ao lugar, porque afastados da multidão e da agitação da cidade,habitamos num lugar bem separado no qual, na cela tranqüila de um mosteiro, se pode pôr em prática, sem medo de distrair-se, o que canta o salmista: "Desisti – disse ele – e reconhecei que sou Deus". (Sl 45,11) Aqui tudo se harmoniza para que eu alcance minhas aspirações. Durante muito tempo fui perturbado pelas diferentes e tristes peripécias da vida secular.

10 de julho de 2013

Sermão do Beato Estanislau Kostka, de Padre Antônio Vieira

LITERATURA BRASILEIRA
Textos literários em meio eletrônico


Sermão do Beato Estanislau Kostkade Padre Antônio Vieira.
*********
Edição de Referência:
Sermões.Vol. X Erechim: EDELBRA, 1998.

SERMÃO DO BEATO ESTANISLAU KOSTKA

Da Companhia de Jesus,
Pregado na língua italiana, em Roma, na Igreja de Santo André do Monte Cavallo, Noviciado da mesma Companhia.
Ano de 1674.

Beatus venter qui te portavit. [1]

§1

Louvar filho pela mãe, ou engrandecer a mãe pelo filho, invento não vulgar de uma eloqüência do vulgo. A tríplice geração de Cristo e a tríplice geração de Estanislau. Assunto do sermão: um filho bem-aventurado, beatificado em três mães, e três mães bem-aventuradas e beatificadas em um filho.

Louvar o filho pela mãe, ou engrandecer a mãe pelo filho, invento foi não vulgar de uma eloqüência do vulgo. Assim disse quem não tinha aprendido a bem falar na língua própria, e assim o farei eu na estranha. Hei de falar de um beato, e não posso deixar de beatificar o ventre de que nasceu: Beatus venter qui te portavit (Lc. 11, 27). - Esta é a obrigação de louvar o filho, e esta a necessidade de não poder louvar juntamente a mãe. Mas qual mãe? O filho é Estanislau; e, quando eu ponho os olhos neste bendito filho, vejo uma, duas, e três mães, cada uma das quais o quer por seu. Não basta aqui a espada de Salomão, porque são mais de duas as que litigam.

18 de agosto de 2012

A Revolução, o pecado e a Redenção – A utopia revolucionária

Dentre os múltiplos aspectos da Revolução, é importante ressaltar que ela induz seus filhos a subestimarem ou negarem as noções de bem e mal, de pecado original e Redenção.

1.       A Revolução é, como vimos, filha do pecado. Mas, se ela o reconhecesse, desmascarar-se-ia e se voltaria contra sua própria causa.

Explica-se, assim, por que a Revolução tende, não só a passar sob silêncio a raiz de pecado da qual brotou, mas a negar a própria noção do pecado. Negação radical, que inclui tanto a culpa original quanto a atual, e se efetua principalmente:

- Por sistemas filosóficos ou jurídicos que negam a validade e a existência de qualquer Lei moral ou dão a esta os fundamentos vãos e ridículos do laicismo.

- Pelos mil processos de propaganda que criam nas multidões um estado de alma em que, sem se afirmar diretamente que a moral não existe, se faz abstração dela, e toda a veneração devida à virtude é tributada a ídolos como o ouro, o trabalho, a eficiência, o êxito, a segurança, a saúde, a beleza física, a força muscular, o gozo dos sentidos, etc.

25 de março de 2012

A Heresia do Jansenismo


O Jansenismo foi uma heresia que surgiu na França e Bélgica, no século XVII e se desenvolveu no século XVIII.


Ela tem esse nome porque a seita seguia as idéias do Bispo de Yprès, Jansênio, que escreveu um livro intitulado Augustinus, onde dizia que os homens já nasciam predestinados ao céu ou ao inferno, nada podendo mudar esse destino. Ele afirmava ter entendido totalmente Santo Agostinho de uma forma que a Igreja ainda não tinha compreendido, porém com receio de Roma, por algum tempo permaneceu apenas amadurecendo suas idéias. 

O Jansenismo já havia sido condenado pelos Papas Urbano VIII, Inocêncio X e Alexandre VII, sem que se lograsse a submissão completa dos hereges ou seu lançamento fora da Igreja. 

Para salvar seu mestre e sua doutrina, excogitaram então os fautores da heresia a famosa distinção entre a questão de fato e a questão de direito. Quanto ao direito de resolver se as cinco proposições eram heréticas - o Papa tinha plena autoridade, era infalível; mas quanto ao fato - decidir se tais proposições eram sustentadas no livro de Jansênio, e nele tinham sentido heterodoxo - o Papa não gozava de infalibilidade, e não podia exigir submissão interna.

5 de março de 2012

Jejum e Abstinência

Capítulo XX
JEJUM E ABSTINÊNCIA

A 15ª objeção foi respondida no capítulo XVIII; tratemos aqui a 16ª, pedindo um texto que prove que devemos jejuar nas sextas-feiras.
É uma objeção ridícula, pois é sabido por todos que o preceito do jejum nas sextas-feiras não existe senão no tempo da quaresma. O que existe geralmente, pela lei da Igreja, é a abstinência de carne nas sextas-feiras.

I. A razão de ser
A Igreja, ciosa de seguir em tudo as prescrições e os conselhos do divino Mestre, prescreveu o jejum e a abstinência, como penitência, em certos dias do ano.
O jejum consiste em privar-se de uma parte dos alimentos habitualmente usados, e refere-se à quantidade do mesmo alimento.
A abstinência consiste em privar-se de carne em certos dias, por espírito de penitência, e refere-se, pois, à qualidade do alimento.
Jesus Cristo prescreve o jejum sem indicar o dia deste jejum; aconselha esta prática como meio de alcançar o perdão das faltas, de expiá-las e de domar as paixões da carne. Tudo isto está claramente indicado na Bíblia.
Não tendo Jesus indicado o tempo, nem o dia destas penitências, cabe à Igreja determiná-los, para que os preceitos e os conselhos do Salvador não fiquem esquecidos.
Percorramos, meu caro crente, os exemplos, os conselhos e preceitos do jejum, indicando bem os passos, para que o amigo os possa verificar em sua bíblia.

12 de fevereiro de 2012

Domingo da Sexagésima


Constituição da religião

É outra parábola que o Evangelho de hoje nos apresenta: a do semeador.

O semeador é Deus que lançou a semente divina da religião, - a sua palavra, - no terreno das almas que compõem este campo imenso da humanidade.

Esta semente, infelizmente, não caiu toda no bom terreno; uma parte caiu em terreno duro, outra em terreno pedregoso, outra em terreno coberto de espinhos e outra em terreno fértil.

É o que explica que ao lado da única religião verdadeira, há várias religiões falsas. Todas, no fundo, como veremos, provêm da semente divina; o terreno, porém, não era próprio para o seu desenvolvimento: daí nasceram plantas raquíticas, outras disformes, outras quase desconhecíveis.

No fundo de todas as religiões, encontra-se entretanto, um ponto comum: suas partes constitutivas, que correspondem às três grandes aspirações do homem: conhecer, amar e servir.

A estas três aspirações correspondem as 3 partes essenciais da religião que são:

9 de janeiro de 2012

Sobre a Pregação, a Verdade, e o Valor das Idéias Claras

Caríssimos leitores, Salve Maria!

Estou lendo um livro de Gustavo Corção a respeito da indissolubilidade matrimonial; bem no começo, ele explica que as pessoas normalmente, pelo modernismo, tem a mente obscurecida em muitas coisas, e não pode o pregador, em sua pregação, dar total valor às idéias que acha que são claras para todo católico. Pois para as mentes viciadas, muitas coisas não são claras. Pois muita claridade vem do hábito mental.

Achei interessante digitar a parte que diz isso, para futuros apostolados.

Att., Grupo São Domingos de Gusmão. 
       
"Muito pregador, sobretudo em nosso meio católico, tem o vício cartesiano de acreditar demais no valor das idéias claras; e daí passa a pensar, e a dizer que só por má fé não se convence quem o ouve. Parece-lhe que deve ser claro para os outros o que sente em si mesmo como claro, sem lembrar que, na falta de verdadeira evidência, muita claridade aparente vem do hábito mental, do sistema interior e inconsciente das idéias referencias.

