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1 de novembro de 2011

Festa de Todos os Santos - 1º Novembro


“Alegremo-nos todos no Senhor na solenidade de todos os Santos, pela qual se alegram os Anjos e louvam o Filho de Deus. Exultai, ó justos, no Senhor. O louvor fica bem aos retos. Glória ao Pai.” (Intróito)


O Cordeiro, Rei do Céu, primeiro e ultimo, alfa e ômega, que nos resgatou com o seu sangue, impera do seu trono rodeados dos quatro animais simbólicos da visão de Ezequiel, no esplendor dos sete candelabros de ouro, diante dos anjos das sete Igrejas, no meio dos vinte e quatro ancião cingidos com as suas coroas.

Festa de Todos os Santos - 1º Novembro

A celebração da Festa de Todos os Santos nos recorda os heróis da Igreja de Cristo, através dos tempos, a começar da santíssima Virgem Maria, dos Apóstolos e dos mártires dos primeiros séculos. Essa ininterrupta sucessão chega até os nossos dias, constituindo a maior glória da Igreja. As biografias dos santos são verdadeiras apologias da veracidade e da historicidade do fato cristão e, ao mesmo tempo, do ensinamento evangélico, que norteou suas vidas, até atingirem o cume da santidade.


A força do Evangelho tem sido capaz de converter sucessivas gerações, porque não se trata de um mero manual de filosofia ou de ética. A Palavra é o próprio Cristo, que se revela, e como que estabelece as balizas para o caminho da santidade, à qual somos destinados, como nos diz São Paulo: “Deus nos escolheu em Cristo, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos” (Ef 1,4).

22 de junho de 2011

Corpus Christi

A festa do Corpo de Deus por São Pedro Julião Eymard

"Haec est dies quam fecit Dominus." - "Eis o dia que fez o Senhor" (Sl 117,24)

Todos os dias provêm de Deus e devem à Sua Bondade sucederem-se com tão admirável regularidade. Todavia, se, entre sete, Deus dá seis aos homens, para seus trabalhos e suas necessidades, reserva-se um para Si. O domingo é, portanto, de modo especial, o Dia do Senhor. Mas, entre todos, há um que é sobremodo o dia de Deus, - chamado - Corpus Christi, dia em que na verdade, o Senhor reservou para Si, para Sua glória e para manifestar Seu Amor. E quão belo é o nome! Dia festivo para Deus e também para nós. Vejamos agora por quê.

I - A festa de Corpus Christi, designada pela Igreja festa do Corpo Sagrado de Jesus Cristo, Festum sacratissimi Corporis Christi, é o único dia que é consagrado a honrar tão-somente Sua adorável Pessoa, Sua Presença viva por entre nós. As outras festas, belas e fecundas em graças, honrando a Deus, celebram algum Mistério de Sua vida passada.

São no entanto, mera lembrança, o aniversário de um passado remoto que só revive na nossa piedade. O Salvador não se encontra mais nesses Mistérios. Seu dia veio, mas passou e hoje só Sua graça neles permanece. Aqui, trata-se de um Mistério atual. A festa dirigi-se à Pessoa de Nosso Senhor, vivo e presente entre nós, e por isso celebra-se de modo particular.

11 de junho de 2011

Domingo de Pentecostes: Nele faremos morada

Homilia de São Gregório Papa

Convém, caríssimos irmãos, tratar com brevidade das palavras da leitura evangélica, para que, depois, possamos permanecer mais tempo na contemplação de tamanha solenidade. Eis que hoje o Espírito Santo vem sobre os discípulos com um estrondo repentino, mudando as suas idéias das coisas carnais para o seu amor, e, por fora aparentando como línguas de fogo, por dentro se fizeram labaredas no coração, porque, enquanto recebiam Deus na visão de fogo, ardiam suavemente por amor. Este Espírito Santo, pois, é o amor: por isso mesmo diz João: "Deus é amor". Portanto, aquele que deseja a Deus com reta intenção, já possui Aquele Que ama, visto que ninguém poderia amar a Deus se não tivesse Aquele Que ama.

Mas vede: se qualquer um de vós for perguntado se ama a Deus, com toda confiança e segurança responda: Amo. No começo dessa leitura ouvistes o que a Verdade diz: Se alguém Me ama, guardará Minha palavra. A prova do amor, portanto, é a manifestação das obras. Sobre isso, em sua epístola, o mesmo João diz: Quem diz "Amo a Deus" e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso. Verdadeiramente amamos a Deus e guardamos os Seus mandamentos se refreamos os nossos apetites. Quem se dissipa pelos desejos ilícitos, por isso mesmo não ama a Deus: porque Lhe diz "Não" com a sua vontade.

1 de junho de 2011

In Ascensione Domini


 Por Dom Gaspar Lefebvre, O.S.B


Ao terminar sua vida terrestre, Jesus sobe ao Céu como triunfador. A Igreja aclama-O na sua humanidade santa, chamada a sentar-se à direita do Pai e a partilhar a sua glória. Mas a Ascensão de Jesus é o penhor da nossa. Animada de imensa esperança a Igreja ergue os olhos para o seu Chefe, que a precedeu na pátria celeste e nela a introduziu em sua pessoa, porque o Filho de Deus, tendo incorporado a Si aqueles que a inveja do demônio expulsara do paraíso terrestre, os leva com’Sigo, na sua Ascensão para o Pai.
Toda a vida da Igreja se enquadra entre a Ascensão do Senhor e a sua segunda vinda, no fim dos tempos. Segura de não ser iludida em sua esperança, propaga a mensagem do Senhor e difunde, por toda a parte, a sua graça até o dia em que Ele há de voltar, para introduzir definitivamente, na glória de seu Pai, todos aqueles que veio arrancar ao poder de Satanás.


Fonte: http://www.saopiov.org

24 de abril de 2011

Domingo de Páscoa

Intróito. Sl. 138, 18 e 5 – 6. Ressurgi e ainda estou convosco, aleluia: colocastes sobre mim a vossa mão, aleluia; admirável se manifestou a vossa ciência, aleluia, aleluia. Sl. Vós, Senhor, me provastes e conhecestes. Vós conheceis o dia da minha morte e da minha ressurreição. V. Glória ao Pai.
Coleta – Ó Deus, que pelo triunfo do vosso Filho Unigênito sobre a morte, nos abristes hoje de novo o caminho da eternidade, fazei que realizemos com a vossa ajuda os desejos que a vossa graça nos inspira. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo.

Leitura da Epístola de S. Paulo Apóstolo aos Coríntios (1, 5, 7 - 8). Meus irmãos: Purificai-vos do velho fermento, para que sejais uma nova massa, assim como sois ázimos. Porquanto Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos, pois, a festa, não com fermento velho, nem com fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da pureza e da verdade.

Gradual. - Sl. 117, 24 et I. Este é o dia que o Senhor fez. Exultemos e rejubilemos nele. V. Glorificai o Senhor, porque Ele é bom e é eterna a sua misericórdia.

Aleluia, aleluia. (I Cor., 5, 7) V. Cristo foi imolado como nossa Páscoa.

Seqüência

À Vítima Pascal vinde, cristãos, imolar louvores.
O Cordeiro resgatou as ovelhas. Cristo inocente
reconciliou com o Pai os pecadores.
A morte e a vida travaram entre si singular combate;
e o Autor da vida, havendo morrido,
reina agora vivo.

Diz-nos, ó Maria, o que viste no caminho?
Vi o túmulo de Cristo que está vivo
e a sua glória de ressuscitado;

Vi as testemunhas angélicas, o sudário e a mortalha:
Cristo, a minha esperança, ressuscitou
e preceder-vo-á na Galiléia.

Sabemos, sim, que o Senhor ressuscitou
dos mortos. Vós, ó Rei vitorioso,
tende misericórdia de nós.
Amém. Aleluia.

Evangelho segundo S. Marcos (16, 1 – 7). Naquele tempo: tendo passado o dia de sábado, Maria Madalena e Maria mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ir embalsamar Jesus. E (partindo) no primeiro dia da semana, de manhã cedo, chegaram ao sepulcro quando o sol já era nascido. E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da boca do sepulcro? Mas, olhando, viram removida a pedra, a qual era muito grande. E, entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, coberto com um vestido branco, e ficaram assustadas. E ele disse-lhes: Não temais: buscais a Jesus Nazareno (que foi) crucificado? Ressuscitou, não está aqui; eis o lugar onde o depositaram. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como Ele vos disse.

Ofertório. Sl. 75, 9 - 10. – A terra estremeceu e ficou em paz, quando Cristo por sua virtude ressuscitou, aleluia.

Secreta – Dignai-Vos receber, Senhor, as preces do vosso povo e juntamente a oblação deste sacrifício, para que santificados com estes mistérios pascais nos conciliem, por vossa graça, remédios de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prefácio Pascal - É verdadeiro digno e justo, necessário e salutar que Vos louvemos, Senhor, em todo o tempo, mas de modo particular neste dia, em que foi imolado Jesus Cristo, nossa Páscoa. É Ele, com efeito, o verdadeiro Cordeiro, que tirou os pecados do mundo, que morrendo destruiu a nossa morte e com sua ressurreição nos restituiu a vida. Por isso, em união com os Anjos e Arcanjos, com os Tronos e Dominações, com toda a milícia do exército celeste, cantamos um hino à vossa glória, repetindo sem fim: Santo, etc.

