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23 de julho de 2013

A Cera e o Fogo



Um dos pontos mais indispensáveis para uma alma conseguir guardar perfeitamente a castidade é a fuga das ocasiões próximas de pecado.

Já foi dito que "em matéria de castidade não há fortes nem fracos. Há prudentes ou imprudentes."

Com o pecado original ocorreu uma desordem nas paixões do homem, desordem esta que o inclina constantemente ao mal e que, com o auxílio da graça, pode ser domada, mas não extinta durante esta vida, sendo preciso estar sempre alerta com relação a ela, não lhe dando qualquer ocasião de nos dominar.

Ocasião próxima de pecado é a pessoa, coisa, lugar ou circunstância que atiça as paixões humanas, seduzindo a pessoa a pecar.
 
Em virtude da fraqueza da natureza humana e da força de atração que o pecado exerce sobre nós depois da culpa original, expor a própria alma a uma ocasião perigosa, é praticamente como expor cera ao fogo.

Se pudesse pensar, de nada a cera fugiria tanto quanto do fogo.

9 de julho de 2013

As Excelências da Mortificação


 


As Excelências da Mortificação
(Santo Afonso Maria de Ligório)


I. Da mortificação externa

§ I. Necessidade da mortificação externa


A mortificação externa consiste em se fazer e sofrer o que contraria os sentidos exteriores e em se privar daquilo que os lisonjeia. Enquanto ela é necessária para evitar o pecado, é de obrigação absoluta para cada cristão. Se se trata de coisas que licitamente se podem desfrutar, a mortificação não é obrigatória, mas é muito útil e meritória. Contudo, deve-se notar aqui que, para aqueles que tendem à perfeição, a mortificação nas coisas lícitas é absolutamente necessária.

Como pobres filhos de Adão, devemos lutar até a nossa morte, pois 'a carne deseja contra o espírito e o espírito contra a carne' (Gál 5, 17). É próprio dos animais seguir os seus sentidos, enquanto que aos anjos compete cumprir a Vontade de Deus; disso conclui um ilustre escritor que nos tornamos anjos, esforçando-nos por cumprir com a Vontade de Deus, e irracionais, se procuramos satisfazer os nossos sentidos. Ou a alma subjuga o corpo, ou o corpo escraviza a alma.

Em vista disso, devemos tratar o nosso corpo como um cavaleiro trata um cavalo bravio, puxando-lhe fortemente a rédea para que não o derrube, ou como o médico que, estando a tratar de um doente, prescreve remédios que lhe são desagradáveis e proíbe-lhe comidas e bebidas nocivas, que ele apetece. Sem dúvida alguma, seria cruel um médico que permitisse ao doente deixar os remédios prescritos por serem amargos e tomar outros, nocivos, por lhe agradarem. Quanto maior não é, pois, a crueldade de um homem sensual, que quer poupar a seu corpo todos os desgostos nesta vida, e expor, assim, sua alma e seu corpo, ao perigo de ter que sofrer por toda a eternidade penas imensamente maiores.

3 de novembro de 2012

Palavras de Nosso Senhor à Santa Brígida

Palavras de louvor a Deus pela Corte Celeste; sobre como teriam nascido as crianças se nossos primeiros pais não tivessem pecado; sobre como Deus mostrou seus milagres através de Moisés e, depois, por si mesmo a nós com sua própria vinda; sobre a perversão do matrimônio corporal nestes tempos e sobre as condições do matrimônio espiritual.

LIVRO 1 - CAPÍTULO 26

A Corte Celeste foi vista diante de Deus, e toda a Corte disse: “Louvado e honrado sejas, Senhor Deus, que és e foste sem fim! Somos teus servidores e te louvamos e honramos por uma tríplice razão. Primeiro, porque nos criaste para nos regozijarmos contigo e nos deste uma luz indescritível na qual nos regozijemos eternamente.

Segundo, porque todas as coisas são criadas e mantidas por tua bondade e constância, e todas as coisas permanecem de acordo com tua vontade e se submetem à tua palavra. Terceiro, porque criaste a humanidade e assumiste a natureza humana para o bem dela; esse assumir a natureza humana é a razão da nossa grande alegria, e também por vossa castíssima Mãe que foi digna de vos dar à luz e a quem os Céus não podem conter nem limitar".

25 de novembro de 2011

Oração recordando as sete tristezas e alegrias de São José


1) Ó Esposo puríssimo de Maria Santíssima, glorioso São José, assim, como foi grande a amargura de vosso coração na perplexidade de abandonardes a vossa castíssima Esposa, assim foi indizível a vossa alegria quando pelo Anjo vos foi revelado o soberano mistério da Encarnação. Por esta tristeza e por esta alegria, vos pedimos a graça de consolardes agora e nas extremas dores, a nossa alma, com a alegria de uma vida justa e de uma santa morte, semelhante à vossa, assistidos por Jesus e por Maria. 

Pai Nosso, Ave Maria e Glória. 

2) Ó felicíssimo Patriarca, glorioso São José, que fostes escolhido para ser o Pai adotivo do Verbo emanado, a tristeza que sentistes ao ver nascer em tanta pobreza o Deus menino, se vos mudou em júbilo celeste ao ouvirdes a Angélica harmonia e ao contemplardes a glória daquela brilhantíssima noite. Por esta tristeza e por esta alegria, vos suplicamos a graça de nos alcançardes que, depois da jornada desta vida, passemos a ouvir os angélicos louvores e a gozar os resplendores de glória celeste. 

Pai Nosso, Ave Maria e Glória. 

3) Ó obedientíssimo executor das divinas Leis, glorioso São José, o sangue preciosíssimo que na Circuncisão derramou o Redentor-Menino vos transpassou o coração, mas o nome de Jesus vo-lo reanimou, enchendo-o de contentamento. Por esta tristeza e por esta alegria, alcançai-nos viver sem pecado, a fim de expirar cheios de júbilo com o nome de Jesus no coração e na boca.

O Cordão de São José

São José, Pai virginal de Jesus, Esposo da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, e guarda do Filho de Deus, patrono Universal da Santa Igreja, protetor e modelo dos operários, modelo e protetor das famílias e conforto dos atribulados, rogai sempre por nós que recorremos a Vós.

ORIGEM, FINALIDADE, MODO DE USAR E BENEFÍCIOS

O Cordão de São José teve usa origem na Bélgica, mais precisamente, na cidade de Anvers, onde se localizava o convento das Agostinianas. Conta-se que Sóror Isabel Sillevorts foi, em determinada ocasião, atacada do “mal de pedra”, sem que todos os recursos da medicina, empregados para curá-la, surtissem qualquer efeito. Devota de São José, Sóror Isabel, animada da mais firme confiança no Patrocínio deste Glorioso Santo, conseguiu que um Sacerdote lhe benzesse um cordão, cingindo-o à cintura, em homenagem ao grande Patriarca, abandonando, dessa forma, os recursos da terapêutica e iniciando, com todo o fervor, uma Novena de Súplica ao Esposo puríssimo da Virgem Maria, Mãe de Deus. Alguns dias depois, mais precisamente em 10 de junho de 1649, quando, entre fortes dores, fazia ao Santo as mais ardentes súplicas, Sóror Isabel se vê livre de um cálculo de dimensões muito grandes, ficando, assim, completamente curada. A repercussão do milagre foi muito grande e rápida, fazendo com que aumentasse, nos habitantes de Anvers, a devoção a São José, que já não era pequena. Em 1842, na Igreja de São Nicolau, em Verona, por ocasião dos piedosos exercícios do mês de São Paulo, foi esse fato publicado, causando grande repercussão e muitas pessoas enfermas cingiram-se com o cordão bento e experimentaram o valioso auxílio do Glorioso Patriarca, o Santíssimo José. O uso do Cordão de São José foi crescendo cada vez mais e, hoje, ele não é só procurado para alívio das enfermidades corporais, mas, também, e com igual sucesso, para os perigos da alma. Devemos, também, salientar que, o Cordão de São José é utilizado como uma arma poderosa, contra o demônio da impureza. Devido à sua comprovada eficácia contra os males corporais e espirituais, a Santa Sé autorizou a Devoção do Cordão de São José, permitindo até que fosse usado pública e solenemente. Permitiu, também, a Santa Sé a fundação da Confraria e Arquiconfraria do Cordão de São José, elevando uma delas à categoria de PRIMÁRIA. Em setembro de 1859, dando provimento a uma petição do Bispo de Verona, a Sagrada Congregação dos Ritos aprovou a fórmula da Bênção do Cordão de São José. O Cordão de São José deve ser confeccionado com linho ou algodão bem alvejado. A pureza e a alvura desses materiais nos hão de indicar a candura e a virginal pureza de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria, Mãe de Deus.

18 de novembro de 2011

O Grande Frasista G. K. Chesterton

Verdades Eternas


Os sovinas acordam cedo; os ladrões, pelo que sei, acordam na noite anterior.



Defender quaisquer das virtudes cardeais tem, hoje em dia, toda a excitação de um vício.



Uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la.



As falácias não se tornam menos falácias porque se tornaram modas.

4 de julho de 2011

Pequeno Catecismo do Namoro

Que é “namoro”?

Namoro é o período em que o rapaz e a moça procuram conhecer-se em preparação para o matrimônio.
Em que consiste o matrimônio?

No matrimônio homem e mulher doam seus corpos, constituem uma só carne e tornam-se instrumentos de Deus na geração de novas vidas humanas.

Então, em que deve consistir a preparação ao matrimônio?

Antes de dar os corpos é preciso doar as almas. No namoro os jovens procuram conhecer não o corpo do outro, mas sua alma.

Que conclusão podemos tirar daí?

Os namorados não podem ter relações sexuais (fornicação), nem atitudes contrarias à castidade.

Por quê?

15 de janeiro de 2011

Modéstia do corpo




Para mortificar o corpo, comecemos por obervar perfeitamente as regras da modéstia e urbanidade; nisto se encontra abundante matéria de mortificação. O princípio, que nos deve servir de regra, é o de São Paulo: "Não sabeis que os vossos corpos são membros de Santo que reside em vós? Nescitis quoniam corpora vestra membra sunt Christi?... Membra vestra templum sunt Spiritus Sancti." (ICor 6, 15,19)

A) É mister, pois, respeitar o nosso corpo como um templo santo, como um membro de Cristo. Nada desses trajes mais ou menos indecentes, que não são feitos senão para provocar a curiosidade e a volúpia. Cada qual traga o vestido reclamando pela sua condição, simples e modesto, mas sempre asseado e decente. Nada mais ponderado que os conselhos de São Francisco de Sales a este propósito.