A indissolubilidade conjugal não é uma idéia clara e comunicável por via demonstrativa, como a idéia do quadrado da hipotenusa. Torna-se clara em nós pela convergência de luzes que vem de outras idéias fundamentais, mas onde faltar essa organização interior, essa mentalidade predispósta, não podemos contar com o bom êxito da demonstração, e não é justo chamar de má fé essa terrível dificuldade que vem dos consolidados preconceitos subjacentes a quase tôdas as mentalidades de nossos tempos.

O pregador que não conhece a existência dessa dificuldade deve mudar de ofício, pois é quase certo que só consiga, pela jactância do tom, pela ostensiva alegria com que se apresenta como iniciado nas grandes verdades, e pela impaciência que demonstra diante das resistências, tornar antipática a causa que defende"

Que com o auxílio da graça, possamos ajudar as pessoas, cada uma em sua dificuldade, a sairem da escuridão. E ensina-las as verdades da Religião."

São Tomás de Aquino, rogai por nós!

22 de novembro de 2011

A possibilidade da Encarnação sem desvios panteístas



Por Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O. P.

Tradução: Luiz de Carvalho

Este problema examinado por vários teólogos na introdução de seus tratados sobre a Encarnação sempre tende a reaparecer, e reapareceu nestes últimos tempos como objeções contra o tomismo clássico. Nós queríamos apenas recordar o que sobre isso disseram Santo Tomás e seus melhores comentadores. Lembremos pois 1° porque a possibilidade da Encarnação não pode ser demonstrada, 2° em que consistia o desvio panteísta, 3° como Santo Tomás evita tal desvio.

1. A possibilidade da Encarnação ultrapassa a esfera do demonstrável.

Segundo a Revelação, a Encarnação é a união, na pessoa do Verbo, de sua natureza divina e da natureza humana: não união acidental pelo conhecimento e pelo amor, como nos bem-aventurados, mas união substancial ou hipostática na pessoa do Verbo feito carne, de tal modo que não há nele senão um só eu, uma só pessoa, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Tanto que Jesus pôde dizer: “Antes que Abraão fosse Eu sou”, “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”; não apenas, Eu tenho a verdade, mas “Eu sou a verdade e a vida”, o que só Deus pode dizer, como somente Ele pode dizer: “Eu sou o próprio Ser”.

18 de novembro de 2011

O Grande Frasista G. K. Chesterton

Verdades Eternas


Os sovinas acordam cedo; os ladrões, pelo que sei, acordam na noite anterior.



Defender quaisquer das virtudes cardeais tem, hoje em dia, toda a excitação de um vício.



Uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la.



As falácias não se tornam menos falácias porque se tornaram modas.

29 de outubro de 2011

Perguntas a que nenhum "evangélico" consegue responder

Por Professor Evaldo Gomes

1. Quem fundou a sua Igreja? Por quê? Então, as igrejas existentes estavam erradas para que fosse preciso surgir mais uma igreja? E quem garante que a sua é que está certa? Foi o Senhor que a fundou ou foi um mero homem? (Sl 126(127), 1.2; Mt 16,18).

2. É correto o denominacionalismo? Se o é, por que a Bíblia insiste na unidade dos cristãos (Jo 10,16;17,21.22; Ef 4,5) e pede que nos afastemos dos que geram divisão (Rm 16,17)? Se não é, por que os evangélicos não obedecem a sua única regra de fé e prática?

3. Se você existisse antes da Reforma a que Igreja cristã pertenceria?

24 de setembro de 2011

A Renovação Carismática Católica

Fruto do Concílio Vaticano II, Semente de Destruição.

Introdução:

  Batizados no "Espírito"

            "Batizado no Espírito", "Oração em Línguas", "O Dom da Profecia", e um "Relacionamento Pessoal com Jesus Cristo" são todas expressões muito em voga e indispensáveis no vocabulário da assim chamada "Renovação Carismática Católica" (RCC) , um movimento cujas origens se deve a um retiro sem nenhum acompanhamento realizado em 1967 por alguns estudantes da Universidade de Duquesne em Pittsburg (USA) . Por volta de 1990, o movimento já contava com cerca de 72 milhões de seguidores no mundo inteiro e organizações oficiais em mais de 120 países.