Comunhão. I Cor. 5, 7 – 8. Cristo, nossa Páscoa, foi imolado, aleluia. Por isso celebremo-la com ázimos de pureza e de verdade, aleluia, aleluia, aleluia.

Depois da comunhão. – Derramai sobre nós, Senhor, o espírito da vossa caridade e fazei, por vossa misericórdia, que vivam concordes aqueles que saciastes com estes mistérios pascais. Por Nosso Senhor... em unidade do mesmo Espírito Santo.

17 de abril de 2011

Domingo de Ramos

Jesus faz a sua entrada triunfal em Jerusalém.

Ecce rex tuus venit tibi mansuetus, sedens super asinam et pullum filium subiugalis – “Eis que o teu Rei aí vem a ti cheio de mansidão, montado sobre uma jumenta e um jumentinho, filho do que está sob o jugo” (Mat. 21, 5).

Sumário. Imaginemos ver Jesus na sua entrada triunfal em Jerusalém. O povo em júbilo lhe vai ao encontro, estende seus mantos na estrada e juncam-na de ramos de árvores. Ah! Quem teria dito então que o Senhor, acolhido agora com tão grande honra, dentro em poucos dias teria de passar ali como réu, condenado à morte? Mas é assim: O mundo muda num instante o Hosanna em Crucifige. E não obstante isso somos tão insensatos, que por um aplauso, por um nada nos expomos ao perigo de perdermos para sempre a alma, o paraíso de Deus.

I. Estando próximo o tempo da Paixão, o nosso Redentor parte de Betânia para fazer a sua entrada em Jerusalém. Contemplemos a humildade de Jesus Cristo, que, sendo o Rei do céu, quer entrar naquela cidade montado numa jumenta. – Ó Jerusalém, eis que o teu rei aí vem humilde e manso. Não temas que Ele venha para reinar sobre ti ou apossar-se das tuas riquezas; porquanto vem a ti cheio de amor e piedade para te salvar e dar-te a vida pela sua morte.

Entretanto os habitantes da cidade, que, havia já tempos, o veneravam por causa de seus milagres, foram-Lhe ao encontro. Uns estendem os seus mantos na estrada por onde passa, outros juncam o caminho, em honra de Jesus, com ramos de árvores. – Oh! Quem teria dito que o mesmo Senhor, acolhido agora com tanta demonstração de veneração, havia de passar por ali dentro em poucos dias como réu condenado à morte, com a cruz aos ombros!?

Meu amado Jesus, quisestes fazer a vossa entrada tão gloriosa, afim de que a vossa paixão e morte fossa tanto mais ignominiosa, quanto maior foi a honra então recebida. A cidade, ingrata, em poucos dias trocará os louvores que agora vos tributa, por injúrias e maldições. Hoje cantam: “Glória a vós, Filho de Davi; sede sempre bendito, porque vindes para nosso bem em nome do senhor.” E depois levantarão a voz bradando: Tolle, tolle, crucifige eum (1) – “Tira, tira, crucifica-O”. – Hoje tiram os próprios vestidos; então tirarão os vossos, para vos açoitar e crucificar. Hoje cortam ramos e estendem-nos debaixo de vossos pés; então tomarão ramos de espinheiro, para Vos ferir a cabeça. Hoje bendizem-Vos, e depois hão de cumular-Vos de contumélias e blasfêmias. – Eia, minha alma, chega-te a Jesus e dize-Lhe com afeto e gratidão: Bendictus, qui venit in nomine Domine (2) – “Bendito o que vem em nome do Senhor”.

II. Refere depois o Evangelho, que Jesus chegando perto da infeliz cidade de Jerusalém, ao vê-la, chorou sobre ela, pensando na sua ingratidão e próxima ruína. – Ah, meu Senhor, chorastes então sobre Jerusalém , mas chorastes também sobre a minha ingratidão e perdição; chorastes ao ver a ruína que eu a mim mesmo causava, expulsando-Vos de minha alma e obrigando-Vos a condenar-me ao inferno. Peço-Vos, deixai que eu chore, pois que a mim compete chorar ao lembrar-me da injúria que Vos fiz ofendendo-Vos. Pai Eterno, pelas lágrimas que vosso Filho então derramou por mim, dai-me a dor de meus pecados, já que os detesto mais que qualquer outro mal e resolvido estou a amar-Vos para o futuro, de todo o coração.

Depois que Jesus entrou em Jerusalém, e se fatigou o dia todo na pregação e na cura de enfermos, quando chegou a noite, não houve quem o convidasse a descansar em sua casa; pelo que se viu obrigado a voltar para Betânia. – Santa Teresa considerando certa vez num Domingo de Ramos, naquela descortesia para com o seu divino Esposo, convidou-o humildemente a vir hospedar-se no seu pobre peito. Agradou-se o Senhor tanto do convite de sua esposa predileta, que, ao receber a sagrada Hóstia, afigurava-se à Santa que tinha a boca cheia de sangue vivo e ao mesmo tempo gozava uma doçura paradisíaca.

Também tu, meu irmão, dirige a Jesus, especialmente quando te aproximas da santa comunhão, o convite que venha hospedar-se em tua alma, afim de não sofrer mais. – E agora roga a Deus que, “tendo ele feito Nosso Senhor tomar carne e sofrer a morte de cruz, para dar ao gênero humano um exemplo de humildade para imitar, te conceda a graça de aproveitar os documentos de sua paciência e de alcançar a glória da ressurreição” (3). – Recomenda-te também à intercessão da Virgem Maria. (*I 601)

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1. Io. 19, 5.
2. Math. 21, 9.
3. Or. Dom. curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 392 - 395.)

2 de abril de 2011

Missa do quarto domingo da Quaresma

Intróito. Is. 66, 10 e 11. Rejubila , Jerusalém, e vós todos que a amais, reuni-vos para partilhar do seu júbilo. Regozijai-vos com ela de prazer, vós que tendes vivido na tristeza, porque sereis fartos de consolações abundantes. Sl. Alegrei-me naquilo que me foi dito: Iremos para a casa do Senhor. V. Glória ao Pai.
Coleta – Daí, Senhor onipotente, que sendo merecidamente castigados pela nossa má conduta, encontremos refrigério na paz da vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Leitura da Epístola de S. Paulo Apóstolo aos Gálatas (4, 22 – 31). Irmãos: Está escrito que Abraão teve dois filhos: um da escrava e outra da (mulher) livre. Mas o da escrava, nasceu segundo a carne; e o da livre (nasceu) em virtude da promessa; estas coisas foram ditas por alegoria. Porque estas (duas mães) são os dois testamentos. Um do monte Sinai, que gera para a escravidão: este é (figurado em) Agar; porque o Sinai é um monte da Arábia, o qual corresponde à Jerusalém daqui debaixo (isto é, a Sinagoga), a qual é escrava com seus filhos. Mas aquela Jerusalém, que é de cima, (isto é, a Igreja de Jesus figurada em Sara) é livre, e é nossa mãe. Porque está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não dás à luz; exulta e clama, tu que não estás de parto; porque são muitos mais os filhos da (que estava) abandonada (como estéril) que os daquela que tem marido. E nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaac. Mas, assim como então aquele que tinha nascido segundo a carne perseguia o que tinha nascido segundo o espírito, assim (acontece) também agora. Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava e o seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com o filho da livre. Por isso, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da livre; e é com esta liberdade que Cristo nos fez livres.

Gradual. - Sl. 121, 1 et 7. Alegrei-me naquilo que me foi dito: Iremos para a casa do Senhor. V. Haja paz nas tuas torres e abundância no teus celeiros.

Tracto. Sl. 124, l - 2. Aqueles que confiam no Senhor são como a montanha de Sião, porque não vacilará jamais o que habita em Jerusalém. Está cingida de montanhas e o Senhor vela em volta do seu povo agora e sempre.

Seqüência do S. Evangelho segundo S. João 6, 1 – 15. Naquele tempo: Passou Jesus à outra banda do mar da Galiléia, isto é, de Tiberíades; e seguia-o uma grande multidão, porque via os milagres que fazia em favor dos enfermos. Subiu, pois, Jesus a um monte; e sentou-se ali com seus discípulos. Ora a Páscoa, a festa dos Judeus, estava próxima. Jesus, pois, tendo levantado os olhos, e visto que vinha ter com Ele uma grande multidão, disse a Filipe: Onde compraremos nós pão para dar de comer a esta gente? Dizia, porém, isto para o experimentar, porque sabia o que havia de fazer. Respondeu-lhe Filipe: Duzentos dinheiros de pão não bastam para que cada um receba um pequeno bocado. Um de seus discípulos, (chamado) André, irmão de Simão Pedro, disse-Lhe: Está aqui um jovem, que tem cinco peixes; mas que é isto para tanta gente? Jesus, porém, disse: Fazei sentar essa gente. E havia naquele lugar muito feno. Sentaram-se, pois, em número de cerca de cinco mil (homens). Tomou, pois, Jesus os pães, e, tendo dado graças, distribui-os aos que estavam sentados; e igualmente dos peixes, quanto eles queriam. Estando saciados, disse a seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que se não percam. E eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que tinham comido. Vendo então aqueles homens o milagre que Jesus fizera, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo. E Jesus, sabendo que o viriam arrebatar para o fazerem rei, retirou-se de novo ele só para o monte.

Ofertório. Sl. 134, 3 et 6. – Louvai o Senhor, porque é bom; cantai ao seu nome um salmo, porque é suave e fez no Céu e na Terra tudo o que quis.

Secreta – Dignai-Vos olhar, Senhor, com bondade para este sacrifício e fazei que nos aproveite ao progresso espiritual e à salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prefácio da Quaresma

Comunhão. Sl.121, 3 - 4. – Jerusalém, cidade santa, cujas partes formam um todo admirável, lá sobem as tribos do Senhor para louvar o seu nome.

Depois da comunhão. – Daí, ó Deus de misericórdia, que celebremos com piedade sincera e recebamos de coração puro os vossos santos mistérios, de que sem cessar nos alimentamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

26 de março de 2011

Missa do terceiro domingo da Quaresma


Intróito. Sl. 24, 15 - 16. Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor, porque Ele desembaraçará dos laços os meus pés. Olhai, Senhor, para mim e tende compaixão, porque sou sozinho e pobre. Sl. A Vós, Senhor, levantei a minha alma. Tenho confiança em Vós, ó meu Deus, não serei confundido. V.Glória ao Pai.

Coleta – Olhai, Senhor onipotente, para os votos dos humildes, e estendei em nossa defesa a destra da vossa majestade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Leitura da Epístola de S. Paulo Apóstolo aos Efésios (5,1 – 9). Irmãos: Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados; e andai no amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós a Deus, como oferenda e hóstia de suave odor. E nem sequer se nomeie entre vós a fornicação, ou qualquer impureza, ou avareza, como convém a santos; nem palavras torpes, nem loucas, nem chocarrices, que são coisas inconvenientes! Mas antes (saiam da vossa boca) ações de graças (a Deus). Porque, sabei-o bem, nenhum fornicador, ou impuro, ou avaro, o qual é um idólatra (do dinheiro), terá herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos seduza com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos rebeldes. Não queirais, pois, ter comunicação com eles. Porque outrora éreis trevas, mas agora (sois) luz no Senhor. Andai como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste em toda a espécie de bondade, de justiça e de verdade.

Gradual. - Sl. 9, 20 et 4. Levantai-Vos, Senhor, e não deixeis que o homem prevaleça. Chamai os povos a juízo. V.Vós fizestes voltar para trás o meu inimigo, porque diante da vossa face todos se sentem fracos e perecem.

Tracto. Sl. 122, l - 3. A Vós, Senhor, que habitais nos Céus, levantei os meus olhos. V. Assim como os olhos do servo se fitam nas mãos do senhor.V. e os da escrava nas mãos da senhora: assim o nosso olhar se fixa no nosso Deus até que se compadeça de nós. V. Tende compaixão de nós, Senhor, tende compaixão de nós.

Seqüência do S. Evangelho segundo S. Lucas 11, 14 – 28. Naquele tempo: Estava Jesus expulsando um demônio, e ele era mudo. E depois de ter expulsado o demônio, falou o mudo, e se admiraram as gentes. Mas alguns deles disseram: Ele expele os demônios em virtude de Belzebu, príncipe dos demônios. E outros, para o tentarem, pediam-lhe (que lhes mostrasse) um prodígio do céu. Ele, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo será desolado, e cairá casa sobre casa. Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como pode subsistir o seu reino? Porque vós dizeis que por virtude de Belzebu é que eu lanço fora os demônios. Ora, se é por virtude de Belzebu que eu lanço fora os demônios, vossos filhos por virtude de quem é que o fazem? Por isso eles serão os vossos juízes. Mas se é por virtude de Deus que eu expulso os demônios, certamente chegou a vós o reino de Deus. Quando um valente armado guarda a entrada da sua casa, estão em segurança os bens que possui. Mas se, sobrevindo outro mais forte do que ele, o vencer, tira-lhe todas as suas armas, em que confiava, e repartirá os seus despojos. Quem não é comigo, é contra mim; e quem não colhe comigo, desperdiça. Quando o espírito imundo saiu dum homem, anda por lugares secos, buscando repouso; e, ao o encontrando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E, quando vem, a encontra varrida e adornada. Então vai, e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali. E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. E aconteceu que, enquanto ele dizia estas palavras, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse-lhe: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos a que foste amamentado. Mas ele disse: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus, e a põem em prática.

Ofertório. Sl. 18, 9, 10, 11 et 12. – Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração do que os guarda; e os juízos do Senhor são mais suaves que o mel dos favos. E o vosso servo guarda-os fielmente.

Secreta – Que esta vítima, Senhor, nos lave da mácula do pecado e nos santifique na alma e no corpo para celebrar dignamente este sacrifício. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prefácio da Quaresma

Comunhão.Sl.83,4 - 5. – A ave encontrou ninho e a rola morada para colocar os seus filhos: são os vossos altares, Senhor dos exércitos, meu Rei e meu Deus! Felizes os que habitam na vossa casa: Eles Vos louvarão eternamente.

Depois da comunhão. – Dignai-Vos, Senhor, livrar de todo o pecado e perigo aqueles que admitistes à participação dos vossos excelsos mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

19 de março de 2011

Missa do segundo domingo da Quaresma

Intróito |  Sl. 24, 6,3 e 22.

Recordai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia e da vossa piedade, que já vem desde o princípio, e não deixeis que os inimigos nos sobrepujem, mas livrai-nos, ó Deus de Israel, de toda a nossa aflição. Sl.(ibid., 1 –2) A Vós, Senhor, levantei a minha alma. Tenho confiança em Vós, ó meu Deus, por isso não serei confundido. V. Glória ao Pai.

Coleta – Ó Deus, que nos vedes destituídos de toda a virtude, guardai-nos interior e exteriormente e, defendendo o nosso corpo de toda a adversidade, purificai a nossa alma dos maus pensamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Leitura da Epístola de S. Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses (I, 4, 1 – 7). Irmãos: Nós vos rogamos e suplicamos no Senhor Jesus que, como aprendestes de nós, de que maneira deveis andar e agradar a Deus, assim andeis para ir progredindo cada vez mais (na perfeição). Pois sabeis que preceitos vos dei, por parte do Senhor Jesus. Porquanto esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que eviteis a fornicação, que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santidade e honra, não nas paixões da concupiscência, como fazem os Gentios, que não conhecem a Deus; e que ninguém oprima ou engane o seu irmão em qualquer assunto, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como já vos dissemos e atestamos. Porque Deus não vos chamou para a imundície, mas para a santidade em Jesus Cristo Nosso Senhor.

Gradual | Sl. 24, 17 - 18. A angústia do meu coração dilatou-se, arrancai-me, Senhor, da minha extrema miséria. V.Vede onde caí e como sofro e perdoai todos os meus pecados.

Tracto | Sl. 105, l - 4. Louvai o Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia. V. Quem cantará as maravilhas do Senhor, e publicará os seus louvores? V.Ditosos os que guardam a justiça e a praticam a todo o tempo. V. Lembrai-Vos, Senhor, de nós segundo o amor que tendes ao vosso povo, e visitai-nos com a vossa salvação.

Seqüência do S. Evangelho segundo S. Mateus 17, 1 - 9. Naquele tempo: Tomou Jesus consigo Pedro e Tiago e João, seu irmão, e levou-os aparte a um alto monte, e transfigurou-se diante deles. E o seu rosto ficou refulgente como o sol, e as suas vestiduras tornaram-se brancas como a neve. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias falando com Ele. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é nós estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e outro para Elias. Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem resplandecente os envolveu; e eis que (saiu) da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu Filho dileto em quem pus toda a minha complacência; ouvi-o. E, ouvindo isto, os discípulos caíram de bruços, e tiveram grande medo. Porém Jesus aproximou-se deles, e tocou-os, e disse-lhes: Levantai-vos, e não temais. Eles então, levantando os olhos, não viram ninguém mais senão Jesus. E, quando desciam do monte, Jesus ordenou-lhes dizendo: Não digais a ninguém o que vistes, até que o Filho do homem ressuscite dos mortos.

Ofertório | Sl. 118, - 47 et 48. – Meditarei nos teus preceitos, que amei com ardor; e levantarei as minhas mãos para cumprir os teus mandamentos, que amei.

Secreta – Dignai-Vos olhar, Senhor, com bondade para este sacrifício e fazei que nos aproveite para progresso espiritual e salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prefácio da Quaresma

Comunhão | Sl.5,2 - 4. – Ouvi o meu clamor e atendei, ó meu Deus e Senhor, às vozes da minha oração, porque é por Vós, Senhor, que eu chamo.

Depois da comunhão. – Nós vos suplicamos, Senhor onipotente, que façais que dignamente Vos sirvam os que alimentais com estes sacramentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

12 de março de 2011

Missa do primeiro domingo da Quaresma


INTRÓITO | Salmo 90. 15-16, 1

Invocar-Me-á, e Eu ouvi-lo-ei: Salvá-lo-ei e glorificá-lo-ei, e enchê-lo-ei de largos dias. Sl. O que habita à sombra do Altíssimo descansará sob a proteção do Deus dos Céus. Glória ao Pai.

COLETA

Ó Deus, que purificais anualmente a vossa Igreja com a observância do jejum quaresmal, fazei que a vossa família alcance, por boas obras, o que porfia merecer pela abstinência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não se faz nenhuma comemoração

EPISTOLA de S. Paulo aos Coríntios II. 6. 1-10

Exortação premente a que não recebamos em vão a graça de Deus. Ao dirigir-no-la, S. Paulo descreve o seu combate pessoal e mostra que a vitória de Cristo se manifesta numa vida como a sua.

Irmãos: Exortamo-vos a que não recebais em vão a graça de Deus. Diz Ele, com efeito: Ouvi-te no tempo favorável, e ajudei-te no dia da salvação: O tempo favorável, é agora; é agora o dia da salvação1. A ninguém sejamos ocasião de escândalo, para que o nosso ministério não seja desacreditado; ao contrário, afirmemo-nos, em tudo, como ministros de Deus, mostrando toda a paciência — nas tribulações, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nas sedições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns; com a castidade, com a ciência, com a longanimidade, com a mansidão, com o Espírito Santo, com uma caridade não fingida, com a palavra da verdade, com o poder de Deus, com as armas ofensivas e defensivas da justiça, entre a glória e a ignomínia, entre a boa e a má reputação; tidos por impostores apesar de verazes; como pessoas obscuras, embora bem conhecidas; como gente a morrer, embora bem vivos; como castigados, mas sem estar à morte; como tristes, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos: como não tendo nada, mas possuindo tudo.

GRADUAL | Salmo 90. 11-12

O Senhor incumbiu os seus anjos de velar por ti, e que te guardassem em todos os teus caminhos. Levar-te-ão em suas mãos, para que não tropeceis.

TRATO | Salmo 90. 1-7, 11-16

Cântico pleno de certezas. Aquele que confia no Senhor, nada tem a recear.
O que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Deus do Céu descansará. Dirá ao Senhor: Tu és o meu defensor e o meu refúgio; o meu Deus em Quem esperei. Porque Ele livrou-me do laço dos caçadores e das palavras venenosas. Cobrir-te-á com as suas asas, e debaixo das suas penas vivevrás na esperança. A sua verdade cercar-te-á como um escudo, e não recearás os terrores da noite, Nem a seta que voa de dia, nem o inimigo que anda nas trevas, nem os assaltos do demônio do meio-dia. Cairão mil ao teu lado, e dez mil à tua direita; a ti, porém, nada te atingirá. Porque Ele incumbiu os seus anjos de velar por ti, e que te guardassem em todos os teus caminhos. Eles te levarão nas suas mãos, para que não tropeces nas pedras do caminho. Sobre o áspide e o basilisco andarás, e calcarás aos pés o leão e o dragão. Porque esperou em Mim, livrá-lo-ei; protegê-lo-ei, porque conheceu o meu Nome. Clamará a Mim, e Eu ouvi-lo-ei: com ele estou na tribulação. Livrá-lo-ei, e glorificá-lo-ei: enchê-lo-ei de dias, e mostrar-lhe-ei a minha salvação.

EVANGELHO segundo S. Mateus 4. 1-11

“Não é indigno do nosso Redentor permitir que fosse tentado, Ele que viera entregar-se à morte. Convinha, porém, que, pelas suas tentações, triunfasse das nossas, pois que viera com sua morte vencer a nossa” (S. Gregório, em matinas).

Naquele tempo: Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo demônio. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Aproximando-se, então, o tentador, disse-Lhe: Se és Filho de Deus, dize a estas pedras que se convertam em pão. Ele, porém, respondendo disse: Está escrito: O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus2. Então o demônio transportou-O à cidade santa; e, pondo-O sobre o pináculo do templo, disse-lhe: Se és filho de Deus, lança-te daqui abaixo. Porque está escrito: Incumbiu os seus anjos de velarem por ti: eles te tomarão em suas mãos, para que não tropeces nas pedras do caminho3. Jesus respondeu-lhe: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus4. De novo o demônio o transportou a um monte muito alto, e lhe fez ver todos os reinos do mundo, e a sua magnificência. E disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Então Jesus disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: O Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás5. Então o demônio deixou-o: e eis que os anjos se aproximaram, e o serviam.

OFERTÓRIO | Salmo 90. 4-5

O Senhor cobrir-te-á com as suas asas, e debaixo das suas penas viverás na esperança. A sua verdade cercar-te-á como um escudo.

SECRETA

Oferecendo-Vos solenemente, Senhor, este sacrifício no princípio da Quaresma, humildemente Vos pedimos que, pela restrição dos alimentos corporais nos leveis a não cair nos prazeres pecaminosos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prefácio da Quaresma

COMUNHÃO | Salmo 90. 4-5

O Senhor cobrir-te-á com as suas asas, e debaixo das suas penas viverás na esperança. A sua verdade cercar-te-á como um escudo.

DEPOIS DA COMUNHÃO

Fazei, Senhor, que este divino sacramento nos renove as forças, e, purificando-nos dos erros do homem velho, nos faça entrar na posse do mistério da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

19 de fevereiro de 2011

A Época da Páscoa

O domingo da Septuagésima enceta o segundo ciclo do ano eclesiástico, a época da Páscoa, que termina com o último domingo de Pentecostes.

A – Preparação para a Festa da Páscoa

Os três domingos consecutivos da Septuagésima, Sexagésima e Qüinquagésima, têm por fim encaminhar os fiéis à preparação próxima da festa da Páscoa: a Quaresma.

Chama-se Quaresma os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Essa preparação existe desde o tempo dos apóstolos, que limitaram sua duração a 40 dias, em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto. Durante esse tempo a Igreja veste seus ministros com paramentos de cor roxa e suprime o cânticos de alegria: o “Glória”, o “Aleluia” e o “Te Deum”.

Na IV.ª feira depois do Domingo da Qüinquagésima, dia em que começa a Quaresma, a Igreja faz a imposição das cinzas (Quarta-feira de Cinzas), para lembrar aos fiéis que são pó e em pó se hão de tornar.

Nesse tempo santo convém:

a)     Fazer penitência, observando a lei do jejum;

b)    Ouvir com freqüência a palavra de Deus;

c)     Preparar-se por uma boa confissão para a comunhão pascal.

Em virtude de um indulto especial, concedido à América do Sul, os fiéis, de 21 anos completos até 60 anos de idade, são somente obrigados a jejuar: com abstinência de carne, na Quarta-feira de Cinzas e nas sexta-feiras; sem abstinência de carne, nas quartas-feiras e na Quinta-feira Santa. [Porém, agrada a Nosso Senhor que você faça sacrifícios em honra ao seu Sacratíssimo Coração].

O quinto domingo da Quaresma chama-se Domingo da Paixão. A partir desse dia, a Igreja, em sinal de luto, encobre com um véu as estátuas e as imagens de Nosso Senhor e dos santos. Na sexta-feira dessa semana é a festa de Nossa Senhora das Dores.

A última semana é a Semana Santa; chama-se santa, porque nesses dias se comemoram os maiores mistérios praticados por Jesus Cristo para a redenção do gênero humano. Começa com o:

Domingo de Ramos. – Antes da Missa paroquial, o sacerdote benze solenemente os ramos e os distribui ao clero e aos fiéis, que os levam primeiro em procissão e depois para suas casas. Esta cerimônia simboliza a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, seis dias antes de sua paixão. Durante a Santa Missa canta-se ou lê-se a narração da Paixão, escrita por São Mateus (na terça-feira a de São Marcos; na quarta-feira a de São Lucas e na sexta a de São João), que exprime claramente quais devem ser os sentimentos e afetos do verdadeiro cristão durante toda a Semana Santa.

Na quarta, quinta e sexta-feira, realizam-se, à tarde, ofícios chamados trevas, porque antigamente eram cantados à noite. Findos, apagavam-se as luzes para simbolizar o luto da Igreja e a escuridão que baixou à Terra quando Nosso Senhor morreu. Conservou-se este costume até hoje, apagando-se as velas do candieiro triangular e as do altar, uma por uma, ao fim de cada salmo. Durante o ofício das trevas cantam-se as lamentações do profeta Jeremias sobre Jerusalém. Os três últimos dias têm igualmente, cada um, ofícios e cerimônias peculiares para os atos religiosos.

A Quinta-feira Santa é consagrada à comemoração da instituição do Santíssimo Sacramento e do sacerdócio católico. As principais cerimônias desse dia são:


  1. – Em cada igreja paroquial e conventual celebra-se uma só Missa, na qual os outros sacerdotes recebem da mão do celebrante a Santa Comunhão para imitar, de forma particular, a ceia do Senhor, em que Jesus fez pela primeira vez a consagração e os apóstolos comungaram de sua mão.
  2. – A Igreja parece esquecer sua dor por um instante, para festejar o grande mistério da Eucaristia. Os paramentos sacerdotais e o véu da Cruz do Altar-mor são de cor branca; ouve-se o cântico “Glória”, durante o qual repicam solenemente todos os sinos, emudecendo depois até ao Sábado de Aleluia.
  3. – O Padre consagra duas hóstias grandes, uma das quais conserva para o ofício da Sexta-feira Santa, porque naquele dia, em que Jesus Cristo ofereceu o sacrifício cruento no monte Calvário, não há consagração nas santas funções.
  4. – Terminada a Missa, leva-se solenemente para o outro altar festivamente preparado e chamado santo sepulcro, a segunda hóstia grande que acaba de ser consagrada e que há de servir no dia imediato, para a Missa dos pressantificados.
  5. – Depois da cerimônia precedente, retiram-se do Altar-mor o Santíssimo, adornos, panos, etc., enquanto o sacerdote, com os ministros, reza o salmo 21, no qual David profetizou a paixão do Salvador com as circunstâncias de sua morte no Calvário. Os bispos consagram nas catedrais, durante a Missa, os santos óleos que devem servir para a administração do batismo e da extrema-unção, e em seguida o santo crisma, usado no batismo, na confirmação e na sagração de novos bispos.
  6. – Em memória da humildade de Jesus, que neste dia lavou os pés aos apóstolos, o bispo em sua catedral, os superiores em suas igrejas de conventos, lavam os pés de doze pobres (ou súditos), beijam-nos com respeito, enxugam-nos com as próprias mãos, compenetrados dos mesmos sentimentos de humildade e caridade que tinha o Salvador.
  7. – Durante todo esse dia as irmandades e os fiéis em geral fazem a guarda de honra a Jesus Sacramentado.

Sexta-feira Santa. – As cerimônias desse dia são todas lúgubres e tristes, porque visam representar o luto e a dor em que se acha a Igreja, pela morte de seu fundador. O celebrante e os ministros aproximam-se do altar, trajando paramentos pretos. Chegados lá, prostram-se, estendidos no chão; depois erguem-se e procede à leitura de uma lição da Sagrada Escritura e da Paixão. Seguem as orações solenes que a Igreja faz por todo o mundo, mesmo por seus maiores inimigos, para imitar Nosso Senhor. Ao concluí-las, o celebrante, despindo a casula, dirige-se ao lado da epístola, e descobre sucessivamente os braços e a cabeça da cruz; coloca-a no degrau do altar e, de pés descalços, prostra-se três vezes, adorando Jesus Cristo representado na Cruz. Finda esta cerimônia, traz-se ao altar, em procissão solene, a Hóstia consagrada, que desde a véspera se achava no santo sepulcro. Chagado o préstito ao altar, o sacerdote a levanta, para ser adorada e comunga.

Sábado de Aleluia. – Esse dia é consagrado especialmente a honrar a sepultura de Nosso Senhor. As principais cerimônias são:


  1. – Bênção do fogo novo, que se tira dum sílex, e com o qual se acende um círio de três bicos, outras velas e a lâmpada do santuário;
  2. – Bênção do círio pascal, como o canto do Exsultet;
  3. – Leitura das profecias;
  4. – Bênção da água batismal;
  5. – Ladainha de todos os Santos; e
  6. – Missa solene com Glória, durante a qual se tocam os sinos e se cantam as Aleluias.

Ao meio-dia acaba o tempo de jejum.

Evangelhos desta Época


Análogos aos evangelhos depois da Epifania, que representam o magistério de Jesus, os do Domingo da Septuagésima até a Páscoa recordam seu sacerdócio. O lance culminante é o sacrifício cruento no altar da cruz.

Domingo da Septuagésima: Já os homens, antes da vinda de Jesus, participam dos frutos da redenção, e nunca é tarde demais para salvar-se: Os operários da vinha: São Mateus, 20, 1-16.

Domingo da Sexagésima: Para se salvar, porém, é necessário aceitar de boa vontade a doutrina de Jesus Cristo e pô-la em prática: Parábola do semeador. São Lucas, 8, 4-15.

Domingo da Qüinquagésima: Jesus mesmo prediz sua paixão, mas o gênero humano ainda é cego para compreender esse mistério. O Messias terá de abrir-lhe a vista espiritual, por sua graça e doutrina: Predição da paixão e cura do cego de Jericó: São Lucas, 18, 31-43.

Quarta-feira de Cinzas: A quarta-feira de Cinzas marca o início do tempo quaresmal. O Evangelho fala do modo de jejuar: São Mateus, 6, 16-21.

I Domingo da Quaresma: Jesus começa as funções de seus sacerdócio pela penitência, jejuando 40 dias, e pela humilhação, sujeitando-se às tentações do demônio: Jejum e tentação de Jesus: São Mateus, 4 1-11.

II Domingo da Quaresma: A esta humilhação segue a exaltação na transfiguração dobre o monte Tabor. A Transfiguração de Jesus: São Mateus, 17, 1-9.

III Domingo da Quaresma: Os fariseus se opõem à missão sacerdotal de Jesus; seu ódio aumenta de dia a dia, enquanto o povo, empolgado pelos milagres de Jesus, o reconhece como Salvador: A Cura do cego mudo: São Lucas, 11, 14-28.

IV Domingo da Quaresma: À humilhação que sofreu o Senhor pelos insultos dos judeus, segue a ovação do povo por motivo da multiplicação dos pães. O milagre em si é uma figura do sacrifício incruento do Novo Testamento: A multiplicação dos pães: São João, 6, 1-15.

Domingo da Paixão: O ódio dos judeus contra Jesus toma tal incremento que acusam o divino Salvador de ter relação com o demônio e procuram apedrejá-lo. Discussão com os judeus: São João, 8, 46-59.

Domingo de Ramos: Também a estas perseguições de que Jesus é vítima, segue-se um contraste na: Entrada triunfal em Jerusalém: São Mateus, 21, 1-9.

Quinta-feira Santa: Jesus Cristo, o sacerdote por excelência, institui o sacrifício do Novo Testamento: São João, 13, 1-15.

Sexta-feira Santa: Dia mais memorável de quantos têm havido desde a criação do mundo, no qual se registra o fato único na história: a morte de Deus humanado pela salvação da humanidade.

Para o Evangelho lê-se a paixão de Cristo segundo São João.

Sábado de Aleluia: O caráter do dia é um misto de dor e de júbilo; a Igreja, se bem que de luto, propõe aos fiéis o evangelho da ressurreição: São Mateus, 28, 1-7.

Retirado do livro História Sagrada do Antigo e do Novo Testamento do Frei Bruno Heuser, O.F.M..

[Nota do site].

25 de janeiro de 2011

O Altar


O altar é o lugar onde se opera um dos maiores milagres.


Os Santos lhe deram nomes os mais gloriosos: v.g. "a mesa sagrada, a mesa celeste, a mesa mística, onde os justos recebem o penhor da vida eterna; a cadeira e o trono, o túmulo de Jesus".


Nos primeiros tempos a Igreja se servia de altares de madeira, para nos lembrar da mesa do Cenáculo e do instrumento da nossa Redenção. Esses altares tinham a forma de túmulos. Hoje o altar do Sacrifício deve ser de pedra. Se for de madeira, bronze, prata ou ouro, é necessário que o lugar onde devem repousar as Santas espécies, seja de pedra.


Outrora colocava-se ordinariamente o altar sobre o túmulo dos mártires, ou ao menos punham-se relíquias de um ou de muitos deles gloriosos testemunhos de Jesus. Hoje a Santa Igreja ainda exige que se não consagre altar sem colocar relíquias de Santos.


Espécies de altares


a) Altar fixo ou imóvel: é aquele que se consagra per modum unius a mesa com sua base ou tronco.


b) Altar móvel ou portátil: é a pedra de uma dimensão suficiente para receber o Cálice e a Hóstia. O altar portátil chama-se ordinariamente pedra sagrada.


O altar deve ser coberto de 3 toalhas de linho ou cânhamo para receber o precioso Sangue se por um acidente se derramar no altar.


Simbolismo do altar


O altar representa Jesus Cristo, verdade essa que reluz brilhantemente nas cerimônias da respectiva sagração.


O Bispo sagrante faz duas unções sobre o altar; uma com o óleo, símbolo da misericórdia de Jesus, outra com o Santo


Crisma, simbolizando Cristo que significa: ungido, consagrado.


Fazem-se 5 cruzes: uma no meio e 4 nos ângulos no modelo das 5 chagas de Jesus. Sobre essas 5 cruzes queima-se o incenso: imagem das orações que as chagas de Jesus fazem subir ao Céu em nosso favor.


As velas que se acendem nessa cerimônia, indicam que essas chagas se tornaram gloriosas depois da ressurreição.


Colocam-se 3 grãos de incenso no pequeno túmulo cavado no interior da pedra, em memória dos perfumes, com que José de Arimatéia, Santa Madalena e as Santas mulheres embalsamaram o corpo de Jesus.


As relíquias ali postas, significam a união íntima e inseparável de Jesus com os Santos, mortos na Sua graça e no Seu amor.


Nas 7 aspersões feitas ao redor do altar, vemos uma imagem dos 7 Sacramentos que saem do Coração adorável de Nosso Senhor.


O altar, ou ao menos a mesa sagrada (altar portátil), deve ser de pedra - porque Jesus Cristo na Escritura é chamado a Pedra angular da Igreja (Ephs. II 20).


É por isso que na Quinta-feira Santa há a cerimônia da desnudação dos altares, simbolizando que Jesus Cristo foi despojado de tudo, de Sua glória, amigos, de Suas vestes e lavado com o Sangue e água que saíram de Seu lado aberto.


Com esses dados temos a chave para compreender o porque das toalhas, dos adornos, das incensações e beijos.


* As toalhas representam o sudário e os panos sagrados que envolveram o Corpo de Jesus.


* O adorno é uma reparação feita à coroa de espinhos que puseram na cabeça de Jesus.


* O incenso são os perfumes preciosos com que Jesus foi embalsamado.


* Os beijos representam o amor que todos os cristãos devem ter para com Jesus.


Se o Sacerdote benze a hóstia e o cálice, tem à mão esquerda sobre o altar; se ele ora em união com Jesus, toca o altar, confirmando de algum modo a sua fraqueza; se ele vai dar a paz aos fiéis, primeiramente beija o altar, cerimônias essas que nos indicam ser Jesus Cristo a fonte de toda a bênção, o mediador poderoso, o autor e dispensador da paz.


* O Crucifixo: é para nos ensinar que o Sacrifício incruento é a continuação e reprodução do Sacrifício da Cruz.


* As velas de cera: têm uma significação geral concernente a Jesus e aos fiéis.


Relativamente a Jesus - a cera, substância puríssima, simboliza que Jesus Cristo é a pureza por excelência e que veio do céu para acender no nosso coração o fogo do amor divino.


Relativamente aos fiéis: representa a fé e a caridade.


Na missa rezada:


a) A vela do lado da epístola, simboliza a fé, santidade e fervor de todos os Santos da Antiga Lei, desde Adão até Jesus.


b) A vela do lado do Evangelho: representa a fé, santidade e fervor de todos os Santos da Nova Lei, desde Jesus até o fim do mundo.


Na missa cantada acendem-se seis velas, que simbolizam as seis épocas da Igreja militante.


* Relíquias e vasos de flores - significam que Deus é o Criador e conservador da todas a coisas.


* O Tabernáculo é a Arca da Aliança da Nova Lei, que guarda o verdadeiro pão da vida: O Deus da Eucaristia.


* Cor dos paramentos:


a) Cor branca - significa - glória, alegria, inocência.


b) Cor vermelha - significa - caridade.


c) Cor verde - significa - esperança.


d) Cor roxa - significa - penitência.


e) Cor preta - significa - luto, tristeza.


* Sinais de Cruzes:


São feitos sinais de cruzes, na Missa, sobre o Sacerdote, povo, pão e vinho, sobre as Santas espécies, com o Corpo e

Sangue de Jesus na Comunhão.


O Sacerdote faz muitas vezes sinais de cruzes - porque o Sacrifício do altar é o Sacrifício da Cruz. A Missa tira sua virtude do Sacrifício da Cruz, é um canal de bênção pelo qual Jesus nos comunica as graças adquiridas por Ele no Calvário.


a) Sobre a matéria do Sacrifício só se faz sinal da cruz ímpar, i. e. uma vez, 3 vezes, 5 vezes, para honrar a Unidade da essência divina, as três Pessoas da SS. Trindade, as 5 Chagas de Jesus.


b) Os sinais feitos antes da consagração servem para atrair de Deus as graças ou para indicar que as concede pelos méritos da Cruz.


c) Os sinais feitos depois da consagração indicam que os dons do altar são o mesmo Corpo que foi pregado na Cruz e o mesmo Sangue derramado na Cruz.


* Inclinações: são sinais de respeito e humildade.


A genuflexão é o sinal de respeito mais profundo, um sinal de adoração mais completa. Quando o Sacerdote faz genuflexão pensamos na grandeza íntima de Deus, no nosso nada, nos nossos pecados e enchemo-nos de profundos sentimentos de humildade.


* Movimentos dos olhos: têm muitos sentidos, simbolizam a fé, a esperança, ou a caridade.


* As mãos.


a) As mãos unidas indicam a devoção, a insistência na oração.


b) As mãos extensas: lembram Jesus Cristo na Cruz orando pelos algozes.


c) Quando as mãos estão estendidas e o Sacerdote as eleva ao céu simbolizam a fé e esperança.


d) Quando as mãos estão estendidas e as une simbolizam a caridade.


e) Algumas vezes o Sacerdote eleva e une logo as mãos - para simbolizar confiança e humildade. Outras vezes as

estende e as une sem elevá-las, significa que o Sacerdote recebe todos os pedidos do povo para oferecê-los a Deus, pois ele é o mediador de seus irmãos.


* Ósculos.


a) Beija o altar - por amor a Jesus, pois o altar é a figura de Jesus.


b) Beija os Evangelhos - por amor a Jesus, pois ali estão a história e a palavra de Jesus.


c) Beija a Patena - por amor a Jesus,  pois Ele repousa li.


* Incensos.


Há na Missa cantada 4 incensações: no Introito, antes e depois do Evangelho e elevação.


O incenso é oferecido a Deus, é um ato de adoração.


Na Missa o incenso é um ato de reconhecimento da Divindade de Jesus, em honra do qual a nossa vida se deve consumir pelo amor, como o incenso é consumido pelo fogo no turíbulo.


Se se incensa o altar é porque o altar representa Jesus, se o Evangelho, é porque ali está a palavra de Deus, se o

Sacerdote, é porque ele é um outro Jesus, se os fiéis é porque pelo Batismo e a Santa Eucaristia eles são incorporados a Jesus.


O incenso é também figura de oração que, saindo dum coração abrasado de amor, sobe para o trono de Deus como uma coluna de vapor branco e perfumado.


São Cirilo diz também que o incenso é o símbolo do bom cristão, que edifica o próximo pelas suas obras de virtude.


* Voz.


O Sacerdote muda de voz (tom) diversas vezes.


É para mostrar a grandeza do Sacrifício, reanimar a atenção dos assistentes e excitar-se a devoção.


a) Voz alta: para dirigir-se aos fiéis e instruí-los.


b) Voz média: por espírito de humildade e edificação.


c) Silêncio: majestade de Deus e o nada do homem para que cada um possa expor as suas necessidades a Jesus, para indicar que o Sacerdote está nas mais íntima conversação com o céu, para indicar que o silêncio e o segredo, convém á oração e especialmente a mais importante de todas, qual é o Santo Sacrifício.


* Explicação de algumas palavras que se repetem com mais frequência na Missa.


O Sacerdote diz 7 vezes: Dominus vobiscum, o Senhor esteja convosco.


É um belo ato de caridade, é a mais magnífica saudação que se possa fazer... ordinariamente o Sacerdote ao dizer essas

palavras beija o altar, volta-se ao povo, abre as mãos e estende os braços.


Abre as mãos e estende os braços - é um gesto inspirado pela vivacidade da caridade fraternal.


Tenhamos pois com o nosso próximo um amor sobrenatural - porque é a melhor disposição que podemos levar a oração, a palavra de Deus e a Santa Comunhão.


Muitas vezes o Sacerdote diz em voz alta Oremus, é para exortar a si mesmo e estimular a tenção e piedade dos fiéis...


* O Sacerdote revestido dos ornamentos sagrados, representa a Jesus Cristo na Sua dolorosa Paixão.


a) O Amicto, simboliza o véu ignominioso com o qual cobriram o rosto adorável de Jesus, dando-Lhe bofetadas,

dizendo: "Adivinha quem te bateu".


b) A Alva, nos lembra a veste branca com que foi ignominiosamente revestido o Salvador por ordem de Herodes.


c) O Singulo simboliza as cordas com que ataram a Nosso Senhor, quando O prenderam no Horto das Oliveiras.


d) O Manipulo representa a corda com que amarraram a Nosso Senhor na coluna para açoitá-lO.


e) A Estola, é o símbolo de jugo do Senhor que o Sacerdote deve aceitar, por um inteiro devotamento ao Seu serviço.


Relembra-nos também a corda que Lhe atiraram ao pescoço, quando ia com a Cruz às costas.


f) A Casula lembra-nos a púrpura que, por escárnio, Lhe impuseram os soldados ao coroá-lO de espinhos.


É também a figura do jugo de Jesus Cristo, que os Sacerdotes e os fiéis devem trazer todos os dias: daquele jugo doce e

suave que forma a nossa glória e felicidade.


O Livro da Imitação nos dá o simbolismo da Cruz que vem adiante e atrás da casula:


"O Sacerdote leva diante dele a cruz, na casula, para que medite os exemplos de Jesus Cristo e que os siga com fervor. A cruz que vem atrás da casula é para suportar com paciência os maus tratos. A cruz da frente lembra-lhe que deve chorar as próprias faltas, a cruz que vem atrás da casula, lembra-lhe que deve espiar os pecados dos outros e que sendo o mediador, é necessário oferecer sem cessar o Sacrifício da oração e do altar até que os pecadores obtenham misericórdia e perdão."


g) O Véu do cálice representa a noite tenebrosa da Paixão.


h) O Cálice simboliza o sepulcro.


i) O Corporal representa o sudário com que amortalharam o corpo santíssimo de Jesus.


Precisamos de Deus, a toda hora e a cada instante; precisamos da Sua graça, do Seu auxílio, da Sua proteção, na ordem temporal das coisas, como na espiritual.


Pois, é sobretudo pelo Sacrifício da Missa que temos Deus conosco, e lá mesmo O esquecemos; é durante o Sacrifício da


Missa que mais eficazmente Lhe podemos expor as nossas necessidades, e descuidamo-nos da Missa; é pelo Sacrifício da Missa que nos é possível cumprir as nossas grandes obrigações para com a Sua majestade infinita, e o Sacrifício da

Missa não nos deve ser indiferente; durante o Sacrifício da Missa podemos alcançar misericórdia e perdão, e tesouros de graças para nós e os outros, para o tempo e a eternidade e nem sequer nos vem o pensamento de aproveitarmos um meio tão fácil quão eficaz; nada nos move, nada nos desperta da nossa apatia fatal.


Meus irmãos, o Santo Sacrifício é tudo para nós, reconheçamo-lo e mudemos de proceder a seu respeito...


(O Santo Sacrifício da Missa, pelo Pe. Francisco Cipullo, edição de 1916)


Fonte: http://a-grande-guerra.blogspot.com/2010/09/o-altar.html

5 de janeiro de 2011

Tempo da Epifania

Epifania do Senhor

No dia 6 de Janeiro celebra-se a festa dos santos reis ou da Epifania (dia de guarda). É uma das festas mais antigas. Chama-se Epifania, isto é, manifestação, porque Jesus Cristo se manifestou aos magos, primeiros gentios que chamou à fé. Evangelho: Adoração dos magos. São Mateus, 2, 1-12.

Domingos depois da Epifania


Os Evangelhos dos seis domingos depois da Epifania sintetizam o magistério de Nosso Senhor Jesus Cristo.

I Domingo: A preparação remota: Jesus entre os doutores: São Lucas, 2, 42-52.

II Domingo: A preparação próxima, pelo primeiro milagre: As núpcias de Cana: São João, 2, 1-11.

III Domingo: Os efeitos do ensino de Jesus naqueles que mostram boa vontade: Cura de um leproso e do servo do centurião: São Mateus, 8, 1-13.

IV Domingo: O fundamento necessário para aceitar a doutrina de Jesus é uma fé firme e constante, que faltava aos discípulos, achando-se no lago de Genesaré: Jesus aplaca a tempestade: São Mateus, 8, 23-27.

V Domingo: As dificuldades e os obstáculos que se opõem à promulgação e ao efeito do ensino de Jesus: O joio no meio do trigo: São Mateus, 13, 24-30.

VI Domingo: Os efeitos externos e internos dessa doutrina: Parábola do grão de mostarda e do fermento: São Mateus, 13, 31-35.

Nota: No dia 2 de Fevereiro celebra-se a festa da Purificação, chamada a Candelária. Mandava a lei de Moisés que os pais levassem ao templo os primogênitos, 40 dias depois de nascidos, para serem consagrados a Deus, e depois resgatavam-nos. Pela mesma lei as mulheres depois do parto não se apresentavam ao templo como impuras, por 40 dias, se lhes nascera um menino, ou 80 dias, se uma menina. No fim desse prazo se apresentavam para serem purificadas. Nesse dia a Igreja benza as velas e as leva em procissão, antes da Missa solene, em memória da profecia do velho Simeão: “Meus olhos viram o Salvador que preparastes ante os olhos de todas as nações, como luz para ser revelada aos gentios”.

Evangelho: Apresentação de Jesus no Templo: São Lucas, 2, 22-32.

24 de dezembro de 2010

Próprio do Tempo

O Ano Eclesiástico ou Litúrgico começa no 1º Domingo do Advento que cai em fin de Novembro ou em princípios de Dezembro e termina na última semana depois de Pentecostes.


Compreende duas partes diferentes: a do PRÓPRIO DO TEMPO e a do PRÓPRIO DOS SANTOS.


A primeira, a mais antiga, traz às nossas considerações Nosso Senhor Jesus Cristo no quadro tradicional dos grandes mistérios da religião cristã.


A segunda, compõe-se de todas as festas dos santos que Deus juntou a Nosso Senhor para cumprir a obra magna da Rendenção.


O PRÓPRIO DO TEMPO divide-se em seis períodos:


1º TEMPO DO ADVENTO: 4 semanas, sendo a última, mais ou menos completa.


2º TEMPO DO NATAL E DA EPIFANIA: de 4 a 8 Domingos.


3º TEMPO DA SETUAGÉSIMA: 3 semanas.


4º TEMPO DA QUARESMA E PAIXÃO: 6 semanas.


5º TEMPO DA PÁSCOA: 8 semanas.


6º TEMPO DEPOIS DE PENTECOSTES: de 23 a 28 Domingos.


NATAL



Compreende este tempo o período entre o Natal do Senhor e a Epifania. É tempo de santa júbilo, de ações de graças e de alegres festas; tudo inspirado pela contemplação de um Deus feito Menino e de uma Virgem Mãe. A Igreja deixa transbordar essa alegria santa nos Ofícios destes dias, na cor branca dos paramentos, nas harmonias do orgão, etc.


É tempo de meditações e de proveitosos ensinamentos, relembrando:


a) O amor infinito de Jesus Cristo, encarnado para salvar-nos do pecado e da morte eterna;


b) As circusntâncias de seu nascimento ensinam-nos a renunciar às vaidades do mundo e a estimar a pobreza e o trabalho;


c) A doçura e suavidade de seu santíssimo Nome, que devemos invocar com fé viva, terno amor e inteira.


Fonte: MISSAL (Para Domingos e Festas) - Editora do Brasil S/A. Coleção F.T.D.

2 de dezembro de 2010

"Não existe nenhum texto na Tradição que sustente a comunhão na mão"

Entrevista de Bruno Volpe, para Pontifex, a Dom Nicola Bux sobre a recepção da Sagrada Comunhão.

Como administrar dignamente o sacramento da Comunhão? Falamos com Monsenhor Nicola Bux, teólogo e apreciado liturgista. Poderá ser casualidade, porém o modernismo e o descuido de certas interpretações pós-conciliares levaram a um menosprezo deste sacramento ao qual agora a gente se aproxima de todos os modos possíveis, até em estilo militar.

- Dom Bux, qual é a forma mais correta de comungar?

- Diria que são duas. É a posição de pé, recebendo a partícula na boca, ou então de joelhos. Não vejo uma terceira via.

- Falemos da posição de pé (vertical)...

- Está bem, não tenho nada contra ela. O importante é que o fiel esteja intimamente consciente do que vai receber, isto é, que não se aproxime da Comunhão com uma despreocupação que demonstra imaturidade e absoluta distância de Deus.

- O que é melhor?

- Olhe, inclusive a Comunhão de pé, se se faz com devoção, compunção e sentido do sagrado, não está mal. Seria belo e conveniente, sem dúvida, que a Comunhão (inclusive quando é de pé) seja precedida por um sinal formal de reverência, isto é, a cabeça coberta para as mulheres, o sinal da cruz o uma inclinação de amor.

- Porém, por que motivo com frequência as pessoas se aproximam da Comunhão como se fosse de um Buffet?

- Agrada-me essa expressão e em parte é também certa. Muitos se levantam mecanicamente e não sabem, e nem sequer imaginam, que é o que recebem. Pensa-se que a participação na Missa inclui automaticamente a Comunhão, da qual devem aproximar-se somente aqueles que estão realmente na graça de Deus.

- Nos últimos meses, o Papa Bento XVI administrou a Comunhão de joelhos...

- Ele fez muito bem. Considero que o ajoelhar-se para receber a Comunhão ajuda a recolher o espírito e a compreender mais o mistério. Ajoelhar-se diante do Corpo de Cristo é um ato de amor e de humildade agradável a Deus, que nos faz revalorizar esse sentido do sagrado atualmente à deriva e perdido ou, pelo menos, diminuído.

- Em resumo, a Comunhão de joelhos ajuda o espírito...

- Certamente, favorece o recolhimento e a espiritualidade. Considero que a posição de joelhos para receber a Comunhão é a que mais corresponde ao sentido do mistério e do sagrado.

- E a Comunhão na mão?

- Lamento, porém não existe nenhum texto da Tradição que a sustente. Nem sequer o tomai e comei todos: não há nenhuma menção da mão e, se se quer, os apóstolos eram sacerdotes e tinham o direito à Comunhão na mão. Os orientais não a permitem.

- Numa igreja de Roma, a do Caravita, geralmente muito concorrida especialmente pela comunidade católica mexicana, um sacerdote jesuíta [...] faz pegar pessoalmente a partícula pelos fiéis que a molham no cálice. É correto fazer isso?

- Trata-se de um abuso gravíssimo e intolerável do qual fazem bem em avisar-me e do qual o Bispo deve tomar consciência e conhecimento. Os parágrafos 88 e 94 [da Redemptionis Sacramentum] afirmam que não é permitido aos fiéis tomar por si mesmos a hóstia ou passar o cálice de mão em mão. Creio que a Comunhão não é válida. Analisarei o problema, porém estamos diante de um abuso inadmissível que deve ser reprimido o quanto antes.

Fuente: Pontifex

Visto en: Rorate Caeli

Traducção: A Buhardilla de Jerónimo

29 de novembro de 2010

O sino do Ângelus: simbolismo e efeitos benéficos

O Ângelus compõe-se de duas partes essenciais: a oração e o som do sino. O sino dá ao Ângelus uma solenidade excepcional.

Por que o sino toca o Ângelus de manhã, ao meio-dia e à tarde? Por ordem da Igreja Católica, cumpre a palavra do rei profeta: "À tarde, de manhã e ao meio-dia, cantarei os louvores de Deus, e Deus ouvirá a minha voz".

À tarde, canta o princípio da Paixão do Redentor no Jardim das Oliveiras. De manhã, a sua Ressurreição, e ao meio-dia a sua Ascensão.

De manhã, dá o sinal do despertar, da oração e do trabalho. Ao meio-dia, adverte o homem de que a metade do dia é passada, e que a sua vida não é mais que um dia.

À tarde, toca ao recolhimento e ao repouso. Diz ao homem: faze tuas contas com Deus, pois esta noite talvez Ele exigirá a tua alma.

Fazendo ouvir a sua voz três vezes por dia, recorda aos cristãos as lembranças de um glorioso passado, essas belicosas expedições, a honra eterna dos Papas, que salvaram o Ocidente da barbárie muçulmana.

Toca três vezes, para recordar as três Pessoas da Trindade, às quais o mundo é devedor da Encarnação.

Toca nove vezes, em honra dos nove coros de anjos, para convidar os habitantes da Terra a abençoar com eles o seu comum benfeitor.

Entre cada tinido - ou melhor, entre cada suspiro - deixa um intervalo, para que sua voz desça mais suavemente ao coração e desperte com mais segurança o espírito de oração.

Por que, depois do tinido do Ângelus, o sino faz ribombar sua voz? Canta uma dupla redenção: a redenção dos vivos, pelo mistério da Redenção, e a redenção dos finados, pela indulgência ligada ao Ângelus.

Ao Purgatório toca uma felicidade, e a Maria a saudação de uma alma que entra no céu. Assim opera a Igreja da terra, cheia de ternura por sua irmã padecente.

Por que chora o sino na agonia? Se reflete as alegrias deve refletir também as dores.

Para sustentar o jovem cristão nos combates da vida, o sino pede as nossas orações.

Como não solicitá-las nas lutas da morte? Entre todas, estas lutas não são as mais terríveis e as mais decisivas.

No toque da agonia, o sino diz: "Miseremini mei saltem vos amici" - Tende piedade de mim, pelo menos vós que fostes meus amigos! Vinde orar por mim, vinde sepultar o meu corpo, vinde acompanhá-lo à igreja, depois ao dormitório, onde ele deve repousar até a ressurreição dos mortos.

O sino, nesse momento, assemelha-se a uma mãe que, na sua terna solicitude, não se permite nem paz nem trégua, para clamar em socorro de seus filhos desgraçados e obter a sua libertação.

Também o sino deve tornar o cristão invencível na sua guerra contra os demônios.
Ao estridor dos sinos - acrescenta um de nossos antigos liturgistas - os espíritos das trevas são penetrados de terror, da mesma forma que um tirano se espanta quando ouve ressoar nas suas terras as trombetas guerreiras de um monarca seu inimigo.

Toque de recolher: no inverno, nos países montanhosos, pelas nove horas da noite, o sino faz ouvir a sua voz mais forte.

Chama o viajante desencaminhado, e indica-lhe a estrada que deve seguir para chegar ao lugar onde achará a hospitalidade. Uma imagem do que também acontece com as almas perdidas no pecado.

Eram inteiramente outros os sentimentos de nossos religiosos antepassados.

Testemunhas inteligentes das bênçãos e das consagrações praticadas pela Igreja no batismo dos sinos, devotavam-lhe um profundo respeito e santo pavor.

Daí vem que temiam infinitamente mais jurar sobre um sino consagrado do que sobre os próprios Evangelhos.

(Fonte: Mons. Gaume, “L’Angelus au dix-neuvième siècle”)

Retirado do sitío: http://oracoesemilagresmedievais.blogspot.com

17 de novembro de 2010

Matéria e Forma do Sacramento da Eucaristia



Qual é a matéria do Sacramento da Eucaristia?

Pão de trigo e vinho de uva (LXXIV, 1, 2).

Que sucede na matéria, no momento de consagrar?

Que a substância do pão deixa de ser pão e a do vinho deixa de ser vinho (LXXIV, 2).

Em que se convertem as substâncias do pão e do vinho?

A do pão no corpo de Jesus Cristo e a do vinho no seu sangue (LXXV, 3, 4).

Que nome tem esta conversão ou troca?

O de Transubstanciação (LXXV, 4).

Que expressa a palavra transubstanciação?

A conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue.

Quem é capaz de efetuar tão estupenda transformação?

Só a Onipotência divina (Ibid).

Converte-se no corpo e sangue de Cristo somente a substância, ou tudo o que existe no pão e no vinho?

Somente a substância, permanecendo sem alteração os acidentes (LXXV, 2 ad 3).

Que entendeis, quando afirmais que permanecem os acidentes?

Que continuam, no mesmo estado, a extensão ou quantidade, a figura, a cor, o gosto, resistência e mais propriedades ou entidades sensíveis, por meio das quais viemos ao conhecimento do pão e vinho, antes da consagração.

Por que não se transformam também os acidentes?

Porque são necessários para manter e assegurar a presença sacramental de Jesus Cristo (Summa contra gentes, livro IV cap. LXIII)

Que aconteceria, se os acidentes se transformassem em corpo e sangue de Cristo?

Que o que foi pão e vinho desapareceria absoluta e totalmente (Ibid).

Que se segue, pelo contrário, com a permanência das espécies sacramentais?

Que, ligados a elas, mediante as suas respectivas substâncias, estão o corpo e sangue de Cristo, do mesmo modo como o estavam as substâncias do pão e vinho, de sorte que, assim como antes da transubstanciação, ao tocar os acidentes, tínhamos nas mãos as substâncias do pão e do vinho, temos, depois da transubstanciação, o corpo e o sangue de Cristo (Ibid).

O que há sob as espécies depois da consagração é, identicamente, o mesmo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Sim, Senhor (LXXV, 1).

Acha-se Jesus Cristo inteiro e completo no sacramento da Eucaristia?

Sim, Senhor; porque, se bem que sob as espécies do pão, em virtude das palavras sacramentais, só está o corpo e sob as do vinho o sangue, por concomitância, e já porque é impossível separar, na sua humanidade, os dois elementos, como foram separados na cruz, onde quer que esteja o corpo, ali está o sangue e a alma, e, onde se ache o sangue, o acompanham a alma e o corpo. Quanto à divindade não há dificuldades, pois, nunca, nem mesmo durante a morte do Redentor, se separou a pessoa divina da cada um dos componentes de sua humanidade (LXXVI, 1, 3).

Está Jesus Cristo inteiro em cada parte das espécies sacramentais?

Enquanto as espécies permanecem indivisas está completo em todo o Sacramento, e quando se fracionam, está tantas vezes inteiro e completo, quantas partes se hajam feito (LXXVI, 3).

É possível ver, tocar, ou de algum modo chegar ao corpo de Jesus Cristo no estado sacramental?

Não, Senhor; porque aquelas espécies acessórias aos nossos sentidos, não são acidentes do corpo de Cristo, único meio de chegar à sua substância (LXXV, 4-8).

Que se deduz desta verdade?

Que as espécies sacramentais o encerram como prisioneiro, e por sua vez o protegem, de sorte que, quando algum desalmado intente enfurecer-se contra o corpo de Cristo, só consegue profanar o Sacramento.

São inalteráveis as espécies sacramentais depois da consagração?

Não, Senhor; decompõem-se e transformam-se depois de poucos momentos de ingeridas como alimento, e também se corrompem abandonadas por muito tempo à ação dos agentes atmosféricos (LXXVII, 4).

Que sucede quando as espécies deixam de ser os acidentes do pão e do vinho, consagrados?

Que no mesmo instante cessa a presença eucarística de Jesus Cristo, pelo fato de desaparecer o motivo que o retinha enlaçado aos acidentes, e, mediante os acidentes, ao lugar por eles ocupado (LXXVI, 6 ad 3).

Logo, a presença eucarística de Jesus Cristo num lugar depende exclusivamente da consagração e da permanência dos mesmos acidentes do pão e do vinho consagrados?

Sim, Senhor; visto que a razão de tal presença, não podem ser as mudanças operadas no corpo impassível de Cristo, mas no pão e no vinho (Ibid).

Como se consagra?

Pronunciando com as devidas condições, a forma da Consagração (LXXVIII).

Qual é?

Para consagrar o pão: Isto é o meu corpo. Para consagrar o vinho: Este é o Cálice do meu Sangue, o Sangue do novo e eterno testamento, que por vós e por muitos será derramado em remissão dos pecados.

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PEGUES, Tomaz, O. P. A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de catecismo: para uso de todos os fiéis. Taubaté: Editora SCJ, 1942, p. 219-221.

Retirado do site: http://mulhercatolica.blogspot.com/2010/11/materia-e-forma-do-sacramento-da.html#axzz15ZpzzEZt