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21 de agosto de 2013

A Missa Sacrílega - Parte II

II
Quanto é enorme o crime do padre que celebra em estado de pecado mortal

Que faz então o padre que celebra, em pecado mortal? Acaso honra ele a Deus? Ai, muito ao contrário! Comete contra ele o maior ultraje de que é capaz; despreza-o na sua própria pessoa, porque pelo sacrilégio parece fazer quanto de si depende para manchar o Cordeiro imaculado, que oferece sob as espécies sacramentais! Eis o que diz o Senhor: Escutai, ó sacerdotes que desprezais o meu nome... Ofereceis sobre o meu altar um pão manchado e dizeis: Em que é que te desonramos?480 S. Jerônimo comenta assim esta passagem: Manchamos o pão, isto é, o corpo de Cristo, quando nos aproximamos indignamente do altar.

Não podia Deus elevar um homem a uma dignidade mais sublime, que à dignidade sacerdotal. Que escolha teve de fazer o Senhor para formar um padre! Primeiro, teve de escolhê-lo na multidão inumerável das criaturas possíveis; depois teve de separá-lo de tantos milhões de pagãos e hereges; e por último teve de tirá-lo do meio de tantos simples fiéis. Depois disto, que poder lhe não foi dado! Se Deus tivesse concedido a um só homem o poder de fazer descer à terra por suas palavras o próprio Jesus Cristo, quanto não estaria obrigado para com o Senhor esse homem tão privilegiado, e quantas ações de graças não teria de lhe render! Pois bem, esse poder concede-o Deus a cada um dos padres481. Nada importa que o mesmo poder tenha sido confiado a muitos: o número dos padres, nem apouca a sua dignidade, nem diminui as suas obrigações. Mas, grande Deus! Que faz um padre que ousa celebrar com o pecado na sua alma? Desonra-nos, despreza-vos, declarando por isso mesmo que este sacrifício não é tão digno dos nossos respeitos, que devamos temer profaná-lo por um sacrilégio! Aproximar-se alguém do altar, sem o respeito que lhe é devido, diz S. Cirilo de Alexandria, é mostrar que o julga digno de desprezo

20 de agosto de 2013

A Missa Sacrílega - Parte I



I
Pureza exigida no padre para celebrar dignamente

Lê-se no Concílio de Trento: Devemos reconhecer que entre todas as obras, ao alcance dos fiéis, nenhuma há mais santa que este mistério terrível465. Nem o próprio Deus pode fazer que haja no mundo uma ação maior e mais santa que a celebração duma missa. Ó, quanto mais excelente que todos os sacrifícios antigos o sacrifício dos nossos altares, em que a vítima oferecida não é já um touro ou um cordeiro, mas o próprio Filho de Deus!

Para a vítima, o judeu tinha um boi, escreve S. Pedro de Cluny; o cristão tem Jesus Cristo; tanto este último sacrifício excede o primeiro, como Jesus Cristo excede a um boi466. Depois ajunta que uma vítima servil era a única que convinha a servos, ao passo que aos amigos e aos filhos estava reservado o próprio Jesus Cristo, como vítima que nos libertou do pecado e da morte eterna. Tem pois razão S. Lourenço Justiniano em dizer que não há oferenda nem maior em si mesma, nem mais útil aos homens, nem mais agradável a Deus, que a que se faz no sacrifício da missa

18 de agosto de 2013

Zelo a que é Obrigado o Padre

Cumpre notar que, num retiro eclesiástico, de todos os discursos a fazer, o mais importante, e de que se pode esperar mais fruto, é o que versa sobre o zelo; porque, se de entre os ouvintes, — como se deve esperar da graça do Senhor, — algum sacerdote vier a tomar a resolução de trabalhar, com ardor na salvação do próximo, ter-se há ganhado, não apenas uma alma, mas cem, mil almas, que se salvarão por meio desse padre.
Vamos falar neste capítulo:
  1. Da obrigação, que têm todos os padres de trabalhar na salvação das almas;
  1. Do prazer que dá a Deus o padre, que trabalha na salvação das almas; 
  1. Da salvação eterna e da grande recompensa que pode esperar de Deus o padre, que trabalha na salvação das almas; 
  1. Do fim, meios e obras do padre zeloso.


I
Da obrigação que incumbe aos padres


Lê-se na Obra imperfeita: Muitos padres e poucos padres: muitos no nome, poucos nas obras620. Está o mundo cheio de padres, mas poucos dentre eles trabalham por ser verdadeiros padres, isto é, por satisfazer a grande obrigação que o sacerdócio impõe, à obrigação de salvar almas. É uma alta dignidade a dos padres, visto que são cooperadores do próprio Deus

17 de agosto de 2013

A Dignidade do Padre


A dignidade do Padre

I

Idéia da dignidade sacerdotal


Diz Sto. Inácio mártir que a dignidade sacerdotal tem a supremacia entre todas as dignidades criadas2. Santo Efrém exclama: “É um prodígio espantoso a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita3. Segundo S. João Crisóstomo, o sacerdócio, embora se exerça na terra, deve ser contado no número das coisas celestes4. Citando Sto. Agostinho, diz Bartolomeu Chassing que o sacerdote, alevantado acima de todos os poderes da terra e de todas as grandezas do Céu, só é inferior a Deus5. e Inocêncio III assegura que o sacerdote está colocado entre Deus e o homem; é inferior a Deus, mas maior que o homem6.

Segundo S. Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes divina; por isso chama ao padre um homem divino7. Numa palavra, concluí Sto. Efrém, a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se pode conceber8. Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem ser tratados como a sua pessoa: Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos despreza, a mim despreza9. Foi o que fez dizer ao autor da Obra imperfeita: Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote de Cristo, é fazê-la a Cristo”10. Considerando a dignidade dos sacerdotes, Maria d’Oignies beijava a terra em que eles punham os pés.