            Um crescimento tão rápido aqui e no exterior, juntamente com o quase completo abandono de práticas e crenças genuinamente católicas, bem como modo de se expressar, tem sido motivo de preocupação para os Católicos já por um bom espaço de tempo. À luz  do trigésimo aniversário da RCC ocorrido no ano de 1997, uma análise mais profunda  de suas práticas, crenças e idéias vem bem a calhar.

            O trecho abaixo  tirado da literatura carismática, diz respeito a um dos carro-chefes da RCC, "Batismo no Espírito", uma "Experiência de fé", na qual uma pessoa "libera" as graças recebidas no Batismo, Confirmação e Sagrada Eucaristia e assim experimenta a presença de Deus de um modo profundamente pessoal. Só por aí já podemos antecipar a visão e a compreensão dos Sacramentos mais comuns para os seguidores desse movimento:

9 de setembro de 2011

Só através da Bíblia conhecemos as verdades reveladas por Cristo?

Erram aqueles que crêem que só a Bíblia tem por fim comunicar as verdades reveladas a todos os povos da terra.

Deus quis que os homens conhecessem a revelação e chegassem por ela à fé, por meio da pregação, e não, como pretendem os protestantes, só pela Escritura. Cristo só pregou, nada escreveu. Aos apóstolos disse Ele: «Ide e ensinai a todas as nações» (Mat. XXVIII, 19) e não: «Escrevei a todos os povos». Por isso os Apóstolos, à exceção de dois, não escreveram evangelhos, mas contetaram-se com pregar. «Eles eram, diz Santo Agostinho, os livros dos fiéis». S. Paulo diz: «A fé vem do ouvido» (Rom. X, 17), e não da simples leitura. Além de que a instrução pelo ensino oral adapta-se perfeitamente à natureza do homem: preferimos aprender com um professor, a fazer por nós mesmos numerosas investigações. Se a Escritura fosse o único meio de aprender a Revelação, teríamos que, apesar da pregação de Cristo e dos Apóstolos, os homens que viveram antes da redação das sagradas Escrituras não teriam podido chegar à ela (isto é, todos os homens anteriores a Moisés, e, depois, os anteriores à composição dos Evangelhos). Ainda hoje sucederia o mesmo aos que não pudessem ler, aos que fossem muito pobres para comprar uma Bíblia, ou muito pouco instruídos para compreender certas passagens da Bíblia, dificílimas. Contudo, Deus quer que todos os homens cheguem ao conhecimento da verdade (I Tim. II, 4). - Os próprios Livros sagrados perderiam o seu valor, se a Igreja, pela palavra viva, não nos assegurasse a origem divina e a perfeita integridade deles. S. Agostinho diz: «Eu não creria no Evangelho, se não me levasse a isso a autoridade da Igreja».

(Catecismo Católico Popular - Francisco Spirago)

9 de agosto de 2011

Distinção entre rezar e orar‏

Pergunta — Quero perguntar a diferença entre orar e rezar, já que o dicionário Aurélio fala que são sinônimos. Porém, ao celebrar a Santa Missa, o Padre às vezes fala oremos e outras vezes rezemos. Os protestantes falam que devemosorar e não rezar... E que, segundo a Bíblia, não devemos orar repetidas vezes, e por isso eles condenam o Terço.

Por Monsenhor JOSÉ LUIZ VILLAC.

Resposta — Como já diz a consulente e o atestam os dicionários, orar erezar são sinônimos. A Liturgia da Santa Igreja — cuja língua materna é o latim — emprega em diversas circunstâncias o oremus, que se traduz em vernáculo por oremos ou rezemos, posto que são sinônimos.

Orar vem do latim orare; e rezar, do latim recitare, que também deu em português recitar. Já em latim, os verbos orare e recitare têm sentidos muito próximos: o primeiro significa “pronunciar uma fórmula ritual, uma oração, uma defesa em juízo”; o segundo, “ler em voz alta e clara” (portanto, o mesmo que em português recitar). Entretanto, para orare prevaleceu na latinidade e nas línguas românicas o sentido de rezar, isto é, dizer ou fazer uma oração ou súplica religiosa (cfr. A. Ernout–A. Meillet,Dictionnaire étymologique de la langue latine — Histoire des mots, Klincksieck, Paris, 4ª ed., 1979, p. 469).

Nós, católicos, damos ao verbo rezar um sentido bastante amplo e genérico, e reservamos a palavra oração mais especialmente — mas não exclusivamente — para os diversos gêneros de oração mental, como a meditação, a contemplação etc. Não há razão, portanto, para fazer dessa ligeira diferença, comum nos sinônimos, um tema de disputas.

11 de julho de 2011

Carismatismo Católico, sim, e… não

Carismatismo Super-Emotivo

1 – O atual Carimastimo protestante e superemotivo das seitas teve sua origem, no começo do século passado, nos Estados Unidos. Uma estudante protestante afirmou ter sentido, de repente, uma sensação de paz e de gozo, e começou a falar, como disse, em “línguas desconhecidas”. Ela atribuiu esses fenômenos a Cristo. Passados alguns dias, em toda a comunidade se davam as mesmas manifestações que foram interpretadas como sendo um“batismo no Espírito”. Assim nascia o movimento pentecostal, cuja característica é pretender provocar artificialmente, em clima superemotivo, os carismas extraordinários concedidos pelo Espírito Santo aos Apóstolos no dia de Pentecostes.

2 – Esta atitude já estava implícita na “fé-sentimento-de-confiança”, de Lutero, com seu descaso inato pela precisão doutrinária das verdades a crer que são de natureza radicalmente racionais (Cf. Fol. Cat., n° 15). São reveladas por Deus e propostas pela Igreja à nossa fé como necessárias de se crer para a salvação. Devemos, pois, prestar-lhes um assentimento da mente. Não pode resvalar para um exacerbado sentimento religioso, como acontece no carismatismo das seitas.

16 de junho de 2011

Maomé e sua religião

Por São João Bosco
Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai gentio e mãe judia. Errando em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o nomeou seu procurador e mais tarde casou-se com ele. Como era epilético, soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha inventado e afirmava que suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o arcanjo Gabriel. A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta.




Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força. Ditou suas crenças em árabe e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o seguinte milagre, ridículo em sumo grau. Disse que tendo caído um pedaço da lua em sua manga, ele soube fazê-la voltar a seu lugar; por isso os maometanos tomaram por insígnia a meia lua. Sendo conhecido por homem perturbador, seus concidadãos trataram de dar-lhe morte; sabendo disto o astuto Maomé fugiu e retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da cidade. Esta fuga de Maomé se chamou Egira, isto é, perseguição; e desde então começou a era muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era.

3 de junho de 2011

Existem Ateus? Causas e consequências do ateísmo

Traduzido por Luiz Carlos Martins Filho, Grupo S. Domingos de Gusmão.


1. Há ateus?


O ateu (do grego a, privativa e theos, Deus), é aquele que não crê na existência de Deus. Desta definição se depreende que não se podem classificar entre os ateus:


a) Aos indiferentes que, deixando de lado a questão das origens do mundo e da alma, vivem sem preocupar-se por seu destino. Ainda que esta maneira de ser pare praticamente no ateísmo, no entanto, os indiferentes na realidade não são ateus.


b) Os agnósticos, que proclamam que Deus está no domínio do incognoscível, tampouco podem chamar-se ateus; por mais tempo que permaneçam nesta afirmação, seu estado de espírito equivale a un ceticismo religioso.


c) Ainda menos se podem contar entre os ateus aqueles que estão em uma ignorância quase completa da questão religiosa, e que, ainda que façam profissão exterior de ateísmo, é porque crêem que esta atitude convém a espíritos fortes que não querem seguir ao vulgo, ou porque estimam que desta maneira hão de favorecer e fomentar melhor seus interesses materiais.