"Sede asseada, Filotéia, e nada haja em vós destoante e mal posto... mas fugi o mais possível das vaidades e afetações, das curiosidades e loucuras. Propendei sempre, quando for possível, para a parte da singeleza e modéstia, que sem dúvida é o maior adorno da formosura e a melhor desculpa da fealdade... As mulheres vãs fazem duvidar da sua castidade, pelo menos, se a têm, não transparece entre tantas superfluidades e bagatelas"...(Vie dévote, III. P., ch XXXIV)
São Luís diz numa palavra, "que cada qual se deve vestir conforme o seu estado, de sorte que as pessoas sisudas e os homens de bem não possam dizer: é de mais; nem os jovens: é de menos."


Quanto aos religiosos e religiosas, bem como aos eclesiásticos, todos estes têm sobre a forma e matéria dos vestidos regras a que se devem conformar. É inútil dizer que o mundanismo e afetação estariam completamente deslocados entre eles e não poderiam deixar de escandalizar os próprios mundanos.

B) A compostura do porte é igualmente uma excelente mortificação ao alcance de todos. Evitar com cuidado as posições moles e efeminadas, conservar o corpo direito sem violência e afetação, nem curvado, nem inclinado para um lado ou outro; não mudar com demasiada freqüência de posição; não cruzar nem os pés nem as pernas; não se apoiar indolentemente na cadeira ou sobre o genuflexório; evitar os movimentos bruscos e os gestos desordenados: eis aqui, entre centenas de outros, meios de nos mortificarmos sem perigo para a saúde, sem atrair as atenções, os quais nos dão sobre o próprio corpo grandíssimo domínio.


(A vida espiritual explicada e comentada - Adolph Tanquerey - págs. 414 e 415)

3 de janeiro de 2011

Sê Pura

Encanto e formosura

É puro o lírio, pura a açucena porque são brancos sem mancha alguma. É pura uma moça que tem a alma branca e o corpo sem mácula. Ser pura é não admitir profanações no corpo, templo santo de DEUS. Vós sois o templo de DEUS vivo. “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do ESPÍRITO SANTO, que habita em vós, o qual recebeste de DEUS e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque foste comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a DEUS no vosso corpo” (1 Cor 6, 19-20).

As almas virgens são as delícias de JESUS. Enquanto viveu na Terra, quem foram os seus prediletos? Os humildes e puros: a Virgem Maria Sua Mãe Imaculada, São José e São João Evangelista. No Céu está rodeado de um coro de virgens que Lhe cantam um hino que ninguém mais pode cantar. E tu não queres guardar o teu coração puro para dar gosto a JESUS? Não queres ser amada pelo melhor dos amigos? Não queres gozar da ternura especial que a Mãe de Deus reserva para as almas puras? Não queres ser venerada pelos próprios homens, que, no fim de contas, desprezam a leviandade e a impureza?

A castidade será a tua alegria. Dar-te-á sossego e paz. O teu coração sentir-se-á satisfeito. No teu rosto brilhará a candura e a felicidade. Serás um anjo, feliz neste mundo e feliz sobretudo no outro. É a promessa de JESUS: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a DEUS.” (Mt 5, 8).

E a impureza, que dá? A ruína do corpo e a ruína da alma: remorso, vergonha, desonra, e, quantas vezes, a doença, a morte e o inferno.

A maior parte das almas vai para o inferno por pecados cometidos contra a pureza. Não duvido até afirmar que todos os que se condenam vão para o inferno ou só por este pecado ou, pelo menos com este pecado também. (S. Afonso Maria de Ligório).

Queres ser pura? Com a graça de DEUS podes sê-lo. Basta querer e lutar.

As tentações são muitas? É verdade. Mas a graça dar-te-á força para combater, resistir e vencer. Tomara não tenha havido manchas na tua vida. Se alguma coisa tivesse que reparar, é sempre tempo de lhe por remédio generoso e energético.

Olha para o teu futuro. – Virás a ser um dia mãe de família? A melhor prenda que podes levar para esse estado é o da tua inocência. – Terás uma vocação alta: a virgindade consagrada a DEUS na vida religiosa ou mesmo no mundo? Exulta de alegria... O teu Céu começou já na Terra.

Para seres pura, põe em prática estes conselhos:

CAMINHO:


1 – Recato e modéstia, mesmo quando te encontrares só. DEUS vê tudo, o Anjo da Guarda está sempre presente. As modas livres. Quantas tentações e ruínas elas causam! Julgas que és uma moça interessante e moderna sujeitando-se a essas modas? Dizia Jacinta: “Virão umas modas que ofenderam muito a Nosso Senhor”.

Não guardas a decência no vestir? Estás a caminho de perder a pureza. Mesmo nas praias, nunca te será lícito usar trajes indecorosos.

2 – Não cultives namoros por passatempo, vaidade ou sensualidade (flirt). Não vês que estás à beira dum precipício, e que podes manchar o coração?

3 – Escândalo. Ai de ti se com maneiras imodestas de vestir ou outras leviandades arrastasses alguém para o pecado! São Paulo ameaça: “Não sabeis que sois o templo de DEUS. Se alguém destruir o templo de DEUS, DEUS o destruirá. Porque o templo de DEUS é sagrado.” (Leia: 1Cor 6, 12-20).

4 – Tem cuidado com as leituras: Se causam grave perigo à tua alma, deixa-as. Vence a curiosidade por amor a JESUS. Tem cautela com os postais e revistas ilustradas. Foge dos maus filmes. O DVD* que julgavas bom, pertuba-te? Fecha os olhos. E se o escândalo for grande, por que não sais da sala? Pensas que és a única a proceder assim? Se soubesses quantas jovens de caráter o fazem para a guarda da sua pureza!

5 – Nunca fales de assuntos perigosos. Começaram os outros? Retira-te, muda com habilidade a conversa ou, pelo menos, mantém-te em silêncio.

6 – Afasta os maus pensamentos: Acometem-te muitas fezes? Não te admires. Assim sucede com as outras pessoas, ainda as mais santas. Não há nisso pecado algum. O pecado está na deleitação consentida, na demora maliciosa. Acode ao Coração de JESUS ou a Nossa Senhora com uma breve oração. Não percas a paz. Em geral, o melhor será procurar ocupar-te com algum trabalho, oração ou leitura espiritual, para absorver a imaginação.

7 – Trabalha: Não devaneies. A moça é, por sua natureza, sonhadora. Domina essa tendência e emprega bem o tempo. Não o ocupes em futilidades. Estuda, trabalha, ajuda em casa, ensina o catecismo, reza, leia o Novo Testamento, etc.

8 – Foge das ocasiões: bailes perigosos, danças imorais, intimidade ou convivência de pessoas menos dignas... Foge, como de peste, das más companhias. Falas com algum rapaz? Muita cautela no que dizes e no que ouves. Conversas em lugares retirados; nenhuma moça que se quer manter pura as pode admitir. Quantos perigos nessas ocasiões! Às vozes sedutoras do mal responde com decisão e coragem: Não! Santa Inês era uma encantadora menina de 13 anos. Hoje é venerada em todo o mundo como mártir da pureza. Por que? Porque antes se quis deixar matar que consentir em desobedecer um mandamento de DEUS! O mesmo fizeram Santa Maria Goretti e quantas outras mártires da pureza! Se te vires num momento desses, pede coragem a JESUS e responde decididamente: “Não! Antes morrer que pecar”.

MAIS QUE TUDO:

1 – Sê muito devota do Sagrado Coração de JESUS “fonte de toda a pureza”. Sê também muito devota do Imaculado Coração de Maria que é a Mãe e a protetora das almas puras. Abriga-te bem à sombra do seu manto virginal. Pede-lhe muito a graça da pureza. Que não passe nenhum dia sem rezares o Terço em sua honra.

2 – Faz em honra dos Sagrados Corações de JESUS e Maria, alguns sacrifícios. Resolve: vestir-te sempre modestamente, sem exageros perturbadores, ocupar bem o tempo, fugir das más companhias. Poderás acrescentar também outras mortificações como as que faziam os pastorinhos de Fátima. O demônio da impureza só com oração e penitência de vence.

3 – Reza com freqüência. Vem a tentação? Recorre logo a Nossa Senhora com uma breve jaculatória.

“Ninguém pode resistir, se não recorre a DEUS, quando é tentado... Quem não se recomenda a DEUS está perdido. A única defesa contra estas tentações é a oração. A castidade é uma virtude árdua. Não temos força para guardar sem o auxílio a quem o pede. Quem o pede, obtém-no certamente” (S. Afonso M. de Ligório).

4 – Confessa-te amiúde com muita humildade e contrição. Se não estás verdadeiramente arrependida, com firme propósito de não mais pecar, podes fazer uma confissão nula ou sacrílega. Sê sincera com o confessor. Não te envergonhes. Ele conhece bem as fraquezas da juventude. Com poucas palavras entende tudo.

5 – Comunga muitas vezes. O corpo de JESUS é “o pão dos Anjos” e o Seu Sangue é o “vinho que gera Virgens”. Quando JESUS estiver no teu coração, pede-Lhe com fervor e confiança que não te deixe cair em tentação, que te faça muito pura e humilde.

6 – Acredita. A pureza é difícil. Mas é tal o seu valor, o seu encanto, que vale a pena empregar todos os esforços para consegui-la. Maria Santíssima é imensamente boa e amiga, que te há de ajudar a lutar e vencer. Volta-te com muito amor, humildade e confiança para o seu Coração Imaculado.

Retirado do livro “A Castidade nos Três Estados” – Dr. José Gonzaga Franco Filho – Livraria da Divina Misericórdia Ltda.

* No original: ‘A fita que julgavas boa’.

24 de novembro de 2010

Guarda do Coração‏

A modéstia dos olhos pouco nos servirá se não vigiarmos sobre o nosso coração. “Aplica-te com todo o cuidado possível à guarda do teu coração, diz o Sábio (Prov 4, 27), porque é dele que procede a vida”. É aqui o lugar apropriado para se dizer algumas palavras sobre as amizades e, primeiramente, sobre as santas, depois sobre as puramente naturais e, afinal, sobre as perigosas.

1) Descrevendo São Paulo a corrupção moral dos gentios, enumerava entre seus vícios a falta de sentimento e de susceptibilidade para a amizade. A amizade, segundo São Tomás, é mesmo uma virtude. A perfeição não proíbe se entretenham amizades, diz São Francisco de Sales; exige somente que sejam santas e edificantes, a saber, só devem ser mantidas aquelas uniões espirituais por meio das quais duas, três ou mais pessoas, comunicam entre si seus exercícios de devoção, seus desejos piedosos e sentimentos nobres, tornando-se como que um só coração e uma só alma para a glória de Deus e o bem espiritual próprio e alheio. Com toda a razão podem tais almas exclamar: “Vede quão bom e suave é habitarem os irmãos em união” (Sl 132, 1). São Francisco diz mais que, em tal caso, o suave bálsamo da caridade destila de coração em coração por meio dessas mútuas comunicações, e bem pode-se dizer que Deus lança Sua benção sobre tais amizades, por toda a eternidade (Fil., III, c. 19).

Tais amizades são recomendadas pela Escritura mesma, em termos eloqüentes: “Nada se pode comparar com o valor de um amigo fiel, e o valor do ouro e da prata não iguala a bondade de sua fidelidade” (Ecli 6, 16). “Um amigo fiel é um remédio para a vida e a mortalidade, e os que temem o Senhor encontram um tal” (Idem).

Mas como podeis aconselhar as amizades particulares, dirá alguém, quando elas são tão rigorosamente condenadas por todos os ascetas? Respondo: As amizades particulares são proibidas unicamente nos claustros e com toda a razão, pois é imperiosamente necessário que todos os religiosos se amem mutuamente com amor fraterno, para que haja uma vida comum claustral. Ora, num claustro, as amizades particulares podem facilmente ocasionar perturbações dessa mútua caridade, dando ocasião a invejas, suspeitas e outras misérias humanas. São Basílio não hesitou dizer que as amizades particulares em um convento são uma sementeira perpétua de invejas, de desconfianças e inimizades. O mesmo acontece nas famílias em que o pai ou a mãe tem mais carinhos para um filho que para os outros. Os filhos de Jacó odiavam seu irmão José, porque seu pai lhe dedicava um amor especial.

Não há, além disso, nenhum motivo de se alimentar tais amizades num estado religioso, pois, num convento, onde reinam a disciplina e a ordem, todos os membros tendem ao mesmo fim, à perfeição, e não é necessário travar amizades particulares para animar-se mutuamente ao serviço de Deus e ao trabalho do aperfeiçoamento próprio.

Os que, vivendo no mundo, desejam dedicar-se à prática da virtude verdadeira e sólida, precisam, pelo contrário, de se unir aos outros por uma amizade santa e edificante, para poderem, por meio dela, se animar, se auxiliar e se estimular ao bem. Há no mundo poucas pessoas que tendem à perfeição e muitas que não possuem o espírito de Deus e, por isso, é preciso que os bons, quanto possível, evitem os que podem impedir seu adiantamento espiritual e travem amizade com os que os podem auxiliar na prática do bem.

2) Quanto às amizades puramente naturais, deve-se dizer que elas têm seu fundamento na nossa natureza, que nos compele a amar nossos pais, nossos benfeitores e todos aqueles em quem vemos belas qualidades e com quem simpatizamos. Esta espécie de amizade é o laço da família e da sociedade, mas facilmente degenera em amizades falsas; por exemplo, se os pais, por um carinho demasiado, toleram as faltas de seus filhos, ou se um amigo ofende a Deus para agradar a seu amigo, etc. As amizades naturais só são agradáveis a Deus se as santificarmos por meio da boa intenção; por exemplo, amando a nossos pais e amigos por amor de Deus.

3) Por amizades perigosas entendem-se, em particular, as sensuais, isto é, aquelas que se baseiam sobre uma complacência sensual, sobre a fruição comum de prazeres dos sentidos, sobre certas qualidades fúteis e vãs de espírito e coração. Essas amizades são já por si perigosas, mesmo que, no começo, nada tenham de inconveniente, e devemos guardar nosso coração desembaraçado delas.

a)Quem não evita relações perigosas, cai facilmente no abismo”, diz Santo Agostinho (Serm. 293). O triste exemplo de Salomão bastaria para nos encher de terror. Depois de ter sido amado tanto por Deus, servindo ao Espírito Santo de mão para escrever, travou relações com mulheres pagãs, já na sua velhice, e caiu tão profundamente que chegou a sacrificar aos deuses. Isso, porém, não nos deve estranhar, pois, será para admirar que alguém se queime, permanecendo no meio das chamas? - pergunta São Cipriano (De sing. cler.).

Mas em nossas conversas, graças a Deus, não ocorre nada de mal, dirá alguém. Respondo: Todas as amizades que têm sua origem em afeições meramente materiais são, pelo menos, um grande impedimento à perfeição, ainda que não dessem ocasião a outras coisas. Elas, no mínimo, fazem-nos perder o espírito de oração e recolhimento interior; a alma que está presa por uma afeição natural poderá achar-se corporalmente na igreja, mas seu espírito estará se entretendo com o objeto de seu amor; perderá o amor aos Santos Sacramentos; não será mais sincera para com seu confessor, temendo que ele a obrigue a romper com essa cadeia e, envergonhando-se de lhe descobrir sua afeição, não lhe dirá a causa de sua tibieza, e assim se agrava, de dia para dia, seu estado lastimoso. Ao ouvir que fala mal da pessoa amada, se enfurece, defende-a calorosamente; descuida-se da obediência, pois quando o confessor a exorta a renunciar a tal amizade, procura mil desculpas para não ter de obedecer.

Não é só grande a perda espiritual que se sofre com essas amizades baseadas sobre certas qualidades externas duma pessoa, mas, principalmente se for doutro sexo, é também enorme o perigo que se corre de se se perder eternamente. No começo tais amizades parecem indiferentes, mas tornam-se pouco a pouco pecaminosas e, enfim, arrastam a alma ao pecado mortal. “São como o fogo e a palha, e o demônio não cessa de assoprar até irromper o incêndio”, diz São Jerônimo.

Pessoas de diferentes sexos abrasam-se por causa da muita familiaridade, com a mesma facilidade com que a palha atingida pelo fogo, e, em certo sentido, até com mais facilidade, porque o demônio emprega tudo quanto é apto para atiçar o fogo. Santa Teresa viu-se um dia transportada ao inferno, onde Deus lhe mostrou o lugar que lhe preparara, se não rompesse com um apego puramente natural a um seu parente.

b) Se sentires em teu coração, alma cristã, uma tal afeição para com alguém, não há outro remédio para te libertares dela, senão cortá-la resolutamente de uma vez para sempre, pois, se quiseres renunciá-la pouco a pouco, crê-me, nunca chegarás a desfazer-te dela. Essas cadeias são dificílimas de romper, e só o conseguirá quem as quebrar violentamente, duma só vez. E não venhas com a desculpa de que, até agora, nada ocorreu de inconveniente, pois deves saber que o demônio não começa com o pior, mas só pouco a pouco leva a alma imprudente às bordas do precipício e, então, com um leve empurrão, precipita-as no abismo.

É uma máxima aceita por todos os mestres da vida espiritual de que, neste ponto, não há outro remédio senão fugir e afastar-se da ocasião. São Filipe Néri costumava dizer que, nesse combate, só os covardes saem vencedores, isto é, os que fogem da ocasião. Podemos resistir aos outros vícios ficando na ocasião, diz São Tomás (De mod. conf., c. 14), fazendo violência contra nós mesmos; mas o vício contrário à pureza, porém, só o poderemos vencer fugindo da ocasião e renunciando às afeições perigosas.

Se sentires, porém, teu coração livre e desembaraçado de tais afeições, toma todo o cuidado possível para não te emaranhares em laço algum, como já se tem dado a muitos em razão de sua negligência. Eis o conselho que te dá São Jerônimo (Ep. Ad Eust.): “Se, no trato com alguém, notares que alguma afeição desregrada se quer apoderar de teu coração, apressa-te a sufocá-la antes que se torne um gigante. Enquanto o leão é ainda pequeno, pode ser facilmente trucidado; uma vez crescido, tornar-se-á mui difícil e humanamente impossível”.

Coisa verdadeiramente lamentável e vergonhosa seria se permitisses que fizessem, em tua presença, gracejos indecentes. Não julgues que não pecas calando-te e simplesmente ouvindo tais gracejos; se não evitares o mais depressa possível a companhia de um homem tão insolente, já cooperaste com o seu pecado e te fizeste réu dele. Se receberes de alguém uma carta com palavras amorosas, rasga-a imediatamente ou lança-a ao fogo e não lhe dês resposta. Se, por motivo grave, tiveres de responder, faze-o então em poucas e sérias palavras, e não dês a entender que notaste as tais palavras e muito menos que achaste nelas qualquer prazer.

c) Não repliques também que não há perigo, porque a pessoa de que se trata é piedosa. São Tomás de Aquino diz (De mod. conf., c. 14): “Quanto mais santas são as pessoas pelas quais sentimos afeição particular, tanto mais devemos nos acautelar, porque o alto apreço que fazemos de sua virtude mais nos estimula ainda a amá-las”. O padre Sertório Caputo, da Companhia de Jesus, diz: “O demônio, a princípio, nos inspira amor à virtude daquela pessoa, depois o amor à própria pessoa e, finalmente, nos lança na perdição”. O Doutor Angélico faz notar que o demônio sabe perfeitamente esconder um tal perigo: no começo não dispara seta alguma que pareça envenenada, mas só tais que excitem a afeição, ocasionando leves feridas do coração; em seguida, quando o amor já está aceso, essas pessoas já não se tratam mais como anjos, mas como homens de carne e sangue: trocam repetidos olhares e palavras amorosas, desejam estar muitas vezes a sós, juntas e, por fim, a piedade espiritual degenera em amor carnal.

d) São Boaventura indica cinco sinais dos quais se pode deduzir se a afeição que a alguém nos prende é impura. Primeiro: se se entretêm conversas inúteis; e inúteis são todas as que levam muito tempo. Segundo: se ocorrem olhares e louvores mútuos. Terceiro: se se desculpam as faltas reciprocamente [evitando correções para não desagradar]. Quarto: se aparecem pequenos ciúmes. Quinto: se a separação causa certa inquietação. Eu ajunto ainda: Se se sente grande prazer e gosto nas maneiras ou gentileza natural da pessoa amada, se se deseja que a afeição seja correspondida, e se se não gosta de que outros observem, ouçam ou falem disso.

e) Mas, mesmo as pessoas que pretendem contrair matrimônio, estarão obrigadas a sufocar a inclinação ou simpatia recíproca, suposto mesmo que seja honesta? me perguntará alguém. Se esses futuros esposos estiverem animados de tais sentimentos, que estejam prontos a empregar todos os cuidados para tornar remota a ocasião próxima do pecado, e resolvidos a nunca ofender a Deus por causa de tal afeição, não precisarão romper com ela. A experiência, porém, ensina que os mais nobres sentimentos degeneram facilmente em paixão.

Por esse motivo os teólogos exigem muita cautela com essas pessoas. Sabendo o quanto o coração humano é inclinado ao pecado e quão fraco quando dominado por uma paixão, só permitem tais relacionamentos entre os jovens quando estão em idade e têm vontade séria de se casar; além disso, que não sejam travadas sem o consentimento dos pais, que não se prolonguem por muito tempo e só se namorem quando estiver próximo o casamento; também lhes interditam a conversa a sós, longe das vistas dos pais, grande familiaridade, e tudo o que possa manchar a pureza da alma, seja por pensamentos, olhares, palavras ou gestos.

Do filho de Tobias podemos aprender como os jovens devem se preparar para o casamento. Na cidade de Ragés, na Média, vivia uma piedosa donzela, de nome Sara, filha de Raguel. Estava profundamente aflita porque sete rapazes, que a haviam sucessivamente desposado, haviam sido mortos pelo demônio da impureza, Asmodeu, na primeira noite depois das núpcias. Ora, o anjo Rafael, que acompanhara o jovem Tobias em sua viagem a Ragés, aconselhou-o a pedir Sara em casamento. Ele, porém, a par do ocorrido com os outros homens, temia expor-se ao mesmo perigo. O Anjo, porém, tranquilizou-o, dizendo: “Ouve-me... o demônio só tem poder sobre aqueles que abraçam o estado conjugal excluindo a Deus de seus pensamentos, para satisfazerem unicamente a sua concupiscência, como o cavalo e a mula, que não têm entendimento. Tu, porém, quando receberes a Sara, entra com ela no teu quarto por três dias e três noites, guardando continência, e não te entregues a outra coisa que à oração, e então a receberás em matrimônio no temor do Senhor, levado mais pelo desejo de ter filhos que pela concupiscência, para que sejas abençoado e teus filhos sirvam e glorifiquem a Deus; então nada terás a temer do demônio”. O jovem Tobias seguiu esse conselho, e seu casamento foi muito abençoado por Deus.

Notemos igualmente as quatro exortações dadas a Sara por seus pais, ao se despedirem dela: Primeiro, honra a teu sogro; segundo, ama a teu marido; terceiro, cuida em governar bem tua casa; quarto, porta-te em tudo irrepreensivelmente. Estes avisos devem servir de norma a todos os jovens que pretendem contrair matrimônio.

f) O que dissemos até aqui se refere ao trato com pessoas de diferente sexo. O amor desregrado, todavia, pode existir também existir entre pessoas do mesmo sexo, principalmente se são ainda moços e existe entre eles uma familiaridade por demais íntima. A este respeito, São Basílio diz o seguinte (Serm. de abd. rev.): “Vós que sois ainda jovens, evitai a companhia de vossos iguais, pois, por meio dessas amizades, o demônio já arrastou a muitos para o inferno”. “Alguns começaram com uma afeição aparentemente santa, continua ele, mas pouco a pouco precipitou-os o demônio num lodaçal de vícios os mais abomináveis”. Santa Ângela de Foligno se exprime de modo semelhante (Vit., c. 64): “Ainda que seja o amor a fonte de todo o bem, não deixa de ser igualmente a fonte de todo o mal. Não falo do amor impuro, que deve ser evitado em todo o caso, mas da inclinação, em si inocente, que facilmente pode degenerar em amor desordenado. O trato mui assíduo com outro, com protestos de afeição, tem por conseqüência tornar nocivo o amor, visto que ele prende estreitamente um coração ao outro, obscurecendo a afeição crescente cada vez mais a razão. Em pouco tempo só quererá um o que o outro quer, e então não terá mais coragem de resistir ao outro quando for convidado ao mal, e, assim, se perderão ambos”.

Por isso, os que dedicam à educação da mocidade estão gravemente obrigados a ter os olhos abertos nesse ponto, e não precisam ter escrúpulos, suspeitando mal com algum motivo. Se notarem qualquer apego ou familiaridade entre dois jovens, intervenham imediatamente e conservem-nos rigorosamente separados um do outro.

g) Aqui na terra cada um de nós anda por caminhos escabrosos e em trevas, e se, além disso, ainda um anjo mau, isto é, um mau companheiro, que é pior que um demônio, nos persegue e impele à perdição, como poderemos escapar ilesos? Já Platão dizia: “Tomarás os mesmos modos daqueles com quem convives”. Segundo São João Crisóstomo, para se certificar dos hábitos de alguém, basta saber com quem ele anda, já que os amigos ou são ou fazem-se semelhantes uns aos outros. E isso por duas causas: primeiro, porque um se esforça por imitar o outro para lhe ser agradável; segundo, porque o homem, como nota Sêneca, é inclinado a fazer o que vê os outros fazerem. Dos israelitas lemos: “Eles se mesclaram com os gentios e aprenderam suas obras” (Sl 105, 35). Devemos, portanto, não só fugir do comércio com os impuros, diz o Sábio, mas também nos conservarmos longe de seus caminhos: “Meu filho, não andes com eles e não ponhas o pé em seus caminhos” (Prov 1, 15). Devemos evitar todo o trato com eles, suas conversas ou presentes, com os quais procuram nos enredar. “Meu filho, se os pecadores te atraírem com seus afagos, não condescendas com eles” (Prov 1, 10). “Cairá, talvez, uma ave, no laço armado na terra, sem a isca?” (Am 3, 5). O demônio serve-se dos maus amigos como de iscas, segundo Jeremias, para prender as almas em suas redes de pecado. “Meus inimigos, sem motivo, prenderam-me como se prende uma ave” (Jer 3, 52). Ele diz ‘sem motivo’ porque, pergunto-se a um tal sedutor por que aliciou sua pobre vítima ao pecado, responderá: não havia motivo; eu só queria que ela fizesse como eu. É exatamente essa a astúcia do demônio, diz Santo Efrém: “Capturada uma alma em sua rede, serve-se dela como de uma armadilha para prender a outra” (De rect. viv. rat., c. 22).

Fujamos, pois, a toda familiaridade com tais escorpiões infernais, como se foge da peste. Digo: fujamos à familiaridade, isto é, não travemos amizade com homens viciosos, evitando tomar parte em sua mesa, banquetes ou outros convívios com eles. É impossível evitar todo o comércio com eles, porque então teríamos de sair deste mundo, segundo o Apóstolo (I Cor 5, 10); contudo, é bem possível evitar um trato mais familiar com eles, seguindo o conselho do mesmo Apóstolo: “Eu vos escrevi que não tenhais comunicação com eles... com um tal não deveis nem sequer cear”. Disse ainda: Fujamos de tais escorpiões, pois o profeta Ezequiel designa assim os sedutores: Pervertedores estão contigo e habitas com escorpiões (Ez 2, 6).

Não ousarias, alma cristã, habitar com escorpiões, e certamente te afastarias com toda a pressa de sua proximidade. Pois assim deves evitar os amigos que dão escândalo e envenenam a tua alma com maus exemplos e conversas perversas. Quanto mais estreitamente estão ligados a nós, tanto mais perniciosos se tornam. “Os inimigos do homem são os seus domésticos” (Mat 10, 36). Na Sagrada Escritura se diz: “Quem se compadecerá de um encantador mordido pela serpente e de todos os que se aproximam de animais ferozes? Assim também, quem se compadecerá daquele que se torna companheiro de um homem iníquo?” (Ecli 12, 13). Se um tal homem, por motivo do perigo a que se expõe, cai no pecado e se precipita na condenação eterna, ninguém, nem Deus nem os homens, terá compaixão dele, pois já fôra advertido do perigo.

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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Escola da Perfeição Cristã, compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, tradução do padre José Lopes, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955.


g) Aqui na terra cada um de nós anda por caminhos escabrosos e em trevas, e se, além disso, ainda um anjo mau, isto é, um mau companheiro, que é pior que um demônio, nos persegue e impele à perdição, como poderemos escapar ilesos? Já Platão dizia: “Tomarás os mesmos modos daqueles com quem convives”. Segundo São João Crisóstomo, para se certificar dos hábitos de alguém, basta saber com quem ele anda, já que os amigos ou são ou fazem-se semelhantes uns aos outros. E isso por duas causas: primeiro, porque um se esforça por imitar o outro para lhe ser agradável; segundo, porque o homem, como nota Sêneca, é inclinado a fazer o que vê os outros fazerem. Dos israelitas lemos: “Eles se mesclaram com os gentios e aprenderam suas obras” (Sl 105, 35). Devemos, portanto, não só fugir do comércio com os impuros, diz o Sábio, mas também nos conservarmos longe de seus caminhos: “Meu filho, não andes com eles e não ponhas o pé em seus caminhos” (Prov 1, 15). Devemos evitar todo o trato com eles, suas conversas ou presentes, com os quais procuram nos enredar. “Meu filho, se os pecadores te atraírem com seus afagos, não condescendas com eles” (Prov 1, 10). “Cairá, talvez, uma ave, no laço armado na terra, sem a isca?” (Am 3, 5). O demônio serve-se dos maus amigos como de iscas, segundo Jeremias, para prender as almas em suas redes de pecado. “Meus inimigos, sem motivo, prenderam-me como se prende uma ave” (Jer 3, 52). Ele diz ‘sem motivo’ porque, pergunto-se a um tal sedutor por que aliciou sua pobre vítima ao pecado, responderá: não havia motivo; eu só queria que ela fizesse como eu. É exatamente essa a astúcia do demônio, diz Santo Efrém: “Capturada uma alma em sua rede, serve-se dela como de uma armadilha para prender a outra” (De rect. viv. rat., c. 22).

Fujamos, pois, a toda familiaridade com tais escorpiões infernais, como se foge da peste. Digo: fujamos à familiaridade, isto é, não travemos amizade com homens viciosos, evitando tomar parte em sua mesa, banquetes ou outros convívios com eles. É impossível evitar todo o comércio com eles, porque então teríamos de sair deste mundo, segundo o Apóstolo (I Cor 5, 10); contudo, é bem possível evitar um trato mais familiar com eles, seguindo o conselho do mesmo Apóstolo: “Eu vos escrevi que não tenhais comunicação com eles... com um tal não deveis nem sequer cear”. Disse ainda: Fujamos de tais escorpiões, pois o profeta Ezequiel designa assim os sedutores: Pervertedores estão contigo e habitas com escorpiões (Ez 2, 6).

Não ousarias, alma cristã, habitar com escorpiões, e certamente te afastarias com toda a pressa de sua proximidade. Pois assim deves evitar os amigos que dão escândalo e envenenam a tua alma com maus exemplos e conversas perversas. Quanto mais estreitamente estão ligados a nós, tanto mais perniciosos se tornam. “Os inimigos do homem são os seus domésticos” (Mat 10, 36). Na Sagrada Escritura se diz: “Quem se compadecerá de um encantador mordido pela serpente e de todos os que se aproximam de animais ferozes? Assim também, quem se compadecerá daquele que se torna companheiro de um homem iníquo?” (Ecli 12, 13). Se um tal homem, por motivo do perigo a que se expõe, cai no pecado e se precipita na condenação eterna, ninguém, nem Deus nem os homens, terá compaixão dele, pois já fôra advertido do perigo.

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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Escola da Perfeição Cristã, compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, tradução do padre José Lopes, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955.

12 de novembro de 2010

A cera e o fogo

(Rodrigo Maria Antônio da Silva)

Um dos pontos mais indispensáveis para uma alma conseguir guardar perfeitamente a castidade é a fuga das ocasiões próximas de pecado.

Já foi dito que "em matéria de castidade não há fortes nem fracos. Há prudentes ou imprudentes."

Com o pecado original ocorreu uma desordem nas paixões do homem, desordem esta que o inclina constantemente ao mal e que, com o auxílio da graça, pode  ser domada, mas não extinta durante esta vida, sendo preciso estar sempre  alerta com relação a ela, não lhe dando qualquer ocasião de nos dominar.

Ocasião próxima de pecado é a pessoa, coisa, lugar ou circunstância que atiça as paixões humanas, seduzindo a pessoa a pecar.

Em virtude da fraqueza da natureza humana e da força de atração que o pecado  exerce sobre nós depois da culpa original, expor a própria alma a uma  ocasião perigosa, é praticamente como expor cera ao fogo.

Se pudesse pensar, de nada a cera fugiria tanto quanto do fogo.

O fogo é de tal forma nocivo à cera, e a cera de tal maneira fraca diante dofogo, que basta que aquela fique próxima deste, ainda que este nem a toque, para que ela seja derretida.

A natureza da cera não resiste ao calor do fogo. Derrete-se. É consumida. Evapora-se. Aniquila-se.

Para a pobre "cera" --(que simbolicamente somos nós)-- não há outra alternativa: ou foge do fogo ou nele acha o seu fim.

E se resolve não fugir, à medida em que for se derretendo, o cruel fogo saberá alimentar-se dela, tornando-se ainda mais forte, sempre à espreita de uma nova "cera" imprudente para devorar...

Ora, tanto quanto a cera diante do fogo, assim o homem é fraco, extremamente fraco, diante das ocasiões de pecado, de modo que expor-se a elas imprudentemente e, portanto, sem o auxílio da Graça, é sinônimo de nelas cair.

E, de fato, segundo a clássica doutrina dos moralistas, sob a égide de Santo Afonso de Ligório, expor-se a uma ocasião próxima de pecado mortal, que se poderia evitar, já é pecado mortal de imprudência.

Logo não há outra alternativa para o homem: ou a fuga das más ocasiões, ou a morte espiritual.

E justamente da podridão das almas que assim vão tombando é que as más ocasiões ganham mais e mais força, infestando a sociedade com uma imoralidade que nada parece poder deter...

E assim a cristandade vai derretendo-se, desintegrando-se, aniquilando-se.
Como cera ao fogo...

A reforma da cristandade requer necessariamente que se restitua às almas o horror pelas ocasiões próximas de pecado. Não é possível querer ser cristão e continuar brincando com a própria salvação eterna, expondo-se aos sutis laços do inferno, que são as ocasiões próximas de pecado.

"Pode alguém caminhar sobre brasas sem queimar os próprios pés?" (Prov
VI,28).

Como já dizia um velho e experiente diretor de almas: "Em fugir ou não fugir da ocasião consiste o cair ou não cair no pecado" (Pe. Manuel Bernardes, Sermões e Práticas, II).

E o mesmo autor faz uma curiosa observação: "Nós somos muitas vezes os que  tentamos ao diabo. Por quê? Porque nós somos os que buscamos a ocasião, os  que chamamos por ela; e buscar a ocasião em vez de ela nos buscar a nós é,  em vez de o diabo nos tentar a nós, tentarmos nós ao diabo" (Idem).

Nada auxilia tanto os planos do demônio quanto as ocasiões de pecado. São estas como que as emboscadas onde a toda hora aquela antiga serpente prepara o bote...

Santo Afonso nos conta que "constrangido pelos exorcismos, confessou certa vez o demônio que, entre todos os sermões, o que mais detesta é aquele em que se exortam os fiéis a fugirem das más ocasiões". E o Santo Doutor comenta que, "com efeito, o demônio se ri de todas as promessas e propósitos que formule o pecador arrependido, se este não evitar tais ocasiões" (Preparação para a morte, c. XXXI, p. III).

Muitas pessoas, após certo tempo de vida espiritual, imaginam-se já fortes o suficiente para resistir a qualquer tentação, e lá vão elas permitindo-se já certas liberdades... É o primeiro passo para o precipício.

"Aquele que julga estar de pé, tome cuidado para não cair" (I Cor X, 12).

A este propósito, Santo Afonso recorda "o que se conta de certa espécie de ursos da Mauritânia, que vão à caça de macacos. Estes, ao verem o inimigo, sobem para o alto das árvores. O urso estende-se, então, junto ao tronco, fingindo-se morto, e quando os macacos, confiados, descem ao solo, levanta-se, apanha-os e os devora. Tal é a astúcia do demônio: persuade que as tentações estão mortas e quando os homens condescendem com as ocasiões  perigosas, apresenta-lhes de súbito a tentação que os faz sucumbir. Quantas  almas infelizes, que praticavam a oração, que freqüentavam a Comunhão e que se podiam chamar santas, deixaram-se prender nos tentáculos do inferno,  porque não evitaram as más ocasiões" (ob. cit., idem).

E confirma-o relatando o fato de que "uma senhora virtuosa, no tempo da perseguição aos cristãos, dedicava-se à piedosa obra de recolher e enterrar os corpos dos Mártires. Entre eles encontrou um que ainda respirava. Levou-o  para casa, tratou-o e chegou a curá-lo. Aconteceu, porém, que pela ocasião  próxima, essas duas pessoas, que se podiam chamar santas, perderam  primeiramente a graça de Deus e, depois, até a Fé cristã" (ob. cit.,
ibidem).

E diz ainda: "Em matéria de prazeres sensuais, a ocasião é como uma venda posta diante dos olhos e que não permite ver nem propósitos, nem instruções,  nem verdades eternas; numa palavra, cega o homem e o faz esquecer-se de  tudo. (...) Quem quiser salvar-se, precisa renunciar não somente ao pecado,  mas também às ocasiões de pecado, isto é, deve afastar-se deste companheiro,  daquela casa, de certas relações de amizade..." (ob. cit., ibidem).

Dois foram os remédios que Nosso Senhor nos recomendou explicitamente contra  as tentações: oração e vigilância. "Vigiai e orai, diz Ele, para não cairdes  em tentação" (Mt XXVI, 41). Esta vigilância consiste precisamente na cautela  em evitar as más ocasiões.

"A vigilância é uma conseqüência da humilde desconfiança de nós mesmos e do conhecimento dos perigos a que estamos expostos. Um homem prudente, obrigado a seguir um caminho resvaladio, orlado de precipícios, não avança às cegas;  repara onde põe o pé. (...) Uma surpresa, uma falta de atenção pode lançar-nos no fundo do abismo" (Pe. Chaignon, S. J., Meditações Sacerdotais, vol. II, m. XXII).

Qualquer um que entenda que "levamos este tesouro (da Graça) em vasos de barro" (II Cor IV, 7), compreenderá o quanto precisamos nos cercar de vigilância contra as ocasiões próximas de pecado.

E não será zombar de Deus alguém rezar: "não nos deixeis cair em tentação",e depois ir por si mesmo expor-se ao perigo? Ora, "lançar-nos por própria vontade num mar agitado, esperando que Deus, para nos livrar da morte, o
acalmará e nos estenderá a mão para nos trazer ao porto do salvamento, é querermos que Ele anime a nossa temeridade e recompense a nossa presunção"
(Pe. Chaignon, S. J., ob. cit.).
O ódio de Nosso Senhor às más ocasiões e a radicalidade com que exige que delas nos apartemos, Ele bem o expressou ao dizer:

"Se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos seres lançado no fogo eterno. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena" (Mt XVIII, 8-9).

Evidentemente não se trata de uma ordem para mutilar-nos, mas para ficarmos  longe das ocasiões próximas de pecado, tanto quanto possível.

Importa distinguir, porém, entre as ocasiões próximas de pecado voluntárias e as necessárias, entre as ocasiões próximas absolutas e as relativas (Cf.\ Ad. Tanquerey, Brevior Synopsis Theologiae Moralis et Pastoralis, n. 1170).

Uma ocasião próxima de pecado é voluntária quando a pessoa tem como evitá-la, e, mesmo assim, se expõem a ela, sem grave necessidade. Assim, por exemplo, divertir-se assistindo a um programa imoral de televisão. Evidentemente é essa categoria de más ocasiões que combatemos no presente  artigo. Uma ocasião próxima de pecado torna-se necessária quando a pessoa não tem  como evitá-la, ou existe uma razão grave para expor-se a ela. Assim, por exemplo, o médico que para fins de exame ou tratamento precisa ver suas pacientes despidas. Nesses casos cessa a obrigação grave de evitar a ocasião próxima, restando o dever de cercar-se das precauções que forem possíveis e fortificar a vontade mediante a oração e demais recursos da vida espiritual.
E devem considerar-se ocasiões próximas de pecado absolutas aquelas que habitualmente atentam contra a fragilidade humana comum, que são pedras de  tropeço em si mesmas. Por exemplo, participar de danças imorais. Como estas  ocasiões são um laço para qualquer pessoa, o dever grave de fugir delas subsiste para todos.

Por sua vez, existem as ocasiões próximas de pecado relativas: aquelas que não o são para o comum dos homens, mas apenas para o indivíduo que, por alguma razão especial, encontra nela um perigo próximo de pecado. Assim o entrar em um simples bar, algo indiferente para uma pessoa normal, torna-se ocasião próxima de pecado para um alcoólatra. O dever de evitar ocasiões como estas, existe apenas para aqueles que prevêem que encontrariam nelas um  risco próximo de ceder ao mal. Feitos esses esclarecimentos, o que na prática cada um deve fazer é procurar fugir de tudo que ele saiba ser ocasião próxima de pecado, tanto quanto lhe seja possível. Os próprios Santos sempre fizeram da fuga das ocasiões de pecado um dos pilares de sua vida espiritual. E levaram isso até o extremo. São Luís Gonzaga, por exemplo, guardava o olhar ao ponto de nem saber a cor do teto sob o qual habitava, nem reparar o rosto daqueles com quem convivia.

E por saber que não apenas a santidade, mas a própria salvação eterna é impossível sem a renúncia às más ocasiões, os Santos sempre lutaram ardentemente para destruir essas pedras de tropeço no caminho espiritual de seus irmãos. Por isso a guerra que São João Maria Vianney abriu contra as danças em sua paróquia de Ars, ao ponto de chegar a pagar a organizadores de  bailes para que não realizassem tais eventos. Por isso São Luís de Montfort comprava livros imorais e os rasgava na frente de seus vendedores. Por isso São Domingos Sávio tratou de destruir imediatamente as figuras imodestas que  encontrou com um colega. E inúmeros exemplos como esses poderíamos citar.

Nas missões populares então, missionários como São Luís de Montfort, Santo Afonso Maria de Ligório, Santo Antônio Maria Claret, pregavam ardentemente  contra as más ocasiões, e a esses ardentes sermões correspondiam, por  exemplo, ardentes fogueiras de livros maus, por parte do povo.

Veja-se o testemunho do padre Mateus Testa, companheiro de Santo Afonso, a  respeito das missões por este conduzidas em Nápoles: "Já não se viram irreverências nas igrejas; as mulheres renunciaram àqueles modos de vestir
que causavam a ruína dos fracos; as moças, que haviam desaprendido o pudor,  reencontraram o senso da modéstia; as tabernas perderam a sua clientela; e,  por toda parte, foi o fim, nestas terras e vilarejos, de certas danças e  divertimentos entre homens e mulheres e, sobretudo, entre rapazes e moças.  Cânticos cristãos substituíram as canções licenciosas que essas senhoritas  tinham nos lábios..." (Th. Rey-Mermet, Afonso de Ligório, Ed. Santuário,  1984).

Nos confessionários, a doutrina clássica e unânime entre os moralistas, encabeçados por Santo Afonso, sempre ensinou que o confessor não pode  absolver jamais uma pessoa que não esteja plenamente decidida a romper com  todas as ocasiões próximas de pecado mortal que possa evitar.

Lástima incomparável, porém, é que nestes nossos tempos os pastores das almas, adeptos de uma "Nova Evangelização" que já não convertem ninguém, tenham abandonado a luta contra as ocasiões de pecado.

Quem ainda prega contra as modas indecentes ou contra os banhos públicos nas  praias e piscinas?

Quem ataca a televisão, orientando as famílias a não darem abrigo a essa corruptora eletrônica em seus lares?

Quantas vozes ainda condenam os bailes, discotecas, rodeios, etc, lugares onde simplesmente se respira imoralidade, como todos sabem?

Quem ainda ensina os jovens que no namoro e noivado, não apenas as relações  sexuais, mas também o beijo na boca e os abraços indiscretos são pecado  mortal? Quem lhes ensina que é dever dos namorados e noivos evitar as  ocasiões propícias à fornicação?

E não só as ocasiões de pecado não são mais combatidas, como nas próprias paróquias, hoje, se proporcionam novas ocasiões más, através de certas festas, "cristotecas", certos encontros de jovens...

Quem, no entanto, proporciona uma ocasião próxima de pecado às almas, lembre-se bem de que terá de responder, no último dia, por todos os pecados que tiverem decorrido dessa má ocasião.

E como exemplo do quanto o Céu detesta as más ocasiões, citemos aqui o caso  referido por Santo Afonso em um de seus mais conhecidos livros: "No ano de 1611, no célebre santuário de Maria em Monte-Virgem, aconteceu que, na vigília de Pentecostes, tendo a multidão que aí concorrera profanado a festa com bailes, desregramentos e imodéstia, se ateou de repente um incêndio na casa de tábuas em que estavam os romeiros, e em menos de hora e meia reduziu-a a cinzas, morrendo mais de 400 pessoas. Só sobreviveram cinco que depuseram, com juramento, terem visto a Mãe de Deus com duas tochas acesas pondo fogo no edifício" (Glórias de Maria, trat. IV, n.V).

A virtude da castidade não admite o que os moralistas chamam de "parvitas materiae", ou seja, não há matéria leve contra a castidade: todo pecado contra ela, mesmo os pensamentos e olhares, se consentidos eliberadamente, são pecados mortais. Entenda-se isso, e se entenderá a necessidade e obrigação grave de se fugir de toda ocasião de sensualidade, como são as músicas e danças provocantes, as festas mundanas, as más companhias, os livros maus, os espetáculos onde hajam cenas impudicas, etc.

São Filipe Néri já dizia: "Na luta pela pureza, vence quem foge".
" O sagaz vê o perigo e se esconde, o incauto segue em frente e paga por isso" (Prov XXVII, 12).

Foge, pois, meu irmão, "foge do pecado como de uma serpente, porque, se te aproximares, morder-te-á; seus dentes são dentes de leões que aos homens tiram a vida" (Eclo XXI, 2).

"Fuja, e quão longe puder, fuja (...). Fuja como de ar pestilento, corte-lhe o passo como a incêndio; creia que a fragilidade humana, e a astúcia diabólica, é maior do que ponderação alguma pode declarar" (Pe. Manuel
Bernardes).

Fuja, porque "quem ama o perigo, nele perecerá" (Eclo III, 27).

Como cera ao fogo.

8 de setembro de 2010

A Importância da Castidade


A Pureza, virtude tão estimada pelos santos, mas hoje tão maltratada por nós homens! Se soubéssemos o quanto agrada a Deus a sua observância, assim como os santos, faríamos de tudo para não ofendê-lo com nossas impurezas.

Castidade perfeita é o mais belo florão da Igreja, dizia o papa Pio XII. Pela castidade, várias portas de entrada para os demais pecados são fechadas, pois aprendemos a viver como os santos, buscando essencialmente a Deus. Por ser uma virtude tão apreciada, o demônio usa de suas artimanhas para arrancar de nosso coração o desejo santo de observá-la.

Relatarei algumas práticas heroicas que os santos fizeram para não deixar que o demônio roubasse esse bem de seus corações.

Santo Antão dizia que “basta um olhar impuro para abrir as portas do inferno”, quando são Luís Gonzaga teve conhecimento desta frase começou a guardar os seus olhos com tanta radicalidade, chegando ao ponto de não olhar nunca para as demais partes dos corpos das mulheres, apenas para os seus olhos. Devemos guardar os nossos olhos, porque, como dizia São Domingos Sávio: são duas janelas, onde pode passar anjos como demônios. Disse nosso Senhor Jesus Cristo: “A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, se o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado; mas se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo ficará escuro. Pois se a luz que há em ti são trevas, quão grande serão as trevas”! (Mateus 6, 22-23)

São Luís Gonzaga, em todo tempo de sua vida, nunca sentiu o menor estimulo ou movimento carnal no corpo, nem pensamento ou representação desonesta no espírito, que fossem contrários ao propósito que fizera de ter uma castidade perfeita. Este privilégio transcende de tal modo toda força industrial humana, que bem mostra ter sido dom particular de Deus por intercessão de sua Mãe Santíssima. Quanto se deva apreciar esta isenção, conhecerá que são Paulo (ou falasse de si, ou de outro) três vezes implorou a Deus a graça de livrá-lo do aguilhão da carne (Romanos 13, 14; II Coríntios 7, 1; Gálatas 5, 17).

Uma vez perguntaram a são Jerônimo o motivo por qual ele foi ser eremita, ele deu uma resposta muito simples, “eu temo o inferno”; talvez as pessoas podem pensar que pelo fato de ele estar no deserto, que ele esteja livre de tentações, porque o deserto é um lugar “de encontro pessoal com Deus”, mas não, infelizmente até no deserto satanás o encontrou, o demônio não o deixou  em paz um dia sequer, mas o Senhor Jesus tinha impresso em seu coração um ardente desejo de céu, de perfeição que todos os dias o Espírito Santo inspirava-lhe algo diferente, “temos que ficar atentos as moções do Espírito Santo de Deus”, são Jerônimo fazia de tudo, mas um certo dia a tentação veio com tanta força que ele teve que pegar uma grande pedra e começar a bater no peito, enquanto a tentação não fosse extinta ele não parou de se bater. É claro, como dizia São Francisco de Sales: alguns atos dos santos são para admirar, que nos sirva de lição, porque diz a palavra do Senhor: “Vós ainda não resistes até o sangue em vosso combate contra o pecado”! (Hebreus 12, 4)

São Francisco de Assis, um dia estando indo pregar o evangelho, no meio do caminho lhe sobreveio uma forte tentação, movido pelo “amor a Cristo Jesus” ele tirou a roupa por completo e começou a rolar na neve, rolou até a tentação ir embora. “Vigia atentamente para que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus”. (Hebreus 12, 15)

Certa vez, algumas pessoas prenderam são Tomás de Aquino em um castelo junto com uma mulher, eles o prenderam para que perdesse sua pureza (virgindade), mas “o amor de Deus é infinito, principalmente para seus filhos prediletos, os castos”; São Tomás pegou um tição de fogo e com ele começou a correr atrás da mulher e ela foi embora, logo depois, São Tomás caiu de joelhos, e com os olhos cheios de lágrimas pediu a Jesus Cristo que nunca mais permitisse tal coisa, logo em seguida lhe apareceu seu Anjo da Guarda e lhe cingiu com um cinto divino, um certo cinto de castidade, nunca mais lhe sobreveio tentação parecida. “Orai sem cessar. Guardai-vos de toda espécie de mal”. (Tessalonicenses 5, 17. 22)

Santa Maria do Egito, quando sentia esses impulsos carnais, ajoelhava-se e caía com o rosto em terra e ficava até serem extintas as tentações, as vezes ela ficava dias nesta posição. Poucos são os santos que, por favor de extraordinária graça do céu, chegaram a uma perfeita e total insensibilidade, e se alguns lá chegaram, só a custo de muitas “orações e lágrimas” alcançaram esse dom de Deus.

Assim conta são Gregório nos Diálogos, que santo Equício, sentindo-se em sua juventude molestado por estas tentações, com longas e contínuas orações alcançou que Deus lhe mandasse um Anjo, que o tornou tão livre de toda tentação, como se não tivera corpo.

Do abade Sereno narra Cassiano, que tendo com muitas orações, lágrimas, vigílias e jejuns, obtido primeiramente a pureza de coração e de espírito, com iguais trabalhos, que se entregava noite e dia, recebeu por ministério de um Anjo, tão perfeito dom de castidade corporal, que, nem velando, nem dormindo, nem sonhando, sentiu jamais movimento algum no corpo.

São Luís Gonzaga tinha esse dom de Deus, mas por tanto amor que tinha por esta virtude vivia em tanta comunhão e radicalidade com Deus, ele andava sempre com os olhos baixos, nas ruas e em sua casa.

Nós devemos CRUCIFICAR a nossa própria carne, nisso está o imenso potencial ascético, de esforço, de luta, de morte, da castidade pelo Reino. Crucificar sua própria carne com suas paixões e seus desejos, principalmente o desejo sexual, que está entre os mais imperiosos, isso não é brincadeira. Pois a carne tem aspirações contrárias ao espírito e o espírito contrárias à carne (Gálatas 5, 17). Esse é um inimigo que está dentro de nós, que nos ataca sem trégua, de noite e de dia, quando sós ou acompanhados. Tem um aliado extraordinariamente forte, o mundo, que põe à sua disposição todos os recursos, pronto sempre a lhe dar razão e a defender seus “direitos”, e em nome da natureza, do bom senso, da bondade fundamental de todas as coisas... Esse é o campo “onde mais cotidiana é a batalha e mais rara a vitória” (São Cesário de Arles).

Essa foi a triste experiência daqueles ascetas de alma de fogo, os monges do deserto, levados pela tentação da carne até quase o desespero.

Prestem muita atenção neste relato! “Por doze anos, depois de meus cinquenta anos, o demônio não me concedeu nem uma noite nem um dia de trégua em seus assaltos. Pensando que Deus me tivesse abandonado, e que exatamente por isso estivesse sendo dominado pelo inimigo, decidi antes morrer de forma irracional do que sofrer a vergonha de cair por causa da paixão carnal. Saí e, depois de ter vagado pelo deserto, encontrei a toca de uma hiena; ali meti-me nu, durante o dia, para que as feras me devorassem quando saíssem. Depois de diversas tentativas semelhantes, ouviu dentro de si uma voz que lhe dizia no pensamento: Vá embora, Pacômio, e lute; fiz que você fosse dominado pelo inimigo para que não se ensoberbecesse, pensando que era forte, mas que, reconhecendo sua fraqueza e não confiando demais no seu regime de vida, procurasse a ajuda de Deus.” (Paládio, História Lausaíca)

Todos os santos tiveram tentações, e como vimos, fortíssimas, mas, sempre movidos pelo amor pela virtude e por Deus, sempre saíram vitoriosos!!!

Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram muito espantados e disseram: “Quem poderá então salvar-se?” Jesus, fitando-os, disse: “Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível”. (Mateus 19, 25-26)

Quando vierem estas tentações, lutemos com todas as forças, vamos “dar o sangue na luta contra o pecado” (Hebreus 12,4), e “trabalharmos na nossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2,12), mas devemos, principalmente, buscar as nossas forças e graças em Deus, pois “tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4,13).

Só Deus para te livrar e fazer de ti vitorioso, e nós encontramos Deus pela ORAÇÃO!

“Ficai acordados, portanto, orando em todo momento, para terdes a força de escapar de tudo o que deve acontecer e de ficar de pé diante do Filho do Homem”. (Lucas 21, 36)

“Em matéria de castidade, não à fortes e nem fracos e sim, prudentes e imprudentes!” Jesus nosso Amado nos disse: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação: pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26, 41).

“Que Maria Santíssima, São José e a Santíssima Trindade possam nos dar todo auxílio e fortaleza, para perseverarmos no caminho do amor!”

Marcos Paulo Ferreira Silva.

2 de setembro de 2010

Fugir dos maus companheiros

Há três espécies de companheiros: os bons, os maus e os que não são totalmente maus, mas nem são bons. Com os primeiros podeis entreter-vos e tirareis proveitos; com os últimos, tratai quando houver necessidade, sem contrair nenhuma familiaridade. Quanto aos maus, esses devemos absolutamente evitar. Mas quais são esses maus companheiros? Prestai atenção e ficareis sabendo quais sejam.


Todos os jovens que na vossa presença não se envergonham de ter conversas obscenas, de dizer palavras equívocas ou escandalosas, murmurações, mentiras, juramentos vãos, imprecações, blasfêmias, ou então procuram afastar-vos das coisas da igreja, os que vos aconselham a roubar, a desobedecer aos vossos pais ou a transgredir algum dever vosso, todos esses são maus companheiros, ministros de satanás, dos quais deves fugir mais do que da peste e do diabo em pessoa.


Ah! meus caros, com as lágrimas nos olhos eu vos suplico que eviteis e
aborreçais tais companhias. Ouvi o que diz o Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele. Foge do mal companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a fácie cólubri (Eccl. XXI, 22).


Em suma, se andardes com os bons, eu vos afianço que ireis com os bons ao Paraíso. Pelo contrário, freqüentando companheiros perversos, vos pervertereis também vós, com perigo de perder irremediavelmente a vossa alma. Dirá alguém: São tantos os meus companheiros, que seria preciso sair deste mundo para evitá-los todos. Bem sei que são muitos numerosos os maus companheiros e é por isso mesmo que vos recomendo com empenho que fujais deles.


E se, para não tratar com eles, fosseis obrigados a ficar sozinhos, felizes de vós, porque teríeis em vossa companhia Jesus Cristo, a bem-aventurada Virgem e o vosso Anjo da Guarda. Poderemos encontrar companheiros melhores do que esses?


Contudo pode-se também ter bons companheiros e serão os que freqüentemente os S.S. Sacramentos da Confissão e da Comunhão, os que freqüentam a igreja, os que com as palavras e como exemplo vos incitam ao cumprimento dos vossos deveres e vos afastam da ofensa de Deus.


A estes deveis freqüentar e tirareis muito proveito. Desde que Davi, quando jovem, começou a freqüentar um bom companheiro chamado Jónatas, tornaram-se ambos bons amigos com proveito recíproco, porque um animava ao outro na prática da virtude.


Evitar as más conversas


Quantos jovens estão no inferno por ter dado ouvidos ás más conversas! Estas verdade já a inculcava São Paulo, quando dizia que as conversas inconvenientes nem sequer se devem nomear entre cristãos, porque são a ruína dos bons costumes: Corrúmputi mores collóquia mala. Fazei de conta que as conversas são como os alimentos: por muito bom que seja um prato é suficiente que sobre ele caia uma só gota de veneno para dar a morte aos que dele comerem. O mesmo acontece com a conversação obscena. Uma palavra, um gesto, um gracejo basta para ensinar a malícia a um ou também a muitos meninos, os quais tendo vivido até então como inocentes cordeirinhos, por causa daquelas conversas e maus exemplos perdem a graça de Deus e se tornam infelizes escravos do demônio.


Poderá alguém dizer: Conheço as funestas conseqüências das más conversas; mas como se há de fazer?Estou numa casa, numa escola, num serviço, em uma casa de negócio, em um lugar onde se fazem más conversas. Infelizmente, meus caros jovens, sei que há desses casos; por isso vos indico o modo de sairdes dessa dificuldade sem ofender a Deus.


Se são pessoas inferiores a vós, corrigi-as com rigor; dado o caso que sejam pessoas a quem não convenha admoestar , fugi, se vos for possível; não podendo, ficai firmes em não tomar parte nem com palavras, nem com os sorrisos e dizei no vosso coração: Meu Jesus, misericórdia.


E se, apesar destas precauções, vos achardes ainda em perigo de ofender a Deus, dar-vos-ei o conselho de Santo Agostinho, que diz: Apprechénde fugam, si vis reférre victóriam. Foge, abandona o lugar, a escola, a oficina, suporta todos os males deste mundo, ante que a morar em um lugar ou tratar com pessoas que põem em perigo a salvação da tua alma.


Porque diz o Evangelho, melhor é sermos pobres, desprezados, sofrer que nos cortem os pés e as mãos e até que nos arranquem os olhos e ir assim ao Céu, antes que ter tudo o que desejamos no mundo e depois perder-nos eternamente.


Pode às vezes acontecer que algum companheiro vos escarneça e se ria de vós, mas não importa: tempo virá em que o riso e o sarcasmo dos malvados se transmudará em pranto no inferno e o desprezo dos bons se converterá na mais consoladora alegria no céu: Tristítia vestra vertétur in gáudium.


Notai contudo que, permanecendo vós fiéis a Deus, acontecerá que os vossos mesmos detratores será obrigados a prezar a vossa virtude, já não se atreverão a molestar-vos com os seus perversos motejos.


Onde se achava São Luis Gonzaga, ninguém já se atrevia a proferir palavras menos honestas, e si ele chegava na ocasião em que outros as pronunciavam, diziam logo: Silêncio! Ai vem Luis.


Evitar o escândalo


A palavra escândalo quer dizer tropeço e chama-se escândalo aquele que com palavras ou obras dá a outrem ocasião de ofender a Deus. O escândalo é um pecado enorme, porque rouba a Deus as almas que Ele criou para o Céu e que foram resgatadas com o sangue precioso de Jesus Cristo, e as rouba para entregá-las ao demônio, que as conduzirá ao inferno.


Dessa maneira, o escandaloso pode ser chamado um verdadeiro ministro de Satanás. Quando o demônio com os seus artifícios não consegue de outra forma apoderar-se de algum jovem, costuma servir-se dos escandalosos. De que enormes pecados sobrecarregam sua consciência aqueles jovens que na igreja, nas ruas, nas escolas ou em outros lugares dão escândalos!


Quanto mais numerosas são as pessoas que os vêem, tanto mais grave é a sua culpa aos olhos de Deus. E que deveremos dizer dos que chegam até a ensinar a malícia aos que são ainda inocentes? Ouçam esses infelizes o que lhes diz o Salvador.


Tendo tomado um dia uma criança pela mão, voltou-se para as turbas que o escutavam e disse: “Ai de quem der escândalo a um deste pequeninos que crêem em mim; infelizmente há escândalos no mundo, mas ai de quem der escândalo: melhor lhe fora que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e o atirassem ao fundo do mar”.


Se fosse possível tirar os escândalos do mundo, quantas almas iriam ao Paraíso, as quais, pelo contrário perdem-se eternamente no inferno! Guardai-vos pois desta raça de criminosos: fugi deles como do mesmo demônio.


Uma menina de poucos anos, ao ouvir uma conversa escandalosa, disse a
quem falava:


“Foge daqui, ó demônio maldito”. Se vós, meus caros, quereis ser verdadeiros amigos de Jesus e de Maria, deveis não somente fugir dos escandalosos, mas empenhar-vos em reparar com o vosso bom exemplo o grande mal que eles causam ás almas. Por isso, as vossas conversas sejam boas e modestas; sede devotos na igreja, obedientes e respeitadores para com vossos superiores.


Oh! quantas almas então imitando-vos trilharão o caminho do Céu! E vós tereis a certeza de para lá ir em sua companhia, pois, como diz Santo Agostinho, o que alcança a salvação de uma alma pode fundadamente esperar que há de salvar a sua: Animam salvásti, animam praedestinásti.


São estas as principais coisas das quais vós, meus caros jovens, deveis fugir no mundo, se quiserdes seguir uma norma de vida virtuosa e cristã.


(Excertos do livro: O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos - Parte I - São João Bosco)

1 de setembro de 2010

Sobre o Combate às Paixões


Carte de S. Catarina de Sena sobre o combate às paixões


Para Antônio de Ciolo


Saudação e objetivo


Em nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, caríssimo filho(1) no doce Cristo Jesus, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, vos escrevo no seu precioso sangue, desejosa de vos ver em união de desejo santo com nosso doce Salvador


Ninguém vive sem um amor


Não existe outra maneira de se desprezar o mundo e atingir a pureza perfeita, senão pela conservação da mente e do corpo na continência. Porque a alma que não se aproxima de Deus e não se une a ele pelo afeto do amor, logo se vê longe de Deus, atraída para as criaturas, envolvida em satisfações, prazeres e procura de altas posições no mundo. Ninguém consegue viver sem um amor. E ao amar, transforma-se no objeto amado. A pessoa sempre retira algo daquilo que ama.


O amor humano


Se a pessoa ama o mundo, nele somente encontra sofrimento, porque, pelo pecado, o faz germinar tribulações e males com grande amargura. Nossa carne somente produz mau cheiro, pecado, corrupção. Ao conforma-se com os desejos carnais e a paixão sensível, a alma se envenena e se intoxica mortalmente, pois perde a vida da graça pelo pecado mortal. Eis o que a pessoa recebe do deu amor terno: vive triste, torna-se insuportável a sim mesma. De fato, o próprio Deus permitiu que o afeto desordenado se tornasse insuportável a si mesmo.


O amor divino


Em sentido contrário, todo amor, praticado segundo a vontade divina em união com Deus, traz à pessoa o que existe no Criador, isto é, a máxima doçura. Os servidores de Deus sentem grande prazer, até nos acontecimentos dolorosos e difíceis, pois ao experimentarem a presença de Deus, sentem-se satisfeitos e felizes. Somente Deus pode nos saciar. Deus é mais que nossa alma, maior que todos os seres criados. Tudo o que Deus criou, foi criado para o homem. E o homem foi tirado do nada para amar a Deus de todo o coração, com todo seu afeto. Foi criado para servir a Deus. portanto, os bens terrenos não são capazes de saciar o homem. Mas colocando-os em Deus, a alma humana acha-se em paz e tranquilidade, com o coração aberto para amar a todos na caridade. Então a pessoa procura prestar serviços a todos. Ao auxiliar o próximo, revela o amor que tem por Deus.


E a pureza?


Sendo Deus a máxima e eterna pureza, a união com ele torna a alma e o corpo participante dessa pureza divina. Assim, alma e corpo conservam-se perfeitamente puros. A pessoa prefere morrer a contaminar-se e manchar a mente e os membros corporais pela impureza. Não que se consiga eliminar os pensamentos e os movimentos carnais. Eles não mancham a alma, a não ser que a vontade consinta. Não havendo consentimento voluntário, não há culpa. Há até merecimento em quem resiste e tira, dos espinheiros, a perfumada rosa da pureza perfeita. Dessa maneira, a pessoa adquire maior conhecimento de si, luta contra a própria fragilidade e amorosamente se refugia no Crucificado, com orações humildade e contínuas, convencida de que não existe outro modo de santificar-se, em tão grandes males. Já dissemos antes. Quanto mais a pessoa se aproxima de Deus, de maior pureza participará. Realmente, a pessoa colhe dessas batalhas uma flor puríssima. O remédio para o terrível mal da impureza na enfraquecida carne e em qualquer situação de pecado é este: aproximar-se de Deus com amor e assemelhar-se a ele.


Olhemos para Jesus Cristo.


Filho caríssimo, não fiquemos parados. O tempo é breve e não nos espera. Nem nós o devemos esperar. Coisa terrível é ficar alguém dormindo no sono de total cegueira, sem acordar. É bem verdade, porém, que para acordar e chegar àquela união com Deus, a alma precisa de uma luz! É a luz da fé, que nos faz conhecer nossa miséria e culpa, faz-nos contemplar com pensamento puro o inefável amor de Deus por nós. Deus manifestou seu amor em seu filho Jesus Cristo, o Verbo. E Jesus deu a conhecer seu amor mediante seu sangue derramado num grande incêndio de amor. Qual jovem enamorado pela humanidade, ele correu para a terrível morte na cruz. Como pode alguém opor resistência ao conhecer tão grande amor?


Filho caríssimo, não fujais dessa luz!


Afastai com esforço a nuvem do egoísmo. Olhai com fé viva para o Cordeiro morto e dilacerado, o qual com muito amor vos chama. Ao dar-lhe resposta, atingireis a perfeita união com Deus. E uma vez unido ao Criador, sentireis o perfume da perfeita pureza. Para combater o vício da impureza é importante refletir sobre a dignidade alcançada, por nossa alma e nosso corpo, quando a natureza humana e a divina se uniram em jesus Cristo. Envergonhe-se nossa alma! Sirva-lhe de freio, para não cair na impureza, ver-se elevada acima dos coros angélicos. Eu não duvido! Quando vosso pensamento e vosso desejo se elevarem, toda impureza viciada desaparecerá.


Algumas mortificações necessárias


Mas devemos mortificar nosso corpo, dominando-o com vigílias de oração humilde e contínua. Ocorre abraçar-se com a cruz de Cristo e fugir quanto mais possível de encontros com pessoas que vivem lascivamente. Não duvideis! Deus vos concederá uma imensa graça. Mas devereis cortar – não somente desamarrar – os laços acenados. Procurai organizar decididamente vossa vida. Submetei-vos ao jugo da obediência. Assim destruireis vossa vontade pessoal e mortificares vosso corpo. E experimentareis a garantia da vida eterna. Tenho certeza de que, pelo amor, morareis com Jesus. Vós o fareis. Se não, nada feito!


Conclusão


Eis porque afirmei no início que estava desejosa de vos ver em união de amor com nosso Salvador. Queria que atingísseis a verdadeira pureza e vos libertásseis da paixão (desregrada) , que tanto vos faz sofrer. Tenho certeza de que, se agirdes assim, sereis libertado ou ao menos prefirais a morte ao pecado. Banhai-vos no sangue de Cristo crucificado e iniciai uma vida nova, com a esperança de que vossas culpas sejam consumidas na chama do amor. Quero assumir vosso pecados, destruí-los com lágrimas e preces na fornalha da caridade divina. Quero fazer penitência por vós. Uma única coisa vos peço e a ela vos obrigo! Afastai-vos imediatamente do mundo! Dai-lhe um belo chute. Se não o fizerdes, logo o mundo vos chutará. Não oponhais resistência ao Espírito que vos chama. Nada mais acrescento. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Jesus doce, Jesus amor.


(1) Pelo que sugere a carta, Antônio Ciolo era um gozador da vida. Catarina indica-lhe o caminho a seguir para curar-se do mal.

24 de agosto de 2010

Fuga das ocasiões de pecado: um dos mais graves deveres da vidaespiritual



Santo Afonso Maria de Ligório

"Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!"

I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas

Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!

Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.

O Espírito Santo diz: 'Quem ama o perigo nele perecerá' (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Siena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.

Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: 'Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar' (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: 'eis a porta pela qual poderei entrar', e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.

Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: 'Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti' (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti.

Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.

É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele.

Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): 'Com temor e tremor operai a vossa salvação'. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.

II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente

Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. 'Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma', diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: 'Desviai vossos olhos de uma mulher adornada' (Ecli 9, 8).

Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.

Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.

O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Siena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.

Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.

Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.

Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas.

Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): 'Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção'. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.

Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. 'Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado', diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém.

Mas que há de ruim quando se graceja? dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.

Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.

III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades

Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo.

A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.

Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que ‘aquela casa é o caminho para o inferno’ (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.

Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes.

Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.”

(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã,Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)