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12 de julho de 2013

Santos e demônios II: São Paulo da Cruz

Santos e demônios II: São Paulo da Cruz
(Padre Luis Teresa de Jesus Agonizante, CP)

“Vamos referir, com lhaneza, fatos extraordinários, indubitáveis e autênticos todavia. 

Em França, os biógrafos de santos costumam, antes de entrar nesta matéria, fazer longas dissertações filosóficas, teológicas. etc.. Precauções, pois estamos em épocas dos espíritos fortes. 

Julgamo-nos dispensados desse trabalho por uma razão bem simples: os chamados espíritos fortes, ridicularizadores da crença nos demônios e dos exorcismos da Igreja, encontram-se diante de fatos que lhes pedem pelo menos sérias reflexões. Nos últimos tempos, Satanás teima em zombar de seus zombadores, com estranhos fenômenos, explicáveis somente pela intervenção real do espírito da mentira. 
Serve-se a Providência muitas vezes do demônio para plasmar os santos.

11 de julho de 2013

Santos e demônios I: Santa Gema Galgani



Santos e demônios I: Santa Gema Galgani
(Padre Germano de Santo Estanislau, CP - tradução do Padre Matos Soares)


"Para purificar os Seus escolhidos e fazer deles vítimas de expiação, Deus serve-Se muitas vezes de satanás que, com o seu ódio ao homem, é em Suas mãos o instrumento mais ativo. A Santa Escritura e sobretudo os registros da hagiografia oferecem-nos exemplos numerosos desta conduta da Providência Divina.

 Quando o Senhor quis elevar São Paulo da Cruz a um grau mais eminente de santidade, disse-Lhe no íntimo da sua alma: 'Fazer-te-ei calcar aos pés pelos demônios'. Gema ouviu também um dia palavras semelhantes: 'Prepara-te, minha filha; por minha ordem o demônio vai declarar-te guerra e dar, por esta forma, o último retoque à obra que realizei em ti'. 
Podemos dizer que esta gurra foi geral, isto é, dirigida contra cada uma das virtudes e práticas por meio das quais a jovem virgem se esforçava em caminhar para Deus. Todas desagradavam ao anjo do mal, que as atacou com ódio feroz. Dir-se-ia que, no exercício do seu tenebroso império, não tinha outra preocupação senão perseguir esta pobre menina e procurar meios de a assaltar com tentações.

10 de julho de 2013

Sermão do Beato Estanislau Kostka, de Padre Antônio Vieira

LITERATURA BRASILEIRA
Textos literários em meio eletrônico


Sermão do Beato Estanislau Kostkade Padre Antônio Vieira.
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Edição de Referência:
Sermões.Vol. X Erechim: EDELBRA, 1998.

SERMÃO DO BEATO ESTANISLAU KOSTKA

Da Companhia de Jesus,
Pregado na língua italiana, em Roma, na Igreja de Santo André do Monte Cavallo, Noviciado da mesma Companhia.
Ano de 1674.

Beatus venter qui te portavit. [1]

§1

Louvar filho pela mãe, ou engrandecer a mãe pelo filho, invento não vulgar de uma eloqüência do vulgo. A tríplice geração de Cristo e a tríplice geração de Estanislau. Assunto do sermão: um filho bem-aventurado, beatificado em três mães, e três mães bem-aventuradas e beatificadas em um filho.

Louvar o filho pela mãe, ou engrandecer a mãe pelo filho, invento foi não vulgar de uma eloqüência do vulgo. Assim disse quem não tinha aprendido a bem falar na língua própria, e assim o farei eu na estranha. Hei de falar de um beato, e não posso deixar de beatificar o ventre de que nasceu: Beatus venter qui te portavit (Lc. 11, 27). - Esta é a obrigação de louvar o filho, e esta a necessidade de não poder louvar juntamente a mãe. Mas qual mãe? O filho é Estanislau; e, quando eu ponho os olhos neste bendito filho, vejo uma, duas, e três mães, cada uma das quais o quer por seu. Não basta aqui a espada de Salomão, porque são mais de duas as que litigam.

9 de julho de 2013

As Excelências da Mortificação


 


As Excelências da Mortificação
(Santo Afonso Maria de Ligório)


I. Da mortificação externa

§ I. Necessidade da mortificação externa


A mortificação externa consiste em se fazer e sofrer o que contraria os sentidos exteriores e em se privar daquilo que os lisonjeia. Enquanto ela é necessária para evitar o pecado, é de obrigação absoluta para cada cristão. Se se trata de coisas que licitamente se podem desfrutar, a mortificação não é obrigatória, mas é muito útil e meritória. Contudo, deve-se notar aqui que, para aqueles que tendem à perfeição, a mortificação nas coisas lícitas é absolutamente necessária.

Como pobres filhos de Adão, devemos lutar até a nossa morte, pois 'a carne deseja contra o espírito e o espírito contra a carne' (Gál 5, 17). É próprio dos animais seguir os seus sentidos, enquanto que aos anjos compete cumprir a Vontade de Deus; disso conclui um ilustre escritor que nos tornamos anjos, esforçando-nos por cumprir com a Vontade de Deus, e irracionais, se procuramos satisfazer os nossos sentidos. Ou a alma subjuga o corpo, ou o corpo escraviza a alma.

Em vista disso, devemos tratar o nosso corpo como um cavaleiro trata um cavalo bravio, puxando-lhe fortemente a rédea para que não o derrube, ou como o médico que, estando a tratar de um doente, prescreve remédios que lhe são desagradáveis e proíbe-lhe comidas e bebidas nocivas, que ele apetece. Sem dúvida alguma, seria cruel um médico que permitisse ao doente deixar os remédios prescritos por serem amargos e tomar outros, nocivos, por lhe agradarem. Quanto maior não é, pois, a crueldade de um homem sensual, que quer poupar a seu corpo todos os desgostos nesta vida, e expor, assim, sua alma e seu corpo, ao perigo de ter que sofrer por toda a eternidade penas imensamente maiores.

15 de fevereiro de 2013

O Jejum e a Abstinência na lei da Igreja

Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canônico de 1983.

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as sextas-feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cânon 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as sextas, exceto nas solenidades. [Cânon 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. [Cânon 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até o início dos 60 anos [Cânon 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canônico de 1917.

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para S. Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: segundas, terças, quartas e quintas-feiras da Quaresma. [Cânon 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até os 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as sextas-feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [cânon 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cânon 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: quarta-feira de cinzas, toda sexta e sábado da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), em cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, Assunção, Todos os Santos e Natal. [Cânon 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência aos que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

Fonte: The year of Our Lord Jesus Christ 2009, The Desert Will Flower Press.

(Post originalmente publicado na quaresma de 2009)

14 de novembro de 2012

É proibido fumar? Tomar refrigerante? Usar casaco de pele?


"Não se engane! A polícia da 'nova moralidade' está preocupada em parecer justa e santa nas áreas de menos importância. Assim, se pode pecar com impunidade sem se sentir mal por isso. Então, qual seria a reposta apropriada para um católico?"

Por Michael Voris.

13 de novembro de 2012

É permitido fazer tatuagem?


Por Pe. Peter R. Scott
Traduzido por Andrea Patrícia

O uso de tatuagens não é algo novo na história da humanidade. A destruição de um corpo é vista em muitas sociedades primitivas como um sinal de bravura e conquista, um verdadeiro sinal de honra.

A prática moderna de tatuagens é comparável a isso? Tatuagens estão sob a categoria de automutilação. A automutilação é certamente permissível quando realizada para o bem de todo o corpo, de acordo com o princípio da totalidade, que a parte é para o todo. Isso serve de base para a compreensão do sentido comum destas palavras do Senhor:
“Se teu olho direito é uma ocasião de pecado para ti, arranca-o e lança-o de ti, porque é melhor para ti que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno”. (Mt. 5,29)

19 de outubro de 2012

Sobre o Homossexualismo

O Supremo Magistério da Igreja contém condenações ao homossexualismo? 

Além dos Padres da Igreja, dos santos e dos exegetas, cujos ensinamentos gozam de autoridade e integram o patrimônio eclesiástico, há muitíssimos documentos emanados do Magistério infalível da Igreja condenando o homossexualismo. Dentre esses, destaquemos alguns: 

3o. Concílio Ecumênico de Latrão (1179): "Todos aqueles culpados do vício antinatural - pelo qual a ira de Deus desceu sobre os filhos da desobediência e destruiu as cinco cidades de fogo - se são clérigos, que sejam expulsos do clero e confinados em mosteiros para fazerem penitência; se são leigos, devem ser excomungados e completamente separados dos fiéis" (Cânon 11). 

5o. Concílio Ecumênico de Latrão (1512-1517): Este concílio estabeleceu que qualquer membro do clero surpreendido na prática da homossexualidade seja suspenso de ordens ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro. 

4 de outubro de 2012

O verdadeiro Francisco de Assis não era um Gnomo de Jardim

By Fr. George William Rutler

Em 4 de outubro, devemos dar graças a um dos mais conhecidos e também menos conhecidos de todos os santos. Menos conhecido, sim, pois Francisco de Assis não era um gnomo de jardim, um hippie de olhos meigos brincando com animais e abraçando arvores. Gnomos de jardim não carregam os Estigmas de Cristo.

Um vegetariano? Ele repreendeu um frade que queria se abster de carne em um dia de festa e disse que no natal ele iria “marchar a parede com carne”.
Um iconoclasta? Ele foi meticuloso com as cerimonias da Missa, insistindo que cada vaso sagrado e vestimenta fossem os melhores, e sua regra expulsava qualquer frade que se separava do Papa no menor artigo de fé.

Um pacifista? Ele se juntou a Quinta Cruzada, fervendo desde que 11 mil muçulmanos invadiram Roma e profanaram as tumbas de Pedro e Paulo no ano de 846. Ele foi ao Norte da África em 1219 para converter os Muçulmanos e enfrentou o Sultão al Malik al-Kamil, que tinha acabado de massacrar 5 mil Cristãos em Damietta. Francisco sem medo disse ao Sultão: “É justo que Cristãos invadam a terra que você vive, pois você blasfema o nome de Cristo e aliena com sua adoração todos que puder”. Quando conselheiros pediram a decapitação de S. Francisco de acordo com a lei muçulmana, o Sultão ficou tão tocado com a humildade de Francisco que apenas mandou o espancar, acorrentar e prender, e depois o libertou.

30 de setembro de 2012

Carta Encíclica HUMANI GENERIS


CARTA ENCÍCLICA
HUMANI GENERIS
DO SUMO PONTÍFICE
PAPA PIO XII 
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS
PATRIARCAS, PRIMAZES, 
ARCEBISPOS E BISPOS
E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR 
EM PAZ E COMUNHÃO 
COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE OPINIÕES FALSAS QUE
AMEAÇAM A DOUTRINA CATÓLICA


INTRODUÇÃO
1. As dissensões e erros do gênero humano em questões religiosas e morais têm sido sempre fonte e causa de intensa dor para todas as pessoas de boa vontade e, principalmente, para os filhos fiéis e sinceros da Igreja; mas, de maneira especial, o continuam sendo hoje em dia, quando vemos combatidos até os próprios princípios da cultura cristã.

2. Não é de admirar que haja constantemente discórdias e erros fora do redil de Cristo. Pois, embora possa realmente a razão humana com suas forças e sua luz natural chegar de forma absoluta ao conhecimento verdadeiro e certo de Deus, único e pessoal, que sustém e governa o mundo com sua providência, bem como ao conhecimento da lei natural, impressa pelo Criador em nossas almas, entretanto, não são poucos os obstáculos que impedem a razão de fazer uso eficaz e frutuoso dessa sua capacidade natural. De fato, as verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus transcendem por completo a ordem dos seres sensíveis e, quando entram na prática da vida e a enformam, exigem o sacrifício e a abnegação própria. Ora, o entendimento humano encontra dificuldades na aquisição de tais verdades, já pela ação dos sentidos e da imaginação, já pelas más inclinações, nascidas do pecado original. Isso faz com que os homens, em semelhantes questões, facilmente se persuadam de ser falso e duvidoso o que não querem que seja verdadeiro.

3. Por isso deve-se defender que a revelação divina é moralmente necessária para que, mesmo no estado atual do gênero humano, todos possam conhecer com facilidade, com firme certeza e sem nenhum erro, as verdades religiosas e morais que não são por si inacessíveis à razão.[1]

4. Ademais, por vezes, pode a mente humana encontrar dificuldade mesmo para formar juízo certo sobre a credibilidade da fé católica, não obstante os múltiplos e admiráveis indícios externos ordenados por Deus para se poder provar certamente, por meio deles, a origem divina da religião cristã, exclusivamente com a luz da razão. Isso ocorre porque o homem, levado por preconceitos, ou instigado pelas paixões e pela má vontade, não só pode negar a evidência desses sinais externos, mas também resistir às inspirações sobrenaturais que Deus infunde em nossas almas.

22 de setembro de 2012

O Fim do Senhor

Por São Máximo, o confessor.

Disse o irmão: 

- Desejo, pai, conhecer qual era o fim do Senhor.

Respondeu o ancião:

- Se queres conhecer o fim do Senhor, escuta com inteligência: Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo Deus por natureza, dignou-se fazer-se homem por amor ao homem, [1] e nasceu de uma mulher e sob a lei, segundo diz o divino Apóstolo, [2] para que o homem, observando o mandamento, anulasse a antiga maldição de Adão. Sabendo o Senhor que toda a lei e os profetas pendem dos dois preceitos da lei: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e ao próximo como a ti mesmo, [3] esforçou-se do início ao fim por observá-los humanamente. E aquele que no princípio enganou o homem e teve por isso o império de morte, ou seja, o diabo, vendo àquele de quem o Pai dá testemunho no batismo, e que, recebendo do céu, enquanto homem, o Espírito Santo conatural a Ele, foi ao deserto ser tentado por ele, concentrou contra Ele todo o seu combate, como se O pudesse fazer antepor a matéria do mundo ao amor a Deus. E, sabendo o diabo que há três coisas por que a humanidade toda é turbada, a saber: o alimento, as riquezas e a honra, mediante as quais sempre levou os homens aos abismos da perdição, nessas três coisas O tentou no deserto. Nosso Senhor, no entanto, manifestando ser mais forte que elas, ordenou ao demônio que se retirasse.

10 de setembro de 2012

Os Pecados Contra o Espírito Santo

Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro. (Mt. 12,32)

Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o sangue da aliança, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, autor da graça! (Hb. 10,29)

O pontificado do Papa São Pio X de 1903 a 1914 - em seu Catecismo Maior, ensinou que são seis os pecados contra o Espírito Santo:

O pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição da graça de Deus; é a recusa da salvação. Implica numa rejeição completa à ação, ao convite e à advertência do Espírito Santo.

1º - Desesperar da salvação: quando a pessoa perde as esperanças na salvação, achando que sua vida já está perdida e que ela se encontra condenada antes mesmo do Juízo. Julga que a misericórdia divina é pequena. Não crê no poder e na justiça de Deus.

18 de agosto de 2012

A Revolução, o pecado e a Redenção – A utopia revolucionária

Dentre os múltiplos aspectos da Revolução, é importante ressaltar que ela induz seus filhos a subestimarem ou negarem as noções de bem e mal, de pecado original e Redenção.

1.       A Revolução é, como vimos, filha do pecado. Mas, se ela o reconhecesse, desmascarar-se-ia e se voltaria contra sua própria causa.

Explica-se, assim, por que a Revolução tende, não só a passar sob silêncio a raiz de pecado da qual brotou, mas a negar a própria noção do pecado. Negação radical, que inclui tanto a culpa original quanto a atual, e se efetua principalmente:

- Por sistemas filosóficos ou jurídicos que negam a validade e a existência de qualquer Lei moral ou dão a esta os fundamentos vãos e ridículos do laicismo.

- Pelos mil processos de propaganda que criam nas multidões um estado de alma em que, sem se afirmar diretamente que a moral não existe, se faz abstração dela, e toda a veneração devida à virtude é tributada a ídolos como o ouro, o trabalho, a eficiência, o êxito, a segurança, a saúde, a beleza física, a força muscular, o gozo dos sentidos, etc.

28 de maio de 2012

O Canto Litúrgico

Segundo Santo Tomás de Aquino, In Suma Teológica, II-II, q. 91, a. 2.

• “O louvor pela voz é necessário para estimular a afeição humana por Deus. Por isso, qualquer coisa que seja útil para tal é assumido convenientemente no louvor divino. Também é verdade que, segundo as diferenças das melodias, as pessoas são movidas a sentimentos diferentes. A esta conclusão chegaram Aristóteles e Boécio. Por isso foi salutar a introdução do canto nos louvores divinos para que os espíritos mais fracos fossem mais incentivados à devoção. A este respeito, escreve Agostinho: ‘Inclino-me a aprovar a prática do canto na Igreja para que, pelo deleite auditivo, as almas fracas se elevem em piedoso afeto’. E diz de si mesmo: ‘Chorei a ouvir os teus hinos e cânticos, profundamente emocionado pelas vozes de tua Igreja, que canta suavemente’” (corpus). 

• “Deve-se dizer que os cantos espirituais podem significar não só o que se canta interiormente, mas também o que as palavras sonoras dizem exteriormente: assim, a devoção é estimulada por tais cantos” (ad 1). 

2 de maio de 2012

Se o amigo que se compadece conosco mitiga a tristeza


Por São Tomás de Aquino

(In Iob, cap. II, lect. II; cap. XVI, lect. I; Rom., cap. XII, lect. III; IX Ethic., lect. XIII).
 
O terceiro discute-se assim. — Parece que o amigo que se compadece conosco não mitiga a tristeza.
 
1. — Pois, os contrários são efeitos dos contrários. Ora, como diz Agostinho, quando muitos entre si se comprazem, é mais intenso o prazer de cada um, porque mutuamente se excitam e inflamam1. Logo, pela mesma razão, é maior a tristeza quando muitos estão simultaneamente tristes.
 
2. Demais — A amizade quer ser paga com amizade, como diz Agostinho2. Ora, o amigo compadecido condói-se com a dor do amigo. Logo, essa dor do amigo compadecido é, para o amigo que já antes sofria do mal próprio, causa de outra dor. Por onde, duplicando-se a dor, há-de a tristeza crescer.
 
3. Demais — Todo mal do amigo, bem como o próprio, é causa de tristeza, pois o amigo é outro eu. Ora, a dor é um mal. Logo, a do amigo compadecido aumenta a tristeza do amigo de que ele se condói.
 
Mas, em contrário, diz o Filósofo, que, nas tristezas, o amigo nos consola que sofre conosco3.

A plenitude inicial de graças em Maria


Por Garrigou-Lagrange, Réginald , O.P.

A graça habitual que recebeu a bem-aventurada Virgem Maria no instante mesmo da criação de sua santa alma foi uma plenitude, na qual já se verificava aquilo que viria dizer o anjo no dia da Anunciação: « Ave Maria, cheia de graça ». É o que afirma, com a tradição, Pio IX, ao definir o dogma da Imaculada Conceição.
 
Ele diz mesmo que Deus, desde o primeiro instante, « de preferência a qualquer outra criatura (prae creaturis universis), fê-la alvo de tanto amor, a ponto de se comprazer nela com singularíssima benevolência. Por isto cumulou-a admiravelmente, mais do que a todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade »1.
 
Perfeição desta plenitude inicial
 
Poderíamos citar aqui, sobre este ponto, inúmeros testemunhos da tradição2 Cf. Terrien, La Mère de Dieu, t. II, 1, VII, pags. 191-234. – De la Broise, S. J., La Sainte Vierge, cap. II e XII, e Dict. Apol., art. Marie, col. 207, ss. . Insistiremos sobretudo sobre as razões teológicas comumente invocadas pelos Padres e teólogos.

15 de março de 2012

Anedotas e exemplos ilustrativos do Catecismo

Paixão e Ascensão

Pergunta: Que lições aprendemos dos sofrimentos e morte de Cristo?
Resposta: Dos sofrimentos e morte de Cristo aprendemos o grande mal do pecado, o ódio que Deus sente por ele e a necessidade de pagarmos por isso.

O filósofo desapontado

Auto-sacrifício abnegado em favor dos outros, mesmo até a morte, é uma das credenciais mais seguras dos embaixadores de Deus. Um membro do Diretório Francês, de nome Lepaux, concebeu, depois de muito pensar por longo tempo, uma nova religião que ele denominou Filantropia (o moderno altruísmo). Contudo, ele não conseguiu nenhum discípulo. Um dia, ele reclamava sua falta de sucesso para Talleyrand, o grande e conhecido estadista. “Eu não estou nem um pouco surpreso com seu fracasso”, este respondeu. “Se você deseja sucesso, vá e faça milagres; cure os doentes, ressuscite os mortos; deixe-se crucificar e ser enterrado e ressuscite no terceiro dia. Faça isto, e acredite, todo o mundo o seguirá.” O filósofo viu a verdade na afirmação do estadista e saiu um homem mais humilde do que quando chegou. Os mensageiros especialmente enviados de Deus devem não só fazer milagres, mas devem ser modelos de auto-sacrifício como uma confirmação de sua pregação e uma prova de sua missão divina.

12 de fevereiro de 2012

Domingo da Sexagésima


Constituição da religião

É outra parábola que o Evangelho de hoje nos apresenta: a do semeador.

O semeador é Deus que lançou a semente divina da religião, - a sua palavra, - no terreno das almas que compõem este campo imenso da humanidade.

Esta semente, infelizmente, não caiu toda no bom terreno; uma parte caiu em terreno duro, outra em terreno pedregoso, outra em terreno coberto de espinhos e outra em terreno fértil.

É o que explica que ao lado da única religião verdadeira, há várias religiões falsas. Todas, no fundo, como veremos, provêm da semente divina; o terreno, porém, não era próprio para o seu desenvolvimento: daí nasceram plantas raquíticas, outras disformes, outras quase desconhecíveis.

No fundo de todas as religiões, encontra-se entretanto, um ponto comum: suas partes constitutivas, que correspondem às três grandes aspirações do homem: conhecer, amar e servir.

A estas três aspirações correspondem as 3 partes essenciais da religião que são:

17 de janeiro de 2012

Da perplexidade do coração, que ama sem saber que agrada ao bem-amado



Por São Francisco de Sales
Tendo ficado surdo, um cantor nenhum contentamento tinha em cantar, a não ser o que ver algumas vezes seu príncipe atento a ouvi-lo e achar prazer nisto. Oh! que ditoso é o coração que ama a Deus sem nenhum outro prazer senão aquele que acha em agradar a Deus! porquanto, que prazer se pode jamais ter mais puro e mais perfeito do que o que se haure no prazer da Divindade?

Sem embargo, propriamente falando, esse prazer de agradar a Deus não é o amor divino, mas apenas um fruto dele, que dele pode ser separado, como um limão do seu limoeiro. Pois, como eu disse, o nosso músico cantava sempre sem tirar nenhum prazer do seu canto, já que disto o impedia a surdez: e múltiplas vezes cantava também sem ter o prazer de agradar ao seu príncipe, porque, havendo-lhe este ordenado cantar, retirava-se ou ia à caça, sem tomar nem o lazer nem o prazer de ouvi-lo.

16 de janeiro de 2012

Como Aprender a Meditar (Hugo de São Vitor)

A humildade é necessária ao que deseja aprender.
A humildade é o princípio do aprendizado, e sobre ela, muita coisa tendo sido escrita, as três seguintes, de modo principal, dizem respeito ao estudante.
A primeira é que não tenha como vil nenhuma ciência e nenhuma escritura.
A segunda é que não se envergonhe de aprender de ninguém.
A terceira é que, quando tiver alcançado a ciência, não despreze aos demais.
Muitos se enganaram por quererem parecer sábios antes do tempo, pois com isto envergonharam-se de aprender dos demais o que ignoravam. Tu, porém meu filho, aprende de todos de boa vontade aquilo que desconheces. Serás mais sábio do que todos, se quiseres aprender de todos. Nenhuma ciência, portanto, tenhas como vil, porque toda ciência é boa. Nenhuma Escritura, ou pelo menos, nenhuma Lei desprezes, se estiver à disposição. Se nada lucrares, também nada terás perdido. Diz, de fato, o Apóstolo: