10 de novembro de 2012

Da imitação de Cristo e do desapego das vaidades do mundo

Por Tomás de Kempis

"Quem me segue não anda em trevas" (Jo 8, 12). São as palavras de Cristo, com as quais nos admoesta que imitemos sua vida e costumes, se quisermos verdadeiramente ser esclarecidos e livres de toda a cegueira de coração. Seja, pois, nosso principal desempenho meditar a vida de Jesus Cristo. 

A sua doutrina excede a de todos os santos; e quem possuir o seu espírito, nela achará o maná escondido. Acontece, porém, que muitos, ainda que amiúde ouçam o Evangelho, sentem nele pouco gosto e tiram pouco proveito, porque não têm o espírito de Cristo. Quem quiser compreender com satisfação e proveito as palavras de Jesus Cristo, deve conformar sua vida com a dele. 

Que te aproveita discorrer com sabedoria sobre a Trindade, se não és humilde, e por isso lhe desagradas? A verdade é que não são as palavras sábias que fazem o homem santo ou justo, mas sim a vida virtuosa que o faz agradável a Deus. É preferível sentir a compunção do que saber defini-la. Ainda que soubesses de cor toda a Bíblia e os ditos de todos os filósofos, que te aproveitaria tudo isto sem o amor e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, tudo vaidade, exceto amar a Deus e só a Ele servir. (Ecl. 1,2). A suma sabedoria é, pelo desprezo do mundo, caminhar para o reino dos céus. 

É vaidade, pois, buscar riquezas perecedouras, e pôr nelas a esperança. Vaidade é também desejar honras e desvanecer-se com elas. Vaidade é seguir os apetites da carne e desejar aquelo por onde depois hás de ser gravemente castigado. Vaidade é desejar vida longa, sem cuidar de que seja boa. Vaidade é também olhar somente a esta presente vida e não prever o que virá depois. Vaidade é amar o que tão depressa passa e não buscar com fervor a felicidade que sempre dura. 

Lembra-te amiúde daquele provérbio: "A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir" (Ecl. 1,8). Procura, pois, desapegar ter coração das coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis, porque os que seguem os atrativos dos sentidos, mancham sua consciência e perdem a graça de Deus.   

Fonte: Livro: Imitação de Cristo - Ed. Ave Maria. 